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El Niño: entenda como o fenômeno pode impactar o clima em Belém

A capital paraense já começou a enfrentar (e deve continuar pelos próximos meses) um cenário de temperaturas mais elevadas e redução gradual das chuvas no verão amazônico. Segundo matéria publicada pela Agência Belém, a previsão é que os efeitos do El Niño, combinados às características urbanas de Belém, intensifiquem a sensação de calor ao longo do segundo semestre.

Segundo as informações divulgadas, o comportamento climático previsto para este ano tende a ser potencializado pelas chamadas ilhas de calor, fenômeno associado ao excesso de áreas asfaltadas, concentração de concreto e baixa cobertura vegetal nos centros urbanos.

O meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), José Raimundo de Sousa, explicou que o El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse processo interfere diretamente no regime de chuvas e favorece períodos mais secos em parte da Amazônia, contribuindo para o aumento das temperaturas.

De acordo com a assessora técnica da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), Bárbara Paiva, a interação entre o fenômeno climático e as ilhas de calor pode provocar mudanças importantes no comportamento das temperaturas em Belém, que em alguns períodos podem alcançar os 40°C.

As projeções indicam que o aumento mais acentuado das temperaturas deve começar a ser percebido a partir de julho, com maior intensidade entre agosto e setembro. A tendência para o verão amazônico é de elevação gradual do calor acompanhada pela redução das chuvas.

Segundo o meteorologista do Inmet, embora os efeitos já comecem a interagir com o ambiente, o período de maior influência deve ocorrer entre agosto e setembro, reduzindo ainda mais os índices de chuva e elevando as temperaturas.

Além da atuação do El Niño, especialistas apontam que a configuração urbana da cidade contribui para intensificar o calor. A grande presença de asfalto e concreto favorece o acúmulo térmico ao longo do dia, fazendo com que o calor seja liberado lentamente durante a noite e dificultando o resfriamento do ambiente.

Ainda conforme a Agência Belém, quanto maior a cobertura vegetal, menor tende a ser a intensidade das ilhas de calor. Por isso, estratégias de adaptação climática e ampliação das áreas verdes aparecem entre as medidas adotadas para reduzir os impactos do aumento das temperaturas.


Foto: Augusto Miranda / Agência Pará