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Negócios: empresários paraenses criam novas formas de consumir na Amazônia

Comprar um café, escolher um produto ou fazer uma pausa no meio do dia já não significa apenas consumir. Em Belém, espaços que garantem experiências ligadas à permanência e à forma de apresentar produtos amazônicos ganham protagonismo e apontam para um novo jeito na relação entre consumidores e território.

Um exemplo desse movimento na capital paraense é o Veropesinho Casa & Café, no bairro de Nazaré, que há oito anos vem apostando menos na lógica da transação e mais na construção de experiências capazes de aproximar pessoas de histórias, sabores e referências locais. A ideia não está necessariamente em vender mais, mas em criar contextos que ampliem a forma como a cultura regional é percebida e vivida.

“Aqui a gente não tem simplesmente prateleiras e produtos expostos, ou cabides e camisas penduradas, a gente tem uma loja com uma curadoria que faz com que ela seja 100% regional. Quando você está aqui dentro, você se sente no Pará, de fato. Tudo o que você olha te remete a alguma coisa, mas é uma loja 100% sofisticada, é uma loja moderna, irreverente, colorida, como a gente, como o povo paraense. É uma loja que, se fosse definir em uma palavra, seria “carimbó” porque ela é rítmica como um carimbó, colorida como um carimbó, sonora como um carimbó, viva como uma dança de carimbó”, afirma Manoel Netto, sócio-proprietário do Verospesinho.

Manoel Netto, sócio-proprietário do Veropesinho Casa & Café (Foto: Pedro Moraes)

Para ele, essa construção também aparece na forma como o público ocupa o espaço. Segundo Manoel, o interesse não está apenas no consumo em si, mas na possibilidade de viver experiências que conectem contemporaneidade, identidade regional e diferentes formas de experimentar a cidade.

“A gente está numa cidade que hoje se posiciona muito bem de forma turística e nós somos primeiro lugar no TripAdvisor, que é uma plataforma de pontuação para o turista buscar boas experiências ou boas gastronomias. Isso coloca a gente num ranking muito bacana, porque a gente acaba participando de 10% das escolhas do aplicativo no mundo. Quando a pessoa está aqui dentro, ela busca o que tem de mais moderno, interessante e, ao mesmo tempo, o que é mais regional, sendo na comida, sendo no artigo de decoração ou no souvenir, isso tudo faz com que ela escolha estar aqui. É uma experiência”, destaca o empreendedor.

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Uma experiência construída nos detalhes

Escolhas que envolvem ambiente, atendimento, repertório gastronômico e seleção de produtos passam a fazer parte da experiência tanto quanto aquilo que é servido ou comprado. Segundo Manoel Netto, essa curadoria começou ainda na concepção da loja e foi construída a partir de viagens e aproximação com produtores de diferentes regiões do Pará. A ideia, segundo ele, não era apenas reunir referências regionais, mas organizar experiências capazes de traduzir diferentes expressões culturais em um mesmo ambiente.

Produtos regionais que compõem a experiência dentro do estabelecimento e aproximam o público da vivência amazônica. (Foto: Leonardo Lima)

“A gente faz uma grande curadoria que, de tempos em tempos, é refeita. A primeira curadoria que a gente fez para inaugurar a loja foi dividida em quatro grandes expedições de mais ou menos sete dias. Fizemos uma expedição para o Xingu, uma para Santarém, uma para o Marajó e outra em regiões próximas a Belém. Essas expedições trouxeram conexões com novos produtores que a gente nunca tinha feito. A gente teve acesso a vários produtores que aqui em Belém o turista não tinha acesso e, principalmente, não tinha acesso a todos reunidos e curados”, diz.

Ainda segundo Manoel, esse processo também envolve tornar o consumo mais consciente e ampliar o repertório de quem visita o espaço. A intenção não está apenas em oferecer produtos, mas em criar uma relação mais próxima entre consumidor, origem e significado.

“A gente se preocupa principalmente para quem vai consumir não só comprar um produto, mas levar uma história junto com ele. A maioria dos nossos itens tem um QR Code ou um texto explicando o processo. Então, quando você vier fazer uma compra aqui, você nunca vai simplesmente escolher um produto, pagar e levar. Sempre vai ter uma interlocução de quem está te atendendo para explicar esse produto, de qual fornecedor ele veio, em que ele foi inspirado e o que ele significa. Você sempre vai carregar uma história junto com esse produto”, finaliza.