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Parceria garante produção paraense da corda que será utilizada no Círio 2026


A corda do Círio de Nazaré, um dos símbolos mais marcantes da festividade, voltará a ser produzida no Pará para utilização nas duas principais procissões da celebração em 2026: a Trasladação e o Círio. A parceria entre a Diretoria da Festa de Nazaré (DFN) e a Companhia Têxtil de Castanhal (CTC) foi renovada durante encontro realizado no município de Castanhal. 

Produzida com fibras de malva amazônica, a corda será totalmente confeccionada pela CTC, incluindo o entrelaçamento, os nós e as argolas que se conectam às estações. “Este ano vamos priorizar os nós e argolas, com maior reforço, para evitar qualquer intercorrência durante as procissões”, explica Antônio Sousa, coordenador do Círio 2026.

A corda utilizada nas procissões possui 800 metros de comprimento, divididos em duas partes de 400 metros (uma para cada romaria), com 60 milímetros de diâmetro e 32 nós e argolas. A entrega ocorre em setembro.


Da fibra amazônica à fé - A corda que conduz milhões de fiéis é resultado de um processo que envolve natureza, tradição, técnica e o trabalho de centenas de paraenses. Produzida pela Companhia Têxtil de Castanhal, a corda do Círio tem origem na malva amazônica, uma fibra natural cultivada em diversos municípios do nordeste paraense, como Nova Esperança do Piriá, Capitão Poço, Irituia, São Miguel do Guamá, Paragominas e Castanhal.

Até 2022, a corda utilizada no Círio e na Trasladação era confeccionada em sisal, uma fibra vegetal resistente produzida em Santa Catarina. A partir de 2023, com a proposta apresentada pela CTC, passou a ser fabricada com fibras de malva amazônica, cultivadas na própria região. A mudança trouxe benefícios importantes, como uma corda mais macia ao toque, proporcionando maior conforto aos fiéis durante as procissões, além de valorizar a produção local.

Cerca de 300 produtores rurais participam direta ou indiretamente dessa cadeia produtiva, que começa no campo com etapas como preparo da área, plantio, colheita, afogamento, lavagem e secagem da malva. Após esse processo inicial, a fibra é enfardada, transportada e encaminhada para a indústria.

Dentro da fábrica, a produção envolve diversas etapas, como amaciar, cardar, fiar, retorcer e embalar, até a transformação final da fibra na corda. Todo esse processo leva aproximadamente um mês, desde a matéria-prima até o produto final, e conta com a atuação direta de 83 colaboradores.

Para a fabricação da corda do Círio, são necessárias cerca de uma tonelada de malva, transformada em um material resistente e seguro. A corda passa por rigorosos testes de qualidade e resistência, incluindo ensaios realizados pela Universidade Federal do Pará (UFPA), que atestaram uma resistência de 31,11 kN. Em testes práticos, o material demonstrou capacidade de tração de aproximadamente 9,3 toneladas.

Além dos testes laboratoriais, todo o processo produtivo é acompanhado por uma equipe de qualidade, que realiza inspeções contínuas para garantir que a corda atenda aos requisitos técnicos exigidos para as procissões.

Segundo a CTC, para o Círio 2026, também foram reforçados os cuidados com o manuseio e a conservação da corda após a entrega, considerando que a malva é um material natural e biodegradável. Ajustes técnicos nos nós e argolas foram realizados para garantir maior distribuição de carga e robustez, sem alteração da matéria-prima ou do processo produtivo.

Símbolo de fé e devoção - A corda passou a integrar o Círio em 1885, após uma enchente da Baía do Guajará alagar a área da orla entre o Ver-o-Peso e as Mercês durante a procissão. Na ocasião, a berlinda ficou atolada e os cavalos não conseguiram puxá-la. Os animais foram desatrelados e um comerciante local emprestou uma corda para que os fiéis ajudassem a conduzir a berlinda. Desde então, o item se tornou parte fundamental da celebração e simboliza o elo entre Nossa Senhora de Nazaré e os devotos.


Com informações da Diretoria da Festa de Nazaré (DFN) / Fotos: Bruno Carachesti (Arquivo CTC)