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Quem vai administrar a riqueza da próxima geração? Baby boomers devem deixar trilhões aos herdeiros

A chamada "Grande Transferência de Riqueza" deve mudar não apenas o perfil dos consumidores, mas também a relação entre investidores e instituições financeiras. Os baby boomers (geração nascida entre 1946 e 1964) concentram um patrimônio estimado em US$ 93 trilhões (R$ 486,39 trilhões) e parte significativa desses recursos deverá passar para as gerações X (nascidos entre 1965 e 1980) e millennial (nascidos entre 1981 e 1996).

Segundo matéria publicada pela Forbes, cerca de US$ 36 trilhões (R$ 188,28 trilhões) poderão chegar às famílias dessas gerações após aposentadorias, dívidas, impostos e outras deduções, conforme dados da Visa. Desse total, aproximadamente US$ 28 trilhões (R$ 146,44 trilhões) devem permanecer poupados ou investidos, enquanto US$ 8 trilhões (R$ 41,84 trilhões) podem ser destinados ao consumo.

A Cerulli Associates projeta uma transferência ainda maior, de US$ 124 trilhões (R$ 648,52 trilhões) até 2048, considerando também recursos transferidos entre gerações mais velhas, cônjuges e instituições de caridade.

Parte da riqueza deve continuar investida

A transferência deve beneficiar setores como imóveis, viagens, automóveis e outros segmentos de consumo. A Visa, porém, estima que os gastos adicionais relacionados às heranças acrescentem apenas 0,1 ponto percentual por ano ao crescimento real do consumo até 2046.

Um dos motivos é o perfil de quem receberá os recursos. Segundo a Visa, quase três quartos dos beneficiários de heranças já possuem patrimônio familiar acima da mediana. Por isso, uma parcela relevante do dinheiro tende a continuar aplicada no mercado financeiro.

Esse cenário coloca os serviços financeiros no centro da disputa. O patrimônio pode continuar investido, mas mudar de instituição, de assessor ou de estratégia conforme passe para uma nova geração.

Uma transferência que já começou

A Grande Transferência de Riqueza não deve acontecer de uma só vez. O processo já está em andamento, com pais ajudando filhos na compra de imóveis, transferindo recursos ainda em vida e passando patrimônio primeiro aos cônjuges e, posteriormente, às novas gerações.

Para as instituições financeiras, isso significa que existe uma janela para construir relacionamento com os futuros herdeiros antes que a transferência seja concluída.

Se os US$ 28 trilhões (R$ 146,44 trilhões) estimados pela Visa permanecerem poupados ou investidos, bancos, corretoras, gestoras de ativos, assessores financeiros, plataformas de ETFs, empresas de mercados privados e fintechs terão um mercado de décadas pela frente.

Nesse cenário, a principal questão para o setor financeiro não é apenas quanto os herdeiros vão gastar, mas quem terá a confiança deles para administrar o patrimônio que receberão.