A relação da Geração Z com o álcool está mudando e já produz efeitos na indústria global de bebidas. Entre 2021 e 2025, o setor acumulou uma perda estimada de US$ 830 bilhões em valor de mercado, em meio à redução do consumo entre jovens e à ascensão de um estilo de vida mais associado à saúde, ao bem-estar e à atividade física.
Segundo dados do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), 46% dos brasileiros entre 18 e 24 anos não consomem bebidas alcoólicas, enquanto outros 20% bebem apenas uma vez por mês ou menos. Em levantamentos internacionais, 26% da Geração Z se declaram totalmente isentas do consumo de álcool. Estudos também apontam que o consumo de álcool entre jovens caiu mais de 25% na última década.
A mudança, no entanto, não significa o fim da socialização. A geração tem buscado outros ambientes e experiências para se relacionar, com maior presença em academias, corridas, aulas coletivas, eventos esportivos e atividades ao ar livre. Nesse cenário, o mercado de wellness também ganha espaço.
No Brasil, o mercado de academias movimenta entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões por ano. Já o mercado global de wellness pode atingir US$ 434 bilhões até 2028. Dados do setor indicam ainda que academias com foco em estilo de vida registram até 30% mais retenção de jovens.

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Impacto na indústria
A mudança de comportamento também afeta diretamente grandes fabricantes de cerveja, vinho e destilados. Segundo levantamento da Bloomberg, o índice que acompanha 50 empresas do setor caiu cerca de 46% desde o pico de 2021, acumulando perdas próximas a US$ 830 bilhões.
A redução do consumo pressiona principalmente segmentos premium e de conveniência e leva marcas tradicionais a repensarem seus portfólios. Bebidas sem álcool, produtos com menor teor alcoólico e opções com apelo funcional passam a ganhar espaço como alternativas para um público mais seletivo.
Para bares, restaurantes e eventos, a transformação também muda a experiência de consumo. Mocktails, tônicas artesanais, kombuchas, cafés especiais e refrigerantes premium aparecem como opções que permitem manter a socialização sem necessariamente incluir bebidas alcoólicas.
Apesar da queda, há sinais de reengajamento. Parte da Geração Z voltou a consumir álcool em eventos presenciais conforme a economia e a socialização se recuperaram. Ainda assim, o padrão permanece mais seletivo, com períodos de abstinência e consumo planejado.
