Em meio à maré alta da música paraense no cenário nacional, uma voz jovem e decidida vem se destacando rapidamente: Luê - estudiosa de música clássica e filha de uma das maiores expressões da música regional, Júnior Soares - decidiu assumir a frente do palco e o próprio timbre há pouco mais de dois anos. De lá pra cá, viajou, apresentou-se em palcos grandes e significativos, descobriu mais de si e do universo musical. Nas águas turbulentas do mercado fonográfico, Luê não busca a segurança do barco fechado. Ela surfa, livre de definições e sem medo do julgamento. O resultado disso é um primeiro disco versátil, que brinca com a música pop e o sotaque do regionalismo, sem se prender demais a nenhuma estética estabelecida, criando uma própria. Um disco que, no título, diz a que veio: está "A Fim de Onda", como a cantora.
Para o site da Revista Leal Moreira, Luê fala de carreira, aprendizados e sonhos, além do primeiro trabalho gravado. Confira:
Site da Revista Leal Moreira - Quem é Luê? Que imagem melhor te define?
Luê - Nossa, difícil falar de si mesmo né? Mas vamos lá: Sou uma cantora de 24 anos, brasileira e capricorniana. Estou em um momento de grande realização pessoal da minha vida, lançando o meu primeiro disco, vendo um sonho de tornando real. Não gosto da ideia de me definir em uma imagem, pois acho que torna tudo limitado. Acho que a minha alma prefere uma certa liberdade.. hoje posso parecer de um jeito e acreditar que isso ou aquilo é bom, mas depois posso mudar de ideia completamente.
S.R.L.M - Quando foi que você decidiu que faria música? Qual a influência do teu pai nessa decisão e como ele encarou a notícia?
Luê - Desde pequena a música foi algo que me interessou, quando meus pais perceberam isso, me matricularam no Conservatório Carlos Gomes, aos nove anos, para que eu pudesse iniciar e me aprofundar no estudo da música. Meus pais sempre me incentivaram a fazer aquilo que gosto e com a música não foi diferente. Então me formei em violino e posteriormente me veio à vontade de cantar. Meu pai tem adorado a ideia de ter uma filha cantora e acompanha de perto cada passo que dou na carreira. Acho que deve ser engraçado pra ele me ver trilhando um caminho parecido com o que ele escolheu. É muito bom tê-lo por perto, sempre.

S.R.L.M - Você estudou violino em conservatório por muito tempo, e depois decidiu adotar a rabeca - versão mais popular do instrumento, muito utilizada na marujada - na sua musicalidade. Embora a técnica não seja tão diferente, o conceito mudou. Como foi essa transição pra você, e por que você tomou essa decisão?
Luê - Desde criança eu me lembro de assistir os mestres da Marujada tocando rabeca, achava aquilo legal demais, então, a rabeca sempre foi um instrumento que instigou a minha curiosidade, acho que pela semelhança física com o violino, que eu tocava até então. Só passei a tocá-la realmente depois que comecei a cantar, quando percebi que a rabeca trazia para a minha música outra sonoridade, justamente por ser um instrumento mais rústico e com um tom mais grave que o violino, foi aí que minha paixão pelo instrumento aumentou e não parei mais de tocar.
S.R.L.M - Tocar rabeca tem algum "movimento" implícito aí? Já que a arte da luteria em Bragança é transmitida oralmente e as novas gerações não têm tanto interesse...
Luê - Na verdade não. A rabeca é uma paixão pessoal minha. Mas acredito mesmo que hoje em dia as novas gerações se interessem mais por outras coisas, do que por tocar rabeca, afinal, sofremos forte influência da modernidade, tecnologia, etc..é um processo que acaba sendo natural. Mas sei que existem pessoas muito preocupadas e engajadas na continuidade dessa tradição. Recentemente foi o criado, em Bragança, o projeto "Orquestra de rabecas", que procura incentivar e ensinar crianças e adolescentes a tocar o instrumento, mantendo acesa a tradição. E que assim seja por muitas e muitas gerações.
S.R.L.M - Como foi conviver desde a infância com a música clássica e com expressões culturais regionais, como o Arraial do Pavulagem? De que maneira isso influenciou o que você faz hoje? Quais são tuas principais inspirações na música?
Luê - Crescer com esses dois universos tão ricos, como a música clássica e toda a expressão cultural regional, fruto da influência do Arraial, me enriqueceu muito musicalmente. No disco eu pude colocar em prática, com a minha interpretação, aquilo que sempre ouvi, no que diz respeito aos ritmos e toda a musicalidade do Pará, proveniente do trabalho de pesquisa Arraial. Além disso, sempre fui muito atenta à melodias de musicas, aquelas que possuíam um tema marcante eram as que mais me chamavam a atenção, independente de serem super animadas ou mais intimistas, é aí que percebo que minha maneira de cantar sofre muita influencia da música clássica. Acredito que toda essa bagagem acabou refletindo no disco inevitavelmente, quem escutar o "A fim de Onda" de cara vai perceber a influência da sonoridade do Pará, mesclando com uma linguagem mais pop, fruto de outras influências que adquiri ao longo do tempo.

S.R.L.M - Sua carreira como cantora é bem recente. Nesse intervalo, você se apresentou em eventos grandes como o Terruá Pará e passou por várias cidades do país em turnê. Como é lidar com a velocidade desses acontecimentos?
Luê - Fico feliz demais. É engraçado porque eu tive dificuldade em assumir que eu realmente queria cantar, era muito tímida e não me achava capaz de estar à frente de um palco como cantora. O Terruá me ajudou muito nesse sentido, pois eu tinha pouquíssima experiência, e ao longo do tempo, com os shows que fizemos, acabei adquirindo mais segurança, o que me deixou bem mais a vontade nos palcos, sem contar que também me abriu muitas portas. Sou muito grata às pessoas que acreditaram em mim desde o começo, como o Ney Messias, o Miranda e a Cyz, que me convidaram para participar do projeto. Acho que as coisas não acontecem por acaso, e se estão acontecendo com certa velocidade, então esse é o tempo certo. Estou feliz demais e super aberta às oportunidades que podem surgir.
S.R.L.M - Teu disco está chegando agora e tem parcerias com Arnaldo Antunes e Felipe Cordeiro, por exemplo. Ao mesmo tempo em que tem músicas compostas por teu pai e Ronaldo Silva. O que determinou teu repertório?
Luê - Foi um processo natural. Antes de iniciarmos as gravações do disco eu já estava fazendo shows com frequência, então, eu quis gravar algumas músicas que já faziam parte do repertório, que é o caso de Nós Dois, Faróis, Sei lá e Cavalo Marinho. E assim foi, gravamos em Belém essas faixas. O Betão Aguiar, que produziu o disco, também me ajudou muito na escolha do repertório, foi ele quem me apresentou as músicas "Cabeça" do Peu Meurray e Leonardo Reis, dois artistas da Bahia, além de "Bom" e "Prática" ambas dos Cariocas André Carvalho e Quinho. E paralelamente ao processo de gravação eu comecei a compor, assim, também entraram no disco as músicas "Se Colar", parceria minha com Betão e Felipe Cordeiro e "A fim de Onda", também minha, do Betão e Arnaldo. "Onde Andará Você" é um grande clássico do Alípio Martins que acabou entrando no disco porque percebemos que tinha tudo a ver com a ideia e falava a mesma língua das outras músicas, nem pensei duas vezes. Adorei regravar Alípio, claro, com a minha interpretação.
S.R.L.M - Deve ser a pergunta mais clichê, mas quais são teus sonhos e em que altura desse percurso te encontras?
Luê - Nesse exato momento eu estou realizando um sonho antigo vendo o meu disco pronto. Precisei de coragem pra largar tudo e assumir que eu queria cantar, mas no dia em que eu fiz isso, o universo começou a conspirar a esse favor, acho que faltava esse impulso da minha parte mesmo. Então, esse momento que estou vivendo é de muita felicidade. Sonhos tenho muitos, mas não tenho pressa pois já me sinto no meio do caminho!
----------------
Para conhecer ouvir algumas músicas do novo CD, você pode acessar: https://soundcloud.com/luemusica

Comentários
Neal Adams
July 21, 2022 at 8:24 pmGeeza show off show off pick your nose and blow off the BBC lavatory a blinding shot cack spend a penny bugger all mate brolly.
ReplyJim Séchen
July 21, 2022 at 10:44 pmThe little rotter my good sir faff about Charles bamboozled I such a fibber tomfoolery at public school.
ReplyJustin Case
July 21, 2022 at 17:44 pmThe little rotter my good sir faff about Charles bamboozled I such a fibber tomfoolery at public school.
Reply