A moda atravessa uma transformação que vai além das tendências e das passarelas. A forma como as roupas são pensadas, produzidas e usadas também passa por uma revisão dos códigos tradicionalmente associados ao masculino e ao feminino. Nesse cenário, conceitos como moda agênero e moda de gênero fluido ganham espaço e ampliam as possibilidades de escolha e expressão por meio do vestir.
Mais do que uma evolução do conceito de “unissex”, essas propostas questionam a necessidade de definir uma peça a partir do gênero para o qual ela foi criada. A moda agênero, também chamada de genderless, busca reduzir ou eliminar esses marcadores na construção da roupa. Já a moda de gênero fluido permite transitar deliberadamente entre referências historicamente associadas aos universos masculino e feminino.
Agênero x Gênero fluido
Moda agênero
Apesar de muitas vezes serem tratados como sinônimos, os conceitos partem de propostas diferentes. Na moda agênero, a intenção é retirar, em maior ou menor medida, o gênero da construção da roupa. Isso significa que a criação pode partir do corpo, da matéria, do movimento, da proporção ou da função, sem necessariamente considerar as categorias tradicionais de masculino e feminino como ponto de partida.

Por isso, uma peça agênero não precisa seguir uma estética neutra. Ela pode ser minimalista, escultórica, extravagante ou sensual. O que muda é a maneira como o gênero deixa de ser um elemento obrigatório na definição do projeto.
Essa abordagem também aparece na modelagem, com sistemas de medidas mais flexíveis, tabelas baseadas em dimensões específicas do corpo e soluções de ajuste capazes de atender diferentes anatomias sem depender exclusivamente das classificações tradicionais.
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A questão, então, deixa de ser como adaptar uma roupa masculina ou feminina para outro público e passa a considerar a possibilidade de criar peças que não precisem ser definidas por essa oposição.
Moda de gênero fluido
Na moda de gênero fluido, a proposta é diferente. Em vez de diminuir a presença dos códigos de gênero, a ideia é permitir que eles sejam combinados, atravessados e ressignificados. Alfaiataria pode dividir espaço com transparências, ombros estruturados com saias, corselets com ternos, renda com gravata, seda com couro e plissados com casacos de corte masculino.

A fluidez, portanto, não elimina o repertório histórico da moda. Ela permite que diferentes referências convivam em um mesmo guarda-roupa e em uma mesma produção.
Enquanto a moda agênero busca reduzir o gênero como princípio de construção da roupa, a moda de gênero fluido amplia a liberdade para transitar entre diferentes códigos de vestir.
