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Além da beleza

“O mais importante não é fazer bonito, mas sim a mensagem que você quer passar.” A frase pontua bem a imagem que a paraense Kamilla Salgado, 23, quer transmitir ao mundo. Engajada em projetos sociais, a mulher mais bonita do país administra quatro lojas com a ajuda da mãe, faz um MBA (Master in Business Administration) em gestão empresarial e ainda concilia tudo isso com um relacionamento de quatro anos e meio. Cumprindo o reinado de miss, Kamilla Salgado quer usar sua visibilidade para ajudar ainda mais os projetos sociais dos quais faz parte. Ligada à família e principalmente à mãe, a jovem gosta de livros de suspense e músicas que a fazem dançar, foi bailarina na infância e esportista na adolescência, chegando a representar o Pará na seleção de basquete feminino. Além disso, fez natação por 10 anos por recomendação médica, por causa da asma.

Em uma entrevista descontraída, concedida em seu apartamento em Belém – um dia antes de se mudar para São Paulo –, Kamilla, na companhia de Lex Of York News, um maltês de dois anos, que não desgruda da dona, falou sobre o concurso, o amor pela família, a mudança para São Paulo, o carinho pela Praça Batista Campos, a dedicação ao projeto da Casa do Menino Jesus e a preparação para o concurso Miss Mundo, que acontece no dia 30 de outubro, na China.

Você é a primeira paraense a conquistar o título de Miss Mundo Brasil. Qual é a sensação de ter sido eleita a mulher mais bonita do país?
É uma honra. Eu me sinto muito feliz em levar o nome do Pará a uma visibilidade nacional em termos de mulher, beleza, simplicidade e conteúdo. É uma imagem que estou tentando passar o máximo que posso, pra dar às mulheres paraenses o que elas realmente merecem: o reconhecimento por serem independentes, por se esforçarem em conciliar a vida profissional e pessoal, por correrem atrás dos seus objetivos, por serem verdadeiras guerreiras.

Você está de mudança para São Paulo. Como vai ser ficar longe da família?
Essa é a parte mais difícil com certeza, porque eu nunca morei longe da minha família. Além do concurso na China, há uma agenda extensa para cumprir durante o ano inteiro e também os contratos fora do Brasil. Então, até outubro, como a preparação vai ser intensa, fica realmente difícil ver pai, mãe, namorado, irmãs. Mas depois do concurso, seja lá qual for o resultado, eu volto pra minha terra, se Deus quiser com o título, então terei tempo para ver todo mundo.

Do que vai sentir mais saudade de Belém?
Tirando a minha família, amigos e as pessoas que eu amo aqui, a culinária e a cultura. Em Belém, nós temos certas peculiaridades: a dança, a comida – que é fantástica –, o clima, o cheiro da cidade, a chuva da tarde, essa sensação de que tudo é perto. Eu vou sentir falta dessa cidade grande/pequena ao mesmo tempo. Você vai a uma festa ou a um barzinho e sempre encontra gente conhecida. Fora isso, os gostos do paraense, que são praticamente os mesmos, ou seja, você mistura um pouquinho de tudo: forró, brega, MPB, tudo em uma noite só. O acolhimento também é algo muito elogiado. Vou sentir falta do povo da minha terra.

Você vai morar em que local em São Paulo?
Vou morar no apartamento das misses. Ainda não sei como vai ser, mas parece que eu vou morar com a miss do ano passado. Eu vou a São Paulo só arrumar minhas coisas e na seguida sigo para o Rio Grande do Sul para uma maratona de entrevistas e homenagens. Depois vou direto para o Rio de Janeiro, onde vai ter um programa da Unidos da Tijuca, porque eu vou sair como destaque do Carnaval do ano que vem. Depois a gente volta pra São Paulo e aí eu irei para a Venezuela, onde terei 20 dias de maratona intensa.

Como será a preparação na Venezuela?
É preparação pra miss. Eles são especialistas no assunto. Na verdade quem vai me tratar é o “missólogo” mais famoso que existe: Alexander Gonzáles. Ele é muito bom e competente. Este ano, ele não vai tratar nem a Miss Mundo Venezuela, só a Miss Mundo Brasil. Então é uma equipe que está apostando todas as fichas em mim.

Eu percebo que você tem uma paixão por projetos sociais. Você já participava de algum antes ou teve a oportunidade de desenvolver esse lado por causa do concurso?
Antes do Miss Mundo Brasil, eu participei do “Natal dos amigos”. Eles arrecadam brinquedos e no dia do Natal doam para uma creche. Lembro que, em 2008, quando eu ainda era Rainha das Rainhas fui a uma creche entregar o presente para as crianças. Eu dei, pessoalmente, o presente de cada uma delas e foi um momento mágico pra mim. Às vezes, você ir a uma instituição de caridade abraçar, conversar, ouvir uma pessoa já é uma ajuda. Então, como miss, eu sei que tenho mais visibilidade e quero fazer disso uma causa boa, que realmente ajude quem precisa. Além do “Natal dos amigos”, participei de movimentos contra a violência e o trabalho escravo.



Você ganhou o “Beleza com Propósito” – uma etapa que soma pontos dentro do concurso Miss Mundo Brasil – e escolheu a Casa do Menino Jesus como instituição para receber a ajuda. Hoje, a Instituição passa por uma reforma com a colaboração da Leal Moreira. Como você se sente em relação ao projeto?
Pra mim foi Deus que colocou esse projeto na minha vida. Eu precisava entregar o relatório do “Beleza com Propósito” e pra isso visitei umas 15 instituições e fui atrás de vários patrocínios. Só que a maior parte delas não estava regularizada e comecei a ficar aflita. Em uma conversa com a minha mãe e a minha cunhada tocamos no nome da “Casa do Menino Jesus” e eu fui lá. Depois que entrei no local e comecei a conversar com a irmã Silvanice – que toma conta da instituição – eu tinha certeza que era aquele lugar que eu ia querer ajudar.

Por que você se sensibilizou mais com esse projeto?
Eu me emocionei muito com a questão apelativa da casa. São crianças com câncer, doenças cardíacas, nos rins. Conseguimos uma doação de 20 mil reais e uma semana depois o dinheiro já estava com a irmã Silvanice, que conseguiu adiantar bastante a obra de reforma da instituição e também vai comprar remédios para as crianças. A Casa do Menino Jesus é um projeto que quero levar para o Miss Mundo. É um projeto que eu quero levar adiante. Tenho outras coisas em mente para ajudar ainda mais e a minha coordenação também.

Falando em projetos, você recebeu duas bolsas de estudos como prêmio do concurso. Você já decidiu o que irá fazer?
Ainda não. Um dos prêmios é uma bolsa na Oswaldo Cruz, no valor de 100 mil reais e outro é uma pós-graduação na COC em São Paulo, que também é excelente. Então eles são úteis tanto para a minha carreira como artista – eu poderia fazer jornalismo com a graduação – quanto para a de administradora, onde eu poderia fazer uma graduação em economia, contabilidade ou psico-logia para atuar na minha área de executiva ou ainda um MBA em marketing, que também é uma área que me interessa bastante.

Alguma pessoa que admira?
A minha mãe. É uma excelente empreendedora. Uma pessoa que eu sempre admirei: esforçada, mãe, presente em todos os momentos. Ela é um espelho pra mim.

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