
Apaixonado por desenhar, Andrei Miralha manifesta seu amor por esta arte desde criança, motivo pelo qual escolheu Arquitetura e Urbanismo como curso superior. A graduação não o ajudou tanto - o que fez a diferença mesmo foi ter se dedicado pessoalmente ao universo mágico na ponta do lápis, e ainda ter encontrado pessoas que dividiam a mesma afeição pelos quadrinhos e atividades relacionadas. Ele conta que, embora seja produtor do gênero, acaba assumindo uma posição multitarefa – já que por aqui, pela capital amazônica, não existe tanta gente com experiência no ramo.
E para quem acha que animação é só para o público infantil está enganado: Andrei explica que existem inúmeras outras possibilidades de expressão no mundo inteiro. O site da Revista Leal Moreira leva você para conhecer um pouco da história do produtor e da animação contemporânea em Belém.
Você é produtor de cinema de animação. Como você diria que é sua relação com o gênero?
Assisto e promovo essa linguagem. Acordo e durmo pensando em animação (risos). Produzo, dirijo e animo, mas também faço desenhos conceituais, storyboard, animatic, cenários, composição da cena, edição etc. Quando não faço o roteiro, me envolvo na sua elaboração. Mas não foi só por gostar que me envolvi no processo como um todo. O fiz por necessidade mesmo, para que os filmes fossem realizados e que para que eu tivesse mais domínio sobre o processo - e até mesmo facilidade em refazer ou ajustar alguma cena que não estivesse me agradando. Na Fundação Curro Velho, faço o planejamento das atividades do Laboratório de Animação e também ministro oficinas. Em dezembro de 2013, promovemos a Mostra Pirilampo de Cinema de animação no Cine Olympia, com curtas produzidos pelos alunos da Fundação. Atualmente, os filmes desta mostra são exibidos nos intervalos da programação da TV Cultura do Pará. Recentemente criei, junto com os amigos Otoniel Oliveira e Petrônio Medeiros, o Estúdio Iluminuras - que pretende trabalhar com produção de conteúdo multimídia, principalmente séries de TV e internet, em animação 2D.
Quando você começou a se interessar por animação? Como foi seu caminho até começar a produzir?
Aos oito anos de idade, gostava de copiar desenhos do Maurício de Souza e Walt Disney; e, porque gostava de desenhar, entrei na faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Na adolescência, fiz parte de um grupo de quadrinhos chamado “Ponto de Fuga”, que realizava exposições e produzia um “fanzine”. Chegamos a ter uma gibiteca. Em 2001, fui indicado pela Fundação Curro Velho, onde ministrava oficinas de desenho, para participar de um workshop promovido por um festival de cinema em Belém. E a partir daí. iniciei minha trajetória com animação. Em 2003, surgiu o convite de um amigo para produzir um teaser promocional para um projeto de animação chamado “Águas e Vidas”. Esse teaser serviria para captação de recursos e realização do filme, mas ocorreram muitos problemas para efetuar esse trabalho. Nessa mesma época, o Cássio Tavernard – também produtor de animação - iniciava o projeto do curta “A Onda -Festa na Pororoca” e já havia me convidado para participar. Como o “Águas e Vidas” tinha empacado, algumas pessoas que estavam nesse projeto foram arrastados pela “Onda”; e assim produzimos o curta que inicia esse boom da animação no Pará. Em 2005, dirigi e produzi o curta “Admirimiriti”, que já participou de vários festivais e mostras em diferentes regiões do Estado, chegando até a França. E daí para frente, vieram muitos trabalhos na área.
Muitas pessoas pensam que o gênero animação está relacionado apenas com o mundo infantil. É assim mesmo que ele se manifesta?
Não podemos negar que a animação se popularizou, principalmente, em sua versão voltada para crianças. Por isso, é comumente associada ao mundo infantil. Atualmente, a grande indústria do cinema americano concebe filmes voltados para a família, de classificação livre. Mas, com certeza, a animação nos oferece muito mais e nos possibilita explorar os mais diversos temas, alcançar os mais diferentes públicos.

Quais as principais características da animação contemporânea?
Criatividade e expressão artística. Na animação tudo é possível - o sol pode derreter no horizonte; barcos podem se transformar em barracas de feira; pessoas podem ser levadas por cigarras. Um sonho pode se transformar em pássaros e cores, alçar voos inimagináveis... (imagens dos filmes "Pedaços de Pássaros" e "Muragens - Crônicas de um Muro")
No Pará, como você definiria o cenário da animação? E no Brasil?
Em Belém, temos uma produção incipiente, mas significativa. Nossos filmes fazem muito sucesso por onde passam; e já foram selecionados e premiados em festivais e mostras fora do Estado. Nosso caminho agora é de qualificar e expandir esse mercado profissional. O caminho para o crescimento dessa atividade é a produção de séries, pois nos permite contratar profissionais para dedicação exclusiva na atividade. Hoje temos algumas propostas de séries de animação que estão sendo gestadas, como " As Icamiabas", do Estúdio Iluminuras - idealizado pelo Otoniel Oliveira, meu sócio e parceiro de muitos projetos; "A Turma da Pororoca" do amigo Cássio Tavernard; além de outras. Estamos nos organizando melhor e formalizando como empresa, para poder captar maiores recursos, como o do Fundo Setorial do Audiovisual, que viabilizem essas séries. No Brasil, o mercado vem se ampliando cada vez mais nos últimos anos - com o sucesso de séries brasileiras como “Peixonauta”, “Meu Amigãozão”, “Historietas Assombradas” e “Tromba Trem”. Por isso, muitos estúdios seguem no mesmo objetivo de produzir séries de animação. Há também uma grande preocupação em qualificar mais profissionais para atender a essa demanda nacional.
Você já trabalhou em quais produções? Pode falar um pouco delas?
Em 2003, fui animador do curta “A Onda-Festa na Pororoca” do Cássio Tavernard. Em 2005, dirigi e produzi o curta “Admirimiriti”. Em 2009, dirigi e produzi o “Muragens - Crônicas de um Muro”, co-dirigido pelo Marcílio Costa, que foi o primeiro curta paraense na Mostra Competitiva do Anima Mundi em 2009. Ele participou do Festival Monstra (Portugal) e do Animasivo (México); em 2010, ganhou o prêmio de Melhor Animação no FestCine Amazônia (Rondônia) e o prêmio de Melhor Curta-metragem de Ficção no Festival Noites com Sol (Pará). Em 2012, foi a vez do curta “Nossa Senhora dos Miritis”, prêmio do edital do Ministério da Cultura, que também competiu no Anima Mundi 2012, participou do Anima Mundi Itinerante 2012 e este ano está no Festival Internacional do Cinema Infantil. Em 2011, com o patrocínio do Banco da Amazônia, lançamos o DVD Miritis - que contém os curtas “Admirimiriti”, “Nossa Senhora dos Miritis” e o documentário “Miriti-Miri”. Em 2011, trabalhei como animador do curta "Quem Vai Levar Mariazinha pra Passear?" do André Mardock, inspirado na peça de teatro homônima da Ester Sá e Maurício Franco. Essa adaptação foi feita com animação de recortes e cenas filmadas com atores, por meio do edital Curta Criança do MInc. Em 2012, animei e dirigi, em parcería com o Marcílio Costa, a microssérie de interprogramas "Para Ver Poesia", pelo edital Culturanimação da Funtelpa/IAP, exibido na TV Cultura do Pará e selecionado para o Anima Mundi 2014 na Mostra Competitiva Infantil. Atualmente, estou concluindo o curta "Pedaços de Pássaros", também com o Marcílio, que segue uma narrativa mais poética e experimental, selecionado no edital de curta metragem do Minc.

Hoje, no mundo, quem mais produz animação?
Não sei te dizer quem mais produz ou o mais expressivo, mas sei que existem grandes referências mundiais de animação - como as americanas, japonesas e francesas. Os EUA foram os principais responsáveis pela popularização das séries pra TV, que ganharam o mundo desde a década de 50 e se destacam no cinema, principalmente os com filmes em computação gráfica 3D. Os japoneses têm muita influência mundial devido à grande quantidade e variedade de seus Animes (termo para desenho animado japonês). Eles encantam a juventude no mundo todo, com destaque no cinema para as produções de Hayao Miyazaki, autor de "A Viagem de Chihiro", do Estúdio Ghibli. Os franceses se destacam pela qualidade artística de suas produções, tendo escolas que são referência no ramo, como a Gobelins. Além disso, realizam o festival de Annecy, maior evento de animação do mundo. Não posso deixar de citar o National Film Board do Canadá - estúdio e escola de animação responsável por belas produções de caráter mais experimental e conceitual.
O que é preciso saber para ver uma animação de uma perspectiva mais crítica?
É necessário ter sensibilidade artística e olhar crítico. É preciso fazer uma leitura do filme, perceber seu discurso e adequação da proposta narrativa e visual. Mas acima de tudo, é preciso ter visto muitos filmes.
Quem quer conhecer melhor o universo da animação deve procurar quais obras e diretores?
Deve procurar as produções da National Film Board, do estúdio Ghibli, da Gobelins e Aardman. Assista os curtas “El Empleo”, “Winds”, “La Maison en Petits Cubes”, “Adam and Dog”, “L'ondee”(Rains), “Dripped” e “Muto”. É preciso conhecer também as criativas animações do argentino Juan Pablo Zaramella e o belo trabalho do brasileiro Alê Abreu. Assisto muitos curtas em sites como o Vimeo.com, lá sempre descubro diversas produções incríveis, recomendo.
O que é preciso para ser um fiel apreciador de animação? Qual o caminho?
Essa é fácil: assista muita animação!
E quem gostaria de se aprofundar nesse tema, o que deve fazer?
Quem quer conhecer e experimentar o processo de criação e produção de um filme de animação pode passar no Laboratório de Animação da Fundação Curro Velho. Lá tem oficinas de roteiro, storyboard, desenho de personagem, desenho animado, stop motion, dublagem de personagens e muito mais. Dá para acompanhar a a Fundação Curro Velho no Facebook e ficar por dentro da programação mensal.

Contatos: animalabfcv@gmail.com ou no telefone (91) 3184-9115

Comentários
Neal Adams
July 21, 2022 at 8:24 pmGeeza show off show off pick your nose and blow off the BBC lavatory a blinding shot cack spend a penny bugger all mate brolly.
ReplyJim Séchen
July 21, 2022 at 10:44 pmThe little rotter my good sir faff about Charles bamboozled I such a fibber tomfoolery at public school.
ReplyJustin Case
July 21, 2022 at 17:44 pmThe little rotter my good sir faff about Charles bamboozled I such a fibber tomfoolery at public school.
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