O Brasil e o mundo estão descobrindo uma Belém do Pará que une a natureza da Amazônia com uma criatividade que resulta da vida no ambiente amazônico cada vez mais conectado com o mundo. É açaí; são os peixes do encontro da bacia amazônica com o Oceano Atlântico; é a música nascida do balanço de um balaio alucinante de influências, são vozes, folhas, amêndoas, batidas sonoras e de frutas.
É outra Belém do Pará que ganha um espaço cada vez maior na mídia e na moda. Não é mais só aquele clichê da cidade com jacaré que passeia pela rua, cidade de chuva, mangueiras e muito calor. É isso e muito mais. As feras de Belém que encantam o mundo não são jacarés, mas arranjadores de música, compositores de canção popular, chefs de cozinha, cantoras e cantores com outra estética, quituteiras, criativos e criativas que se inventam e se reinventam a partir da superação, da irreverência e de muita transpiração.
É inegável que essa onda Belém é muito positiva e faz bem para a auto-estima, principalmente de uma massa que sempre esteve excluída dos nobres salões da dita alta sociedade local. Mas é preciso agir para que tudo isso não fique apenas na visibilidade e se transforme logo em um movimento econômico duradouro, baseado no turismo profissionalizado e num agitado mercado cultural.
O governo do estado do Pará, a prefeitura de Belém e de todas as cidades da região metropolitana da capital paraense e a iniciativa privada precisam agir com inteligência empreendedora para que o paulista ou gaúcho, que ficam fascinados com uma matéria na revista nacional sobre os ingredientes da culinária paraense, possam vir para Belém participar de um grande festival de gastronomia e, nos três ou quatro dias que passarem aqui, terem contato com a história, com a dança, tenham opções de hotel, de voo, de passeios, de experiências únicas.
Belém do Pará precisa aproveitar essa promoção para virar produto. Ser a Belém da Festa do Açai, como Caxias do Sul é da Festa da Uva. Ser a Belém do Festival Mundial da Cultura Brega, como o Festival de Sundance nos Estado Unidos é do cinema independente. Ser a Belém de uma grande Feira da Gastronomia Amazônica, como Parati, no Rio de Janeiro, é da Feira Literária Internacional. Criar um grande calendário, inclusive definindo claramente como trabalhar o Círio de Nazaré, ora como um grande evento do calendário religioso mundial, ora como festival de cultura, ou como as duas coisas ao mesmo tempo.
Falar de turismo em Belém e no Pará é falar naqueles consensos amplos, em que ninguém duvida da importância e da necessidade, mas quase ninguém planta sementes para que essa indústria possa dar frutos já que, nesse negócio, nada acontece sem políticas de médio e longo prazo. Porque turismo ainda é muito encarado como atividade acessória ou eletiva, quase como algo que é a mais importante das coisas sem importância.
Turismo em qualquer lugar e principalmente numa cidade como Belém é, talvez, o tema mais transversal numa gestão pública. Envolve desde o saneamento, o urbanismo, a educação, obras estruturais, cultura, comunicação social, todas as áreas da administração. É a única saída industrial realmente sustentável num município encravado bem na porta da Amazônia.
Uma iniciativa valiosa para Belém e para o Pará seria criar uma secretaria de marketing, ou algo do gênero, para trabalhar nossa marca e nossos produtos nos mercados regional, nacional e mundial. Uma área de governo composta por gente de Belém, do Rio, de Tókio, de Paris; pessoas com olhar competitivo e saber desprendido, definindo que são mnossos concorrentes no planeta, que tipo de concorrentes, que tipo de público buscar, que produto oferecer a cada grupo visado. E ajudando a aperfeiçoar nosso produto em todos os aspectos. É preciso trabalhar com cada vez mais profissionalismo e menos ufanismo.
Belém não é melhor nem pior que Manaus, que Salvador, Miami, Barcelona ou Nova Delhi. Belém é Belém. Carimbó é carimbo e rock é rock. E a cabocla não é a tal. E precisa trabalhar isso. Até nossas grandes fragilidades, como por exemplo, o grande percentual de esgoto a céu aberto, podem virar um destino humanitário. Assim como jovensricos e solidários vão para a África, poderiam vir pra Belém ajudar a preservar uma espécie amazônica pouco lembrada no discurso ambientalista politicamente correto: o ser humano das grandes cidades da Amazônia.
A verdade é que essa onda criativa que está fazendo Belém do Pará encantar o mundo também precisa contagiar outros setores da vida local. Romper com essa vergonha de ser ribeirinho amazônico, diminuir essa vontade desgraçada de ser carioca ou de Miami. É preciso ter senso de oportunidade, inspirar-se nessa mistura que une tecnologia com periferia e cria o tecnobrega, aproveitar para colocar as coisas para funcionar de outro jeito, fazer acontecer a partir do nosso caos. Temos que nos valer dessa inventividade suburbana, dessa energia original, dessa desinibição, para gerar benefícios que entrem no cotidiano dos que vivem aqui.
Se a gente não ampliar o olhar além da frequência de mídia, logo ela, voraz - como é - cansa da gente e vai atrás de outro tipo de exotismo. E poderemos ser, em breve, novamente apenas o bom e velho calhambeque da saudade.

Comentários
Neal Adams
July 21, 2022 at 8:24 pmGeeza show off show off pick your nose and blow off the BBC lavatory a blinding shot cack spend a penny bugger all mate brolly.
ReplyJim Séchen
July 21, 2022 at 10:44 pmThe little rotter my good sir faff about Charles bamboozled I such a fibber tomfoolery at public school.
ReplyJustin Case
July 21, 2022 at 17:44 pmThe little rotter my good sir faff about Charles bamboozled I such a fibber tomfoolery at public school.
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