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Brilho oriental no ocidente
 
O Boxe Tailandês ganhou popularidade em diversos países, incluindo o Brasil [veja matéria na página 28]. Muito antes desse movimento, um atleta brasileiro [nascido no Pará] conseguiu brilhar na terra natal do esporte. Veloz e preciso como uma cobra Naja – símbolo do esporte – o ocidental Jos Mendonça tem dado muito que falar: ele é detentor do cinturão de Rajadamoen Stadium, um dos títulos mais cobiçados dentro da modalidade. O brasileiro foi iniciado aos oito anos de idade no karatê e teve a oportunidade de aprender as demais artes: tae-kwon-do, boxe, wrestling, jiu jitsu e MMA. A paixão de Jos pelos esportes orientais nasceu quando, aos 18 anos, teve o primeiro contato com o Muay Thai, que pratica até hoje, aos 28 anos. Há cinco anos morando na 
 
 
Tailândia, o lutador nos conta um pouco das suas dificuldades, superações e aprendizados.
 
Jos explica a escolha por essa arte marcial e não pelas restantes. “Os eventos de lutas no Japão (Pride FC e K-1) estavam em alta no mundo todo e havia um lutador que me chamava muita atenção, o Buakaw, lutador de Muay Thai. Na época eu estava lutando no K-1 e fiquei impressionado com o que ele apresentava de técnica e de força. Foi então que tive a certeza que queria vir para Tailândia aprender e ser profissional da arte”. Jos esmiúça ainda a diferença técnica que sentiu em sua chegada. “Quando cheguei aqui em Bangkok, percebi que realmente não sabia nada de profundo. Nem mesmo o tal lutador que tanto idolatrava era considerado um dos melhores. Havia muitos do mesmo nível e outros mais ainda consideravelmente melhores”. Mas a dificuldade não o desmotivou: “Pelo contrário, isso tudo serviu de motivação para permanecer e entrar de vez nesse mundo. Aqui (Tailândia) ainda estamos à frente de muitos outros países pela tradição e seriedade de treinos”, declara.
 
 
Ao ser questionado sobre o possível preconceito vivido, o lutador diz que “os mestres e lutadores veem os estrangeiros, de um modo geral, como limitados tecnicamente e sem experiência de ringue. O que, no meu ponto de vista, é verdade, pois a grande maioria dos estrangeiros que se diz ‘lutadores de muay thai’ realmente está em um nível muito baixo, em comparação aos grandes lutadores daqui. Mas isso não me fez sofrer humilhação ou coisa do tipo. Conquistei meu espaço e respeito dos meus pares”. 
 
Incansável no intuito em vencer, Jos relata que os desafios geram aprendizados que fazem querer permanecer e conquistar ainda mais, mesmo diante dos obstáculos físicos e emocionais: “Minha maior dificuldade são as lesões e encarar os treinos diários. Contudo, que o que dói mesmo é ficar longe da família, que me dá suporte inclusive financeiramente”. Ele, por fim, fala sobre o maior desafio para um atleta brasileiro: patrocínio e/ou investimentos governamentais. “Nunca recebi nenhum tipo de patrocínio. Minha bolsa para lutar vem melhorando e meus familiares me ajudam. Aqui na Tailândia dá para sobreviver com o dinheiro das lutas depois de um tempo e também ganhamos com a venda de material, seminário, aulas etc. No mais, nada nos é oferecido”, relata.
 
Diante da determinação e foco exigidos pelo esporte e oferecidos espontaneamente pelo vencedor brasileiro, era de se esperar que Jos colecionasse títulos acumulados ao longo da exitosa trajetória: “Meus dois últimos títulos são recentes, todos deste ano. O primeiro foi a defesa do meu cinturão e meu terceiro título mundial, conquistado em julho”, expõe. Porém apenas um está fora do seu alcance - apenas os tailandeses podem competir - o de Campeão Tailandês. O céu é o limite para o jovem campeão - o ringue, não. 
 
Títulos do Campeão
 
• Campeão Interino 147lbs WPMF (WORLD PROFESSIONAL MUAY THAI FEDERATION) em janeiro de 2011;
• Campeão 154lbs WPMF (WORLD PROFESSIONAL MUAY THAI FEDERATION) em dezembro de 2011; 
• Campeão do RAJADAMOEN STADIUM , Welter weight  147lbs, em 4 de julho de 2013;
• Campeão WPMF 160lbs (WORLD PROFESSIONAL MUAY THAI FEDERATION) em 28 de julho de 2014
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