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Camila Honda

Balé, teclado, canto, desenho, fotografias são só algumas das expressões artísticas que fazem parte da história de Camila Honda. Segundo a cantora, tudo que gira ao redor da cultura paraense que tem seu papel e sua função nas suas composições, “embora não tenha convivido na infância com músicas regionais, a musicalidade da região tem íntima influencia em sua produção”.


Ela, que é formada em Arquitetura e gosta mesmo é de viver a arte em suas mais diversas formas, conta para o site da Revista Leal Moreira o que vai em seu coração e o que podemos esperar de seu primeiro trabalho musical que deve ser lançado ainda no primeiro semestre de 2014.

Quem é a Camila Honda e oque quer mostrar para o mundo com sua música?
Eu sou uma artista, desde criança eu fui bailarina, fiz Arquitetura e mestrado em “Criação Artística Contemporânea” – um mestrado prático – e comecei a experimentar algumas coisas de música, teatro musical. No mestrado que eu fiz em Portugal existia uma cadeira de teatro musical, foi quando eu comecei a encarar a musica profissionalmente. Participei de um musical lá e tive vontade de começar um trabalho meu, solo como cantora.

Como foi sua formação artística, quando começou?
Eu fui bailarina e durante o curso de Arquitetura comecei a fazer aula de canto. Já havia estudado um pouco de teclado quando criança e comecei a aprender canto, com a  professora Mariane Lima, com quem tenho aulas até hoje. Eu comecei a cantar porque era muito tímida. Foi uma distração que eu arranjei, era um hobby.

Como você, já com um histórico artístico de anos de Balé, aula de teclado, canto, descobriu-se cantora?
Nunca pensei quero ser “isso” ou “aquilo”. Penso que sou uma artista e agora estou cantando, mas amanhã eu posso estar pintando e ano que vem fazendo outra coisa, sabe? Então, não é como se eu tivesse decidido: “agora eu vou ser cantora, vai ser esse o rumo da minha vida!”, não foi assim. Estou feliz cantando e investi profissionalmente nisso, mas não desprezei as outras artes. Já fui designer de joias também, por exemplo. Não dá tempo de ser tudo ao mesmo tempo, mas eu não escolhi ser algo e esqueci as outras coisas. Ano que vem, por exemplo, eu posso lançar uma coleção de joias e vai ser muito legal.

Você tem um gosto musical bem variado, como isso se reflete na sua música?
Tudo que a gente escuta acaba nos influenciando de alguma maneira. O lugar onde vivemos, as coisas que ouvimos, e comigo não é diferente. Quando criança, na casa dos meus pais, eu escutava muito MPB e pop americano, inglês... E assim minhas referências musicais foram se moldando. Meus maiores ídolos são os que eu ouvia na casa dos meus pais: Marisa Monte, Beatles; e por mais que eu não use de forma consciente, eles sempre estão guardados no meu subconsciente.

E no Pará, quais as suas influências?
Eu sempre morei aqui, então o Pará está sempre presente de alguma maneira. É minha maior referência de lugar, mas a música daqui eu fui encontrar depois de adulta. Aproximei-me do Felipe Cordeiro, que é músico da minha geração. Gostei muito do trabalho dele e depois fui participando de outros eventos que me deram a oportunidade de conhecer outros artistas paraenses.

Quando você começou a perceber que estava se destacando no cenário local?
Em 2012 eu decidi começar meu trabalho solo como cantora e o Felipe começou a produzir o projeto comigo, desde a primeira demo que gravamos. E desde aí as coisas começaram a acontecer. Neste mesmo ano passei no edital da Natura Musical, fui para festivais. As coisas aconteceram muito rápido, de 2012 para cá. Foi aí que eu realmente comecei.

Como o Pará se revela na sua expressão musical?
Eu acabei tendo como referência muito forte o Felipe, o trabalho dele. Convivi muito com ele e o admiro bastante como artista - já que desde muito novo tinha as próprias composições e encarava tudo muito profissionalmente -, convivi também com o pai dele, o Manuel; eles se tornaram minhas maiores referências regionais.  A partir deles eu fui conhecendo outras pessoas deste universo musical. E Belém é o lugar onde eu vivo e dialogo minha vida toda, minhas raízes e naturalmente isso está na minha música, mas não é algo proposital. Nunca escutei música paraense quando morava com meus pais, mas eu vivo aqui, tenho muita vivência daqui. Os ritmos paraenses fazem parte disso porque existem no mesmo lugar que eu.

Você tem uma voz delicada, suave, sua personalidade também é assim?
Acho um bocado difícil ser diferente, separar as coisas. Talvez os atores saibam mais fazer isso que os músicos, porque o músico quando está no palco ele continua sendo ele. A Rita Lee talvez seja uma personagem, mas acho raros esses casos... Então o que eu faço tem a ver com a maneira como me sinto, mesmo. Sou calma às vezes, na maioria do tempo. Mas não sou passiva.

E de onde vem essa calma?
Alguém me disse uma vez algo muito importante: leveza. É uma coisa que eu busco para mim. É como eu gosto de viver, é o que eu almejo.



O que inspirou você na composição do seu primeiro CD que será lançado logo?
 A minha vida pessoal me inspira muito a compor e acabam acontecendo outras coisas, também, alguém manda uma letra, uma melodia e aquilo te remete a alguma coisa da tua vida pessoal, ou não... mas comigo, geralmente,  tem muito a ver com a minha vida pessoal. Tudo pode acontecer, essa é a minha maneira.

Quando você está cantando suas performances retratam bastante relaxamento, de onde vem isso?
Eu não sei, nunca tinha pensado nisso, a música e o ambiente acabam me conduzindo, mas é sempre uma experiência diferente.

E o nervosismo, ainda acontece muito?
Sim, recentemente fiquei nervosíssima porque fui cantar um repertório da Nara Leão e me emocionei muito. Mas, também, me apresentei no Theatro da Paz, em uma abertura de uma cantora francesa e fiquei super tranquila; são situações e situações. O contato com o público me influencia muito, sou muito sensível a isso, se as pessoas estão mais próximas ou mais distantes... Eu não consigo ter muito distanciamento até do que estou cantando.



Você já cantou alguns bregas de Wanderley Andrade, Reginaldo Rossi; Como você vê a questão do “brega”, faz parte do seu estilo?
Brega tem a ver com um universo específico e apesar de cantar – eu adoro cantar brega – eu não faço parte deste universo, embora seja uma referência para mim. Para mim não tem nada de negativo no brega. Gosto muito de ouvir, são músicas que tocam as pessoas mais facilmente, com letras muito fáceis mesmo de pegar as pessoas e eu gosto muito.

O que vamos encontrar neste seu primeiro CD que será lançado ainda este semestre?
É um trabalho simples, delicado e muito verdadeiro. Músicas sem muitos artifícios, um disco que tem cara de uma banda tocando junto no estúdio. Muitas músicas sem metrônomo, muitas gravações de um “take” só, poucas interferência de edição, mesmo na voz, é um disco sincero.

Este CD tem alguma temática específica?
Ele fala de amor, não tem jeito, é o tema mais clichê de todos os tempos, mas é sempre isso.

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