Driblar o sedentarismo, contornar o stress, garantir qualidade de vida. Talvez por conta das várias vantagens oferecidas ao praticante, pedalar é uma das atividades que vêm crescendo exponencialmente nos últimos tempos. Mais que esporte: em tempo de discussões sobre sustentabilidade e valorização do meio-ambiente, o ciclismo vem sendo defendido inclusive por ONGs representativas no mundo todo e promovido por eventos igualmente grandiosos.
Belém não ficou de fora desse universo: o ciclismo urbano – como pode ser chamada a prática de fazer trilhas em grupo pela cidade – já faz parte do cotidiano de alguns paraenses. Eles estão em busca não só de uma forma de recreação, mas também de aproveitar os benefícios para saúde que a prática proporciona – ou mesmo de adotar um estilo de vida mais consciente, em relação ao seu corpo e ao lugar onde vive.
Em busca de reunir pessoas com o interesse comum de fazer essas excursões citadinas sobre rodas – e ainda de compartilhar informações sobre o esporte -, Cid Kamijo e alguns amigos decidiram criar um canal de comunicação com os interessados na atividade. O grupo chama-se “Bike Belém” e, atualmente, conta com 1.318 membros em sua comunidade virtual no Facebook. Conversamos com o idealizador desse projeto em franco crescimento. Confira o papo a seguir:
Site da Revista Leal Moreira - De onde veio a ideia de criar o grupo?
Cid Kamijo - O grupo Bike Belém foi criado em meados de 2011, com o intuito bem restrito de informar de forma rápida e eficaz sobre passeios os amigos que pedalavam pela cidade e tinham medo de fazer sozinhos – por questão de segurança ou porque era mais divertido andar em grupo. A princípio, esse era o foco. No entanto, fomos descobrindo que tínhamos mais “amigos” que o esperado, e a coisa toda foi ganhando uma nova roupagem, nova administração, novos objetivos etc.
SRLM - Como começou o grupo?
Cid Kamijo - Os membros do grupo já andavam de forma recreativa no Parque Ambiental do UTINGA, em pequenos trechos urbanos e trilhas de aventura, mas sempre em pequenos grupos familiares ou pequenos círculos de amizade. Então o que foi feito foi organizar a agenda, para que a informação fluísse de maneira mais rápida entre todos. Assim, escolhemos o Facebook como ferramenta, aproveitando o boom das redes sociais.
SRLM - Quais são as diretrizes e regras do grupo?
Cid Kamijo - Não temos diretrizes muito rígidas ou bem definidas por sermos um grupo focado no ciclista amador, casual ou entusiasta – apesar de termos profissionais entre nós. Mas, como orientações, temos finalidades e restrições. O Bike Belém tem como finalidades: informar sobre passeios e eventos de bicicleta; organizar eventos ciclísticos em Belém; tratar somente de assuntos relacionados a bicicleta (indicações, venda, troca, legislação, direção defensiva, transporte das bikes nos modais aéreo, rodoviário e náutico,etc.)... Quanto às restrições no grupo de discussão, não toleramos: desrespeito aos usuários, bem como aos administradores; palavrões e insultos; assuntos não relacionados a bicicletas; conflitos entre grupos de ciclistas; publicações político-partidárias; correntes, solicitações de ajuda para angariar fundos para instituições e outras coisas do gênero. Assim vamos levando, evitando ao máximo ter uma postura partidária, convicções religiosas e outras fontes de divergências e conflitos que possam surgir. Nosso foco é a bicicleta e os vários benefícios oferecidos pela prática do ciclismo.
SRLM - Vocês marcam eventos, passeios...? Como funciona esse processo?
Cid Kamijo - Temos passeios oficiais todos os dias da semana, exceto aos domingos – quando formamos pequenos grupos para trajeto de estrada – Benevides, Mosqueiro, Castanhal, Barcarena, Santo Antônio do Tauá, Salinas e outros. Normalmente, é feita uma publicação no grupo informando o local de concentração, horário, nível do passeio, quem é o guia e outras informações referentes à segurança e comportamento.
SRLM - Quantas pessoas em média participam ativamente do grupo, passeios etc.?
Cid Kamijo - Fizemos um levantamento durante um mês, para termos uma base de frequentadores nos passeios. Obtivemos como resultados em média, entre os iniciantes, o seguinte: segunda-feira, 60 a 80 ciclistas; terça-feira, 70 a 100 ciclistas; quarta-feira, 120 a 150 ciclistas; sábado, 50 a 80 ciclistas. Os dados da sexta ainda não foram levantados, porque há pouco tempo de atividade nesse dia. Já às quintas-feiras, no passeio de praticantes intermediários, a média é de 70 a 100 ciclistas.
SRLM - Esses grupos de ciclistas já existiam no Brasil. como foi a aceitação em Belém?
Cid Kamijo - Em Belém, as coisas andam sempre um pouco mais devagar ou se vão rápido demais – viram apenas “modinha” e somem. No entanto, a prática do ciclismo está mostrando que veio para ficar. A cidade é quase toda plana e facilita o trajeto, apesar do clima desfavorável. Mas esbarramos em problemas sérios que desestimulam os futuros adeptos: a péssima condição de conservação de ciclovias, cheias de lixo, areia e outros obstáculos; o desrespeito dos motoristas em relação a ciclo-faixa, estacionando em cima das mesmas... E isso quando temos o que reclamar, pois muitas vezes não temos sequer o espaço reservado para o ciclista, obrigando o mesmo a “correr o risco” de pleitear um direito resguardado por lei, que é o de compartilhar via. Em resumo, aceitação 100%, mas o respeito das autoridades por nossa opção de transporte limpo e divertido é de 1%.
SRLM – Vocês seguem algum tipo de filosofia?
Cid Kamijo - Sempre pensamos em como responder uma pergunta assim, por não termos nada escrito sobre a matéria. Então, convido todos a participar de um passeio, para ter essa experiência na pele. Pode ir sozinho e verá que será recebido por um estranho; pode ter problemas e será assistido por um estranho; pode ficar inseguro e será protegido por um estranho; pode ficar com sede e essa será saciada por um estranho... Enfim, a filosofia do grupo é ser cada vez mais “ciclista”: um ser “estranho” com roupas “estranhas” e atitudes belas. Posso citar cenas incríveis que já ocorreram em trajetos fora de passeio, algumas vezes com minha participação. Talvez assim, poderemos chegar a um conceito mais próximo: certa vez, na Av. Papa João Paulo II, uma cadeirante não conseguia a atenção dos veículos para a travessia da via. Estava longe do sinal e possivelmente sem ninguém para auxiliar. Assim que observamos, formamos um cordão de isolamento, solicitamos parada aos veículos, escoltamos a cadeirante até o outro lado e cordialmente agradecemos a gentileza dos motoristas. Outro fato: passeando pelo Parque Ambiental do Utinga, nos deparamos com um senhor em bicicleta cargueira e com a corrente arrebentada. Ele estava distante de casa e levando sobras da CEASA. Assim, nos reunimos e fizemos de tudo para consertar a corrente... Não deu. Como estávamos nos divertindo e ele levando o alimento para casa, decidimos tirar uma de nossas correntes e adaptamos a bicicleta do mesmo, que foi para casa. Ainda ligamos para a família dele, para avisar de seu atraso. Voltamos empurrando a bicicleta do companheiro que doou a corrente por 4 km. Filosofia?
SRLM – Quais os lugares escolhidos, onde vocês realizam os passeios?
Cid Kamijo - Os passeios iniciantes se resumem aos pontos turísticos, como Portal da Amazônia, Praça Batista Campos, Casa das 11 Janelas, Hangar e outros. Já os passeios de nível intermediário circulam sempre em áreas mais distantes, mas – por medida de segurança – não podem ser informados. São decididos na hora do passeio.
SRLM - Vocês tem apoio de alguém?
Cid Kamijo - Em relação às autoridades, zero. E evitamos [vínculo com] iniciativa privada. Mas fazemos nossa própria estrutura: o grupo procura sempre andar com rádios comunicadores, guias que abrem o passeio e outros que o fecham, não deixando ninguém pra trás... Em alguns casos, contratamos carro de apoio. Temos uma verba oriunda de venda de acessórios, camisas do grupo etc. Somos independentes financeiramente.
SRLM - Existe algum projeto de competição, treinamento de atletas, coisas do tipo? Se sim, tem algum título?
Cid Kamijo - Temos vários competidores no grupo, mas nosso foco não é voltado para o profissionalismo, e sim para o surgimento de novos ciclistas – que, por sua vez, optam ou não em se profissionalizar.
SRLM - Como vocês se comunicam? Só pelo grupo ou em reuniões presenciais?
Cid Kamijo – O grupo reúne mais de 1300 membros, então as reuniões ocorrem sobretudo nos passeios. Também temos confraternização de fim de ano, onde fazemos sorteios e nos reunimos sem capacetes e bikes, para nos divertirmos.
SRLM - Fazem parte de alguma organização nacional ou internacional de grupos de bike?
Cid Kamijo - Não, o grupo é regional, sem vínculos ou associações com grupos de outros locais.
SRLM - Como as pessoas podem encontrar vocês? Como elas podem entrar no grupo?
Cid Kamijo - Em breve teremos um blog e um site, mas no momento o contato é feito apenas pelo Facebook, no endereço www.facebook.com/groups/bikebelem. Todos são aceitos no grupo. Não há cadastro, seleção ou coisas do gênero.
SRLM - Algum projeto futuro?
Cid Kamijo - Sim, vários. Um deles é ter uma sede onde possamos articular mais estratégias, formar uma espécie de centro, onde possamos ministrar cursos sobre o comportamento do ciclista no trânsito, os benefícios da atividade física, mecânica básica e avançada, legislação, ações coletivas a favor de melhorias etc. Mas, por sermos um grupo independente, esbarramos na questão de recursos.

Conheça o grupo aqui.

Comentários
Neal Adams
July 21, 2022 at 8:24 pmGeeza show off show off pick your nose and blow off the BBC lavatory a blinding shot cack spend a penny bugger all mate brolly.
ReplyJim Séchen
July 21, 2022 at 10:44 pmThe little rotter my good sir faff about Charles bamboozled I such a fibber tomfoolery at public school.
ReplyJustin Case
July 21, 2022 at 17:44 pmThe little rotter my good sir faff about Charles bamboozled I such a fibber tomfoolery at public school.
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