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De volta à casa

Em uma noite, o empresário Roberto Medina teve o chamado “insight”: de repente, sem pretensões, pensou em algo que pudesse contribuir para movimentar a juventude do país. As ideias ganharam vida e, na manhã seguinte, estavam prontas para serem executadas. Nascia assim o Rock in Rio. A tal intuição, palavra que Medina costuma usar para a situação, soava estranha aos ouvidos alheios, ou mesmo maluquice! Na época, o Brasil ainda não tinha cultura de eventos de música e o mercado do rock era pouquíssimo explorado – e também desacreditado comercialmente - no país. Era uma realidade vivida apenas nos EUA e Europa. Muitos artistas estrangeiros recusavam convites para vir ao Brasil por falta de credibilidade. O fato é que o insight “absurdo” de Medina abriu portas para grandes shows internacionais no verão de 1985 e convidou os brasileiros a comemorarem, em alto e bom som, a liberdade pós-ditadura militar.

Em janeiro de 1985, a Cidade do Rock, localizada em Jacarepaguá, zona Oeste do Rio de Janeiro, viveu dez dias que mudaram o cenário musical do país, que entrava definitivamente na rota das turnês de estrelas internacionais. O roqueiro Ozzy Osbourne foi o primeiro a assinar o contrato do festival e, na sequência, a banda britânica Queen.

Quem marcou presença na primeira edição provavelmente não esquece a emoção de ver e ouvir “Love of my life”, na voz de Fred Mercury. Para os fãs de James Taylor, a participação do músico no evento foi histórica. No período, o cantor enfrentava maus momentos, com dependência de drogas e o divórcio da também cantora Carly Simon. Sensibilizado com a recepção calorosa do público, Taylor decidiu abrir mão do plano de abandonar a carreira logo depois do Rock in Rio I. O músico compôs “Only a Dream Rio” para homenagear o momento; a canção cita versos como “I was there that very Day and my heart came back alive”. Anos depois, na terceira edição do evento, em 2001, Taylor afirmou que a participação no Rock in Rio era questão de honra!

Quem também estava longe dos palcos e voltou com todo gás foi a roqueira Rita Lee. Longe dos holofotes dois anos antes do festival, a cantora subiu ao palco e mostrou ser “pau pra toda obra”. O rock nacional, por sinal, tinha explodido nos dois anos anteriores ao festival, com bandas como Titãs, Blitz, Paralamas do Sucesso, entre outras. Mas uma parte do público não ficou muito satisfeita com presença da safra brazuca no tablado e daí vieram as inesquecíveis vaias, fato que rendeu um protesto feito por Herbert Viana. Cazuza, então vocalista do Barão Vermelho, encerrou o show com a música “Pro dia Nascer Feliz”, que, em meio ao contexto de retomada da democracia no país, causou alvoroço na plateia. Nem a chuva que caiu na Cidade do Rock durante os três dias esfriou os ânimos de quem foi conferir a banda predileta.

Na noite de heavy metal a movimentação estava diferente. Com vestimentas características, os metaleiros se destacavam na multidão. Os astros da noite foram Ozzy Osbourne, Scorpions e AC/DC. Passado o êxtase do primeiro Rock in Rio, o que não faltavam eram expectativas para a segunda edição do evento. Em 1991, 700 mil marcaram presença no evento, dessa vez, no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro para aplaudir artistas como A-ha, New Kids on the Block, Prince, Santana, Faith no More, George Michael, Run DMC e Guns´n´Roses. O festival de 91 foi assistido por quase 600 milhões de telespectadores em 55 países. Nessa edição, o mais rebelde da geração rock 80, Lobão, estreava no palco da Cidade do Rock. Escalado para a noite de rock pesado, o roqueiro foi alvo das latas de cerveja, xingou a multidão e saiu de cena. Em compensação, Axl Rose, foi ovacionado pelo mesmo público, o que levou alguns artistas nacionais a questionarem o desrespeito com os músicos nacionais por parte dos próprios brasileiros.
O terceiro festival foi ocorrer dez anos depois, em 2001. Uma nova Cidade do Rock foi construída no mesmo local de estreia, em Jacarepaguá, com capacidade para 250 mil pessoas. Foi nesse ano que nasceu o projeto “Por um Mundo Melhor”, que apoia e promove projetos socioambientais com foco na educação. Um dos momentos mais marcantes do Rock in Rio III foi quando 3.232 emissoras de rádio e 425 de TV fizeram três minutos de silêncio para promover a reflexão e estimular ações “Por um Mundo Melhor”. As músicas africana e eletrônica ganharam espaço nesta edição, com a criação de outros espaços além do palco principal, voltados para apresentações divididas por gêneros musicais.

Exportação

O sucesso do Rock in Rio foi tanto que o país exportou o evento. Em 2004 o festival sobrevoou o Atlântico e ganhou a Europa. Das nove edições do evento, seis foram realizados fora do Brasil, quatro em Portugal (2004, 2006, 2008 e 2010) e duas na Espanha (2008 e 2010). Nos anos de estrada, o festival reuniu cinco milhões de pessoas, que assistiram ao vivo 656 artistas, quase 800 horas de música com transmissão para mais de um bilhão de telespectadores em 80 países. Atualmente, a marca Rock in Rio se tornou importante no mundo inteiro: é a maior de um evento na Penísula Ibérica, em Portugal é maior que a Copa do Mundo, na Espanha é o dobro da fórmula 1. O idealizador do projeto afirma que a proposta do Rock in Rio é ser para a música o que é a Copa do Mundo para o futebol.

Responsabilidade Social

Com a responsabilidade de ser um veículo de comunicação para causas socioambientais, o Rock in Rio não quer apenas unir as pessoas por meio da música, e sim incentivar a ideia de que pequenas mudanças de atitude no cotidiano têm um imenso impacto sobre o futuro do planeta. Com o slogan “Por um Mundo Melhor”, o festival sempre buscou o pioneirismo em seu modelo de negócios, tendo entre os focos ações com conceitos de sustentabilidade e socialmente responsáveis. Isto vai desde a compensação das emissões de carbono até a escolha de parceiros com atuação socioambiental.

Cidade do Rock 2011

O Rock in Rio retorna às origens brasileiras após dez anos. Os fãs já podem comemorar a volta do festival que já tem data, hora e local: Barra da Tijuca, dia 23 de setembro. Às 14 horas, os portões da Cidade do Rock irão se abrir. Numa área de 150 mil metros quadrados, com lagoa natural na paisagem, a Cidade do Rock está mais bem estruturada do que nunca e com os dias contados para receber diversas celebridades do mundo da música.

Para atender a todas as tribos que movimentam a indústria fonográfica em 14 horas por dia, os espaços serão diversificados, com o Palco Mundo que receberá os grandes concertos com bandas mundialmente consagradas; a Tenda Eletrônica, com o som dos melhores DJs nacionais e internacionais; Palco Sunset, local em que os músicos brasileiros irão convidar artistas estrangeiros para fazer  jam sessions; a Rock Street, uma rua cenográfica inspirada em Nova Orleans (EUA), onde bandas de street jazz se apresentarão em meio a bares e  restaurantes; Tirolesa, com a emoção de voar sobre a plateia em frente ao Palco Mundo; a Roda Gigante, com 28 metros de altura e vista panorâmica de toda a região; e a adrenalina do Free Fall. No total, o Rock in Rio 2011 levará ao público mais de 150 atrações nos seis dias de espetáculos. Não à toa, os 600 mil ingressos disponibilizados para a quarta edição brasileira do festival se esgotaram em menos de 60 dias. Após a liberação das vendas dos bilhetes pela internet, 90 mil entradas foram compradas nas primeiras dez horas. Em menos de 40 horas, 75% dos ingressos colocados à venda online já tinham sido vendidos.


Os fãs do grupo Guns N’ Roses podem se programar para ver e ouvir novamente, no último dia do Rock in Rio, sucessos como “Welcome to the Jungle” e “Sweet Child o’ Mine” cantados pelo vocalista Axl Rose. Numa enquete promovida no site do evento https://www.rockinrio.com.br), a banda americana foi umas das mais votadas para se apresentar no festival.

O quarteto britânico Coldplay, que se apresentou no Brasil entre fevereiro e março do ano passado, confirmou presença no penúltimo dia do megafestival, que será dedicado ao rock alternativo. Já a “galera do metal” não precisará esperar tanto para conferir os espetáculos de suas bandas favoritas: a noite dedicada ao metal será no terceiro dia do evento, com Metallica, Motorhead, Slipknot no Palco Mundo e os brasileiros do Angra e Sepultura no Palco Sunset, entre outros. E para comprovar que é um festival feito para atender a todos os gostos musicais, o Rock in Rio 2011 traz as baianas Ivete Sangalo e Claudia Leite, Orquestra Sinfônica e Maria Gadú no palco principal, o Mundo.
É importante lembrar que o Rock in Rio é voltado e adequado para o público de todas as faixas etárias. A classificação indicativa de idade é livre, porém os jovens menores de 14 anos precisam estar acompanhados de um responsável legal para participarem do evento.

Rock street

Um espaço com a atmosfera de Nova Orleans (EUA), berço do jazz. Assim será a Rock Street, uma das grandes novidades do Rock in Rio 2011. Com inspiração na musicalidade e vida artística de Nova Orleans, o espaço privilegiará o blues e jazz e terá uma cenografia que irá reproduzir a decoração e arquitetura dos prédios, bares e lojas da cidade americana. O ambiente é destinado, claro, aos amantes do jazz, e aos que queiram dar uma pausa na adrenalina de um festival de rock. O Rock Street funcionará desde a abertura dos portões do Rock in Rio, às 14h, até as 2h da manhã. Além de música, quem estiver no local também poderá curtir, todos os dias, shows dos sapateadores Stephen Harper e Max Pollack, acrobatas, mágicos, malabaristas, cartomantes e estátuas humanas.  Entre as atrações musicais, estão o guitarrista e violonista Victor Biglione; o saxofonista Leo Gandelman, que se apresentará com Serginho Trombone; o grupo Roncadores; a cantora Taryn Szpilman; além dos americanos Seeley &Baldori, considerado o melhor duo de pianistas americanos da atualidade dentro do boogie-woogie.
 Agora é esperar para saber quais os próximos registros históricos que o festival irá trazer...

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