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Hoje é o dia mundial da fotografia - uma forma de ver o mundo que cresce cada vez mais em adeptos e admiradores. Fotografar virou um ato natural, que acompanha os mais diversos acontecimentos do dia-a-dia de muita gente. O jovem artista visual Emídio Contente, não só se apaixonou por essa atividade: transformou-a em seu fazer artístico, e a adotou como forma de viver e ver a vida. No seu ofício de “desenhar com a luz”, ele não se conformou em ter somente a câmera digital como plataforma artística. Por isso, apostou em uma nova forma de olhar ao seu redor, que pode ser traduzida no “Cobogó”, seu mais novo projeto –  premiado na categoria “fotografia” no Movimento Hotspot.


Baseado na técnica de câmera pinhole – uma máquina fotográfica sem lente onde existe apenas um pequeno furo, que deixa passar a luz que é captada para dentro da câmara – o projeto “Cobogó” o fez seguir em busca de casas e muros com elementos vazados, onde ele fotografou e filmou anonimamente. Nessa aventura, ele ainda recolheu o objeto que deu vida a sua proposta, e iria “registrar este mundo imaginário por meio dos muros”: os tijolos que foram transformados em câmeras fotográficas.


Nesta data simbólica que celebra a fotografia, o site da Revista Leal Moreira leva você a conhecer a vida e a já significativa trajetória do artista e fotógrafo que foge de sua zona de conforto à procura de uma nova maneira de capturar e transformar seu universo.
 
Revista Leal Moreira – Como começou o desejo de fotografar? Com que idade?


Emídio Contente – A minha relação com a fotografia começou na infância. Minha família sempre foi muito ligada às fotografias das reuniões familiares e eu sempre gostei também. Porém, só aos 15 anos, quando tive a minha primeira câmera, passei a fazer minhas próprias fotos. Aos 17 anos, conheci os processos alternativos de fotografia e começou toda a loucura...
 
Revista Leal Moreira – Quais as coisas mais absurdas que você já fez por uma foto incrível?


Emídio Contente – Apesar de usar equipamentos mais modernos em muitos trabalhos, acho que minha grande loucura e obsessão são os tijolos que coleciono para criar novas câmeras.
 


Revista Leal Moreira – Fotografar significa o que para você?


Emídio Contente – Fotografar é viver. Acredito que nem sempre uma boa fotografia é aquela que vai para o filme ou o papel. Uma boa fotografia pode ficar na sua memória e ser só sua, fazer parte da sua galeria íntima.
 
Revista Leal Moreira – Você acabou de ganhar um festival nacional, o Movimento HotSpot. Como foi isso?


Emídio Contente – Participar do Hotspot foi demais, desde a primeira etapa da inscrição, que aconteceu um ano e meio atrás. Ir passando para as etapas seguintes só me deixava mais feliz. Aproveitei todos os momentos possíveis do Movimento Hotspot. Esta última etapa, a da final, foi uma experiência surreal. Compartilhar com outros 54 criativos uma semana de imersão, criando coisas novas, discutindo... E ainda estar junto de profissionais que eu admiro muito, sejam os fotógrafos, como Bob Wolfenson e Cristiano Mascaro, ou de ilustração, como o incrível Speto, e de moda, como o Herchcovitch... Foi demais! E ainda compartilhar disso tudo com o Marco Normando (moda), a Emily Sato (arquitetura) e o Projeto Charmoso e Strobo (música)...  Ficou muito claro que o Pará está no seu grande momento, mesmo! Fomos muito bem recebidos por todos.
 
Revista Leal Moreira – O que você mais gosta de fotografar?


Emídio Contente – Não sou desses que só sai de casa com uma câmera na mão. Tive uma fase assim, mas percebi que não era esse o caminho. Na verdade, fotografo o que me interessa e o que acho que possa interessar para o mundo. O bom de refletir sobre as imagens é isso, ver o que de fato pode ser relevante naquele momento.
 


Revista Leal Moreira – Como seus pais reagiram quando viram você indo por esse caminho?


Emídio Contente – Meus pais sempre me apoiaram nas minhas decisões. Cursei publicidade em busca de um curso que fosse voltado para imagem, mas meu caminho atual está totalmente voltado para as artes. Foi natural a mudança. Veio junto com o amadurecimento e certo autodescobrimento. Minha família é muito feliz com os caminhos que minha vida tem levado.
 
Revista Leal Moreira – Há quanto tempo você fotografa? Dá pra viver como fotógrafo?


Emídio Contente – Comecei a fotografar aos 15 anos, aos 17 descobri novas possibilidades na fotografia e comecei a estudar. O artista e o fotógrafo, assim como qualquer outro profissional, tem que estudar muito! Posso considerar que meus projetos começaram a ser mais maduros há uns quatro anos - coincidindo com o mesmo período em que passei a participar de salões de artes etc. Sobre "viver" como fotógrafo, é possível sim. Basta você decidir em que área você está a fim de atuar e se dedicar a isso. Muita gente acha que um fotógrafo de moda pode ser fotógrafo de eventos ou que um artista que trabalhe com fotografia pode facilmente ser um fotojornalista, quando as coisas não são tão simples assim. Talvez existam pessoas multitalentosas que consigam atuar em todas as áreas, mas acredito que um bom fotógrafo sempre vai ter foco e consciência do seu trabalho e carreira. É importante entender isso até na hora de contratar um profissional. Existem muitas áreas dentro da área da fotografia.
 
Revista Leal Moreira – Ser jovem nesse mercado trouxe muitos obstáculos?


Emídio Contente – Obstáculos por ser jovem, não. Talvez um obstáculo que exista na nossa região é o acesso a equipamentos, materiais fotográficos. Quando se fala de analógico, então... é difícil! Mas não podemos esquecer que estamos no grande polo da fotografia nacional. Boa parte da boa produção fotográfica do Brasil, e até do mundo, está aqui no Pará. Nascer em Belém e escolher viver aqui é sem dúvidas uma grande oportunidade para jovens fotógrafos.
 


Revista Leal Moreira –  Qual a diferença entre um fotógrafo amador e um profissional, na sua opinião?


Emídio Contente – Acredito que um profissional trabalha com seriedade no que faz, e, principalmente, sabe o porquê de fazer aquilo. Então amadores são fotógrafos que se vendem ao mercado. O amadorismo está nos fotógrafos que enganam o cliente, que cobram preços irrisórios por um trabalho que é um trabalho sério. Enfim, falta muita seriedade para muita gente e acredito que isso seja amadorismo.
 
Revista Leal Moreira –  A câmera faz toda a diferença na hora de fazer uma foto bonita, expressiva ou significativa?


Emídio Contente – A câmera, ou as lentes ou a falta delas faz toda a diferença sim no resultado que você quer chegar. O meu trabalho "Cobogó" não seria possível sem minhas câmeras de tijolo, assim como seria complicado fazer uma foto publicitária com esta mesma câmera. Então, para quem está iniciando, não aconselho sair por aí e comprar tudo que vê pela frente. Pesquise muito sobre o que você quer fazer e aí sim compre um equipamento - ou monte, como no meu caso. E experimente, experimente, experimente...
 
Revista Leal Moreira –  Você tem algum tipo de ritual, ou um comportamento particular na hora de fotografar?


Emídio Contente – Não sei, costumam dizer que faço poses engraçadas. Talvez por utilizar tanto a fotografia pinhole, até quando estou fazendo um trabalho com digital procuro estabilidade para a câmera. Então, quando vejo, já estou no chão com a perna para um lado, braços para o outro... o fotógrafo às vezes é um ser estranho.
 
Revista Leal Moreira – 
Quais lugares você sonha em capturar em sua câmera?


Emídio Contente – Os novos universos dos quais estou em busca no meu projeto atual. Mistério... (risos).
 
Revista Leal Moreira –  Neste dia especial, dia mundial da fotografia, o que você tem deseja para esse universo?


Emídio Contente –  Que as pessoas possam ler mais fotografias. Visitem mais galerias, conheçam os artistas da sua cidade, interajam, comentem, discutam com um amigo o porquê daquela capa de jornal, o motivo daquela foto pendurada na sala... Enfim. Não aceitem que as imagens sejam um grande bombardeio na vida!
 
Revista Leal Moreira –  Por que fotografar?


Emídio Contente – A fotografia é a grande forma de registro do tempo, seja ela como for.
 
Revista Leal Moreira –  O que você acha dessa explosão de aplicativos, filtros e recursos voltados para a fotografia aos quais temos acesso hoje em dia?


Emídio Contente – Acho ótimo que hoje em dia a maioria das pessoas tenham acesso à fotografia por meio dos celulares e difundam isto por meio destes aplicativos e redes sociais. Porém, acho importante também que as pessoas possam ir além disso. Estas redes são maravilhosas para formar novos leitores de fotografia, que a partir daí possam visitar mais galerias, comprar livros de fotografia, discutir...

 
Para saber mais: emidiocontente.­com

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