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Música e diversão em família

Eles nasceram em ambientes marcados pela música e vivenciam essa expressão artística desde muito pequenos.  Mas o convite e a oportunidade de ter essa experiência de fato veio depois que Elder Effe, nome conhecido da cena de rock independente em Belém, foi convidado para fazer um programa infantil de rádio. Ele, que canta e toca contrabaixo, compôs algumas canções e chamou outros amigos músicos para integrar a banda, ainda sem nome. A ideia? Cada músico chamar seu filho para participar do projeto. Foi assim que Elder e sua pequena cantora Sofia se uniram a Junhão Feitosa (bateria) e Babi (voz); Argentino Neto (teclado, sax e clarinete) e João (voz e tambor); e Fabrício Gaby (guitarra) e Duda (voz e guitarrinha).

Não tinha como dar mais certo: sucesso de público, a proposta teve excelente repercussão. Os membros da banda ficaram satisfeitíssimos – sobretudo as crianças. Não tardou para que o grupo decidisse permanecer junto e ganhasse o nome de Espoleta Blues. A inspiração veio do nome do cachorro de Sofia e pelo gênero musical que – ao lado do rock, do funk e do country – influencia as composições.  Quem acha que, por ser um grupo com crianças em sua formação, trata-se de música restrita a esse segmento, engana-se: talentosos e divertidos, os pequenos misturam-se muito bem com o trabalho dos pais, e falam do universo infantil com um charme sem igual. O site da Revista Leal Moreira bateu um papo com os músicos Elder, Argentino e Fabrício, e com as figurinhas Sofia, João e Duda. Eles contaram pra gente como é que “a banda toca”. Confira:

 

Revista Leal Moreira - Por que Espoleta Blues?

Elder - Espoleta era um cachorrinho que a Sofia tinha. Ela tinha um livro com nomes de cachorros e um deles era esse: Espoleta. Quando montamos a banda e tínhamos que fazer as músicas, fiz uma falando de um cachorro, que se chama “O Amigo”. Era o Espoleta. Quando a banda começou, só tínhamos essa música e ainda estávamos sem nome. Quando nos juntamos para tocar, viramos Espoleta Blues. Blues porque tem a ver com um contexto de músicas que já trabalhávamos, do rock... Uma reafirmação de um estilo que temos em comum.

Argentino - As crianças são bem rock ‘n’ roll. A maioria das músicas é uma mistura de rock com alguma outra coisa. A ideia de tocar rock com as crianças é muito legal. Não é aquela “musiquinha” - é uma música infantil, mas que não aliena. Dá para os pais curtirem, é para a família toda.


Revista Leal Moreira - Como é trabalhar com os filhos tão cedo?

Fabrício - É muito bom, porque a gente cuida da educação musical deles desde pequenos.  Acompanhamos isso junto com eles, e nesse processo conseguimos entender por que lado da música cada um se interessa, de que instrumento cada um gosta mais. Tem gente que diz que “filha de guitarrista vai gostar de ser guitarrista”, e não é assim necessariamente - às vezes, ela gosta mais de bateria, por exemplo. Estamos conhecendo um lado dos nossos filhos que talvez só um professor de música conhecesse. Tocar com eles é fazer duas coisas: estamos nos divertindo e conhecendo cada vez mais os nossos filhos. Principalmente em um grupo, com os pais sendo amigos e tornando seus filhos amigos. Isso resulta em muitas coisas. Todo dia a gente aprende um pouco.

Elder - Temos, por meio da banda, como ensinar alguns valores e virtudes: trabalho em equipe, ser generoso, saber respeitar o espaço do outro, disciplina, responsabilidade. Aos poucos, vamos adaptando. Os filhos ocupam muito o espaço da gente, no bom sentido. Espaço físico mesmo. Então foi uma forma natural de agir.  Eu canso de abrir minha mochila no trabalho e ter uma “Polly” – que é uma revista de boneca (risos). O filho sempre te lembra de que ele está por perto. Seria natural que, no ambiente em que estivéssemos trabalhando com música, compondo e praticando, eles estivessem. Então fomos adequando esse espaço.

 
Revista Leal Moreira - Vocês buscaram neste caminho uma aproximação maior com os filhos?

Elder - É, mas não necessariamente, porque já éramos bem próximos desde muito cedo. Mas é uma forma de ficar mais perto ainda.

 
Revista Leal Moreira - Às vezes o trabalho separa um pouco, não?

Argentino – Sim. Eu sou professor, trabalho dando aula e tem vezes que eu passo o dia fora de casa. O João já estuda música. Ele via a gente ensaiando lá em casa, já vivenciava um ambiente musical. Mas a partir do Espoleta Blues, os compromissos nos juntaram mais. Hoje, somos sempre eu e ele. Temos que sair juntos de casa, por exemplo. Esses compromissos são legais. A banda é mais uma forma de se aproximar, mesmo que não seja só isso. Temos várias outras, claro, mas a banda é um meio bem legal... Não só ele comigo, mas ele com as crianças, com os outros pais, para ele é muito saudável.

 
Revista Leal Moreira -
Todos já manifestavam esse desejo de se expressar por meio da música?

Fabrício - Todos nasceram em casas cheias de instrumentos.  A Sofia vive em um ambiente onde o pai dela, o Helder, está compondo o tempo todo - ou está assistindo a biografia ou o DVD de alguma banda. A Duda também. Minha esposa gosta muito do tipo de música que gostamos.  Existe muito de música dentro da casa de cada um. A Bárbara, Babi - que é filha do nosso baterista, o Júnior - também cresceu nesse meio...

Elder - A Babi introduziu a possibilidade de trabalhar conosco, a ideia também veio daí. A gente viu o que dava para fazer com ela junto. Mas cada um deles contribuiu de uma forma espetacular.

Fabrício – Ela “startou” a ideia.

 
Revista Leal Moreira - Foi assim que a ideia tomou forma?

Elder – É. A oportunidade surgiu porque eu ia fazer um programa de rádio de música infantil. Era pra tocar umas músicas infantis, então eu resolvi chamar o (baterista) Junhão, e a gente pensou no Fabrício e no Argentino. Aí montamos rapidinho a banda para tocar na rádio. Era especial só para esse programa.

Argentino – Só que eles gostaram muito, e naturalmente as coisas aconteceram. Isso é que é legal: não é uma coisa planejada. Ninguém força nada. E a gente está se divertindo com isso.


Revista Leal Moreira - Eles levam mais para o lado da brincadeira ou são disciplinados?

Elder - Eu acho que cada um...

João (filho de Argentino) – ...tem uma personalidade: Alguém é piadista, brincalhão, disciplinado... Qualquer um tem sua possibilidade de ser. Eu sou o piadista, eu venho aqui e conto piadas (risos).

Sofia (filha de Elder) – Isso foi uma piada, não foi?

João – Não, foi só uma dica (risos).

 
Revista Leal Moreira - Como são os ensaios e os shows? São encarados de forma profissional com eles?

Elder – Para nós, que estamos por trás da produção, sempre é sério. Mas essa responsabilidade não passa para eles. Para eles é como se fosse a hora da diversão. É um compromisso – assim como o das tarefas diárias de ir para escola, por exemplo, eles têm o compromisso de fazer os shows. Mas nós temos algumas regras para não deixar isso virar uma coisa imposta para eles: temos um número limitado de shows, priorizamos horários específicos, ambientes apropriados - existem lugares que não topamos tocar... Várias coisas. O trabalho pesado é dos adultos e depois vamos direcionando eles.

Fabrício – Ensaiamos mais só os adultos, e em casa trabalhamos cada um com seu filho. Aí tem ensaio com eles – o máximo que tivemos foram três – antes de um show, para alinhar com as crianças. Mas eles não têm muitos ensaios.

Argentino – Eles gostam de brincar, daí já viu. Eles têm o tempo deles de ensaio, que é curto.  Ensaiam meia hora e logo depois já vão brincar. Eles têm o tempo deles, são crianças, não dá para ficar forçando. É bem livre e flexível, com eles tem que ser assim.

Fabrício – É bem mais que isso, na verdade. Damos o poder de escolha para eles. Por exemplo, ensaiamos duas horas seguidas. Eles estão lá dentro brincando e passam quinze minutos, meia hora no máximo ensaiando. O resto é brincadeira.


Revista Leal Moreira - Como é escolhido quem vai fazer o que na banda?

Elder – A gente põe a música para eles ouvirem e eles vão se encontrando.  Aos poucos, naturalmente, a gente vai percebendo as aptidões deles.

Argentino – O João, por exemplo, toca violino.

Elder – A Sofia gosta mais de dançar, a Duda gosta mais de uma performance com guitarra... E a Babi tem um talento absurdo para cantar.

Argentino – A Babi tem um talento nato, já nasceu com ela.

Elder – Vamos percebendo essas coisas e montando os shows.


Revista Leal Moreira - E aí, crianças? É divertido participar de uma banda?

João – Sim, é muito divertido porque podemos experimentar. Se um dia um de nós fizer outro show, temos que treinar nossa voz, não é?

Sofia – Acho muito divertido, e uma oportunidade muito legal. Eu sempre sonhei com isso, em ser cantora.

Duda – É divertido, gosto de dançar.

 
Revista Leal Moreira - O que é mais chato e mais legal em ser parte de uma banda?

João – Para mim não tem nada chato, tudo é divertido.

Sofia – Para mim também.

Duda – Para mim, o mais chato é quando a gente não faz show!


Revista Leal Moreira - O que vocês mais gostam de fazer na banda?

João – Eu gosto de cantar e tocar, mas o que eu gosto mesmo é de brincar. Toda vez, em uma canção, eu conto uma piada na música. Aí todo mundo ri.

Sofia – Gosto mais de cantar e dançar.

Duda – De dançar.

Revista Leal Moreira - O que vocês querem ser quando crescer?

Sofia – Era pediatra, mas agora mudei. Chef de cozinha.

João – Pintor ou construtor.

Duda – Antes era paleontóloga, mas agora quero ser veterinária.



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