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O canto de Andreia Dias
Destaque na cena alternativa, Andreia diz que passagem por Belém pode render um disco

Atualmente morando no Rio de Janeiro, a cantora paulista Andreia Dias não disfarça o impacto causado pelo calor das terras paraenses. “Esse clima daqui é impressionante. Combina com a efervescência da cena musical da cidade”, diz, enquanto usa as mãos como se fossem um leque. Bastante conhecida no circuito alternativo do Sudeste do país, a artista esteve em Belém entre os dias 2 e 12 de junho, período em que fez duas apresentações no projeto Limonada Sonora.
 

Andreia começou cedo. Formou a banda Dona Zica, junto com nomes promissores da cena paulista da década de 1990, como Iara Rennó e Guizado. Os dez anos de banda renderam dois discos, experiência e parcerias inesquecíveis.
 

“Por causa da Dona Zica pude cantar com Tom Zé e outros grandes artistas do país, ou seja, a banda abriu portas para novas experimentações e fez o nome de cada um que participou do projeto. Outro trabalho muito legal que fiz foi com o Zeca Baleiro, em que fizemos um show em homenagem a Sérgio Sampaio, um dos meus compositores preferidos”, enumera.
 

Em seus dois primeiros trabalhos, intitulados “Vol. I” e “Vol. II”, a artista mostra seus maiores anseios, angustias e paixões nas canções. “Meus dois primeiros álbuns são reflexos da minha vivência. Apontam para qual direção minha alma está indo”. Ambos foram bem recebidos pela crítica e público e possibilitaram até mesmo uma turnê pela Europa. Com o “Vol. III” engavetado, a cantora atualmente está namorando com o samba. “Depois do rock and roll, começo a flertar com o bom e velho samba”, revela.

 

Novos horizontes

 

A passagem de Andreia pela capital paraense abre as portas para uma nova fase em sua carreira. A oportunidade de vir a uma cidade tão distante do eixo Rio-São Paulo se deu devido à inserção da artista no circuito Fora do Eixo, que consiste numa articulação em rede de artistas e agentes culturais que trabalham em prol da produção independente.
 

“Mesmo tendo uma carreira extensa, com mais de dez anos de estrada, eu nunca rodei o país de fato. Fiz muitas apresentações em São Paulo, e até no exterior, mas agora que vou conhecer o Brasil”, admite. A turnê, que começou em Belém e que vai priorizar principalmente as regiões Norte e Nordeste, tem um propósito além das apresentações.

 

“A ideia é fazer um intercâmbio cultural pelos lugares por que o meu show passar, o que é muito válido, porque em cada parada vou acrescentar algo ao meu trabalho”, diz. Em Belém, o responsável pela imersão musical de Andréia foi o coletivo Casarão Cultural, ponto de apoio do circuito Fora do Eixo no Estado.

Em companhia dos músicos associados ao selo Casarão, como os guitarristas Léo Chermont e Felipe Cordeiro, o baixista MG Calibre, e o baterista Arthur Kunz, Andreia já começou a fervilhar novas canções. “Não tem como. Quando músicos se unem surgem algumas composições. E a interação com o pessoal do Casarão foi tão boa que já começo a achar que meu projeto de samba vai ficar pra depois. Essa viagem deve render um disco, isso é quase certo”, finaliza.

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