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Pedaço do paraíso

A Vila de Saint Paul de Vence propõe um cantinho perto do céu. É bordada de arbustos floridos docemente distribuídos em volta da colina. Agradeço ao destino por ter me conduzido a ela e a Deus, pela certeza do paraíso. A região entre o mar Mediterrâneo e os Alpes é um convite ao fazer e à abençoada germinação de idéias. Cresci envolvida na paixão de meus pais pela arte. Acompanhava de perto os dois completamente absortos em discussões calorosas sobre cinema e arte em geral. É claro que minha aspiração maior frutificou na dança e entre os mitos cinematográficos. As horas contempladas no vinil com Yves Montand na capa, as vezes que assisti a filmes inesquecíveis, como ” Vivre pour Vivre”, de Calude Lelouch, em que ele encara um famoso repórter de televisão - com Annie Girardot, a belíssima Candice Bergen -  e o encantamento por Matisse deram a minha alma o alimento necessário para cultivar, ainda muito menina, o desejo de conhecer a Provance-Alpes-Côte d’Azur, especialmente a Vila de Saint Paul, que é pura arte e vive a arte intensamente. Um verdadeiro templo do prazer da arte.

                               

                                                                                                                                                                                                                          Descobrir Saint Paul me lembra o seu Bené, um querido, nosso saudoso poeta e filósofo amazônida, Benedito Nunes. Ele, a Maria Silvia Nunes e o poeta Sérgio Vax estiveram por lá, provavelmente levados por outros sonhos.

A aspiração também motivou numerosos afamados, como Jaques Prévert, Lino Ventura, Chagal e Montand, e Simone Signoret, que marcavam presença durante o verão, estimulados pela intensidade da estação, a luminosidade que entusiasma e ao mesmo tempo a discrição do vilarejo.

As cidades da Côte d’Azur são todas muito próximas e as rodovias, excelentes e muito bem sinalizadas. Saímos de Nice e, no meio do percurso, vale a pena dar uma paradinha em cada um do

s vilarejos. Normalmente de carro são 30 minutos, entre a cidade e a vila. O tempo estava a nosso favor, o que nos possibilitou a opção pelas paradas até a chegada ao nosso destino.
Acompanhada de minha filha, estacionei o carro bem próximo à entrada da Vila. Ouvi meu coração bater descompassado. Andei mais rápido, e de frente para a praça Du Jeu de Boule, onde apostam no famoso jogo “de bolas” em frente ao La Petite Chapelle Restaurant, entrei na realização. Um desligamento total e completo do mundo exterior. Fechei os olhos e... sorri. Foi só o começo.

Aquele que é perfeito em tudo que faz criou um lugar que parece ter inventado a joie de vivre. Je vous jure, a vida fica mais leve só de respirar o ar provençal, um ar que possui um aroma único e, acredito, singular em todo o mundo. Conduzida pelos caminhos estreitos com ladeiras ora subindo, ora descendo, embalada pelo extraordinário aroma do campo, vi de perto tudo o queria ver e sentir. Saint Paul de Vence é perfumada, tudo exala a suavidade da lavanda.

As charmosas edificações medievais, com objetos antigos, móveis de época e peças seculares dão morada aos visitantes, que preferem a proposta da acolhida. As lojas de souvenir, galerias e doçarias refinadas são uma tentação.

Nem pense em dieta nessa região: as gostosuras e bobices são apetitosas e o vinho, então, é um caso a parte! Até o passeio público tem história. As calçadas de La Rue Grande à tradição provençal dão uma expressão atraente às ruas. As primeiras pedras usadas para pavimentar a aldeia vieram das praias de Cagnes sur Mer. Arrumadas em forma de rosetas, são encontradas em todos os lugares, dando um ar especial ao lugar.

O labirinto das ruelas é de idade medieval, com uma imponente torre de sino que domina o topo da colina. Em qualquer lugar pode-se ficar à sombra das árvores ou em casas de café. O ritmo do lugar é orquestrado pela sinfonia da vontade. Passar o tempo no jogo de bola é uma alternativa agradável. Se quiser, pode somente andar papeando... Ou caminhar simplesmente, vendo das muralhas o Mediterrâneo e os Alpes - é outra alternativa. Uma visão verdadeiramente preciosa, creiam. Cercada por muros, a vila histórica tem vista iluminada para os vales. Seja qual for a estação, de dia ou à noite, há leveza: o outono é quente e o inverno, ameno, oferecendo uma luz suave; a primavera anuncia orgulhosa o cololorido chamejante. Os prazeres não são variados somente para a alma e sentidos. O lar das artes tem restaurantes muito bons, como o Le Caruzo.

Esta joia da Provence durante séculos foi moldada pela mãe natureza e pela mão do homem. Na antiguidade clássica, duas grandes civilizações tiveram sucesso, lançando as bases da cultura mediterrânica. Os navegadores gregos colonizaram as regiões que fazem fronteira com o Mar Mediterrâneo, principalmente pelos portos Marselha, Mônaco, Nice e Antibes. Introduziram a cultura do olival e vinhedos, que passará a ser a energia da agricultura local.

Panorama

Sob a luz do mediterrâneo, a imponente muralha - parte da paisagem provençal - é desenvolvida num local de prestígio, que pouco a pouco com o fascínio da Riviera vai atrair artistas e turistas. O desenvolvimento de novos meios de comunicação, as condições climáticas e os benefícios de um ambiente de luz excepcional foram elementos importantes para o crescimento da Côte d’Azur. Este panorama e a luz foram uma inspiração para muitos artistas.

No século XIX, as montanhas são cobertas de flores, vinhas e olivais. As pedras marrom da aldeia, as cores da paisagem e a luz do meio-dia atraíram inúmeros pintores. No alvorecer do século XX, pintores como Signac e Dufy são recebidos na Hospedaria da La Colombe d”Or, que ainda tem suas paredes decoradas com suas pinturas.

Saint Paul reforça a filosofia de que sua história está viva e não é somente lida em livros, oferecendo um incrível passeio que começa na porta de Vence até a sua saída. Um edifício é um arco semicircular do lado que está o canhão Lacan. A capela de São Clemente, situada ali, é uma uma obra-prima da arte barroca. Na capela da Virgem do Rosário e na capela das Almas do Purgatório, o altar é datado de 1677. O tesouro da igreja tem raridades, joias preciosas e um pergaminho de 1588.

A capela dos Penitentes decorada por Folon, com suas torres do século XVII, harmonizam a parte de cima da aldeia. Os vinhedos de Saint Paul têm em sua linhagem a mistura das videiras Mourvèdre, Braquet e Clairette. A horticultura estimula a economia local. A partir das muralhas o campo se revela para aqueles que conhecem o olhar. São visíveis as estufas do vale de Malva e as vinhas perto do cemitério onde repousa Marc Chagall. Até o calabouço, que é visto de fora da vila. A torre é um verdadeiro símbolo da antiguidade e tudo que restou de um castelo que se foi. Desde o século XVIII, abriga a Câmara Municipal. No alto se encontra um sino fundido em 1443. Sua criação é como a legenda encontrada: Badaladas sugerem - jam Sommo - as vezes que nos convidam a sonhar.

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