Não faz muito tempo que a internet era vista como a válvula de escape para a criatividade do usuário e quem a acessava. Com possibilidades múltiplas de expressão, a ferramenta servia tanto para o aluno de comunicação social que alimentava seu blog, com artigos autorais ou roteando conteúdo, como para o fotógrafo divulgar seu trabalho, o músico propagar seu som ou o radialista aumentar seu público – e assim por diante. Porém a liberdade editorial do meio e a interação com quem buscava aquela informação, começou a seduzir aqueles que optaram por trabalhar na internet. E a rentabilidade sedimentou definitivamente a plataforma, que hoje compete com a televisão, sobretudo para os produtores de conteúdo do mercado de entretenimento, que vêm ocupando este novo nicho.

Foi a partir de um blog que Rodrigo Fernandes passou a enxergar a internet como algo além do lazer. O ano era 2004 e o referido blog era o “Jacaré Banguela”, que até hoje é um dos líderes em acessos na blogsfera (que já foi um termo muito em voga nos 2000 e poucos) brasileira. O Jacaré Banguela foi criado por quatro amigos, mas se tornou popular sob a administração de Rodrigo e Fred Fagundes, que juntos formataram as seções que caíram no gosto dos usuários – e que até hoje existem no site. Mas foi em 2006 que a perspectiva dos criadores sobre seu próprio produto mudou. “O primeiro anúncio que tivemos foi o do “Bar da Boa”, da Antarctica. Entrou uma grana pequena, mas naquela época anunciar na internet era algo novo para as marcas também”, lembra Rodrigo. Para ganhar aquele suado dinheirinho, ele e o sócio enfrentaram uma viagem de Cuiabá ao Rio de Janeiro, só para fazer o “frila”, de ônibus. Mas as estimadas 36 horas nas rodovias do país e o objetivo final mudaram a percepção deles sobre o mercado que se abria.
Dali em diante Rodrigo passou a enxergar as formas de tornar rentáveis os negócios na internet. E se beneficiou das possibilidades de inovar com produtos que ainda eram pouco explorados na plataforma do blog. Passou ele próprio a produzir conteúdo de vídeo para o blog, com formatos variados, mas sempre mantendo a tônica do entretenimento e, particularmente, do humor. Até que ousou e decidiu explorar um formato típico da televisão na internet: o talk show. “Sempre assisti ao Jô (Soares) e achava interessante a facilidade de ele entrevistar pessoas importantes, cultas e viajadas ou pessoas simples no mesmo programa e manter a qualidade da entrevista”, diz ele, que inicialmente não considerava seu perfil o ideal para um quadro do gênero. Porém, ao ter contato com o amigo Danilo Gentili, que vem de uma “escola” diferente de Jô Soares, e que na época lançava seu “Agora é Tarde”, ele mudou de opinião. “Fui aos programas pilotos, participei e dei opiniões. E vi que não precisava ser ‘o’ Jô, que dava para ser diferente. O estímulo que faltava veio quando o blog parceiro “Jovem Nerd”, outro que também fazia muito sucesso, montou, na mesma época, um quadro de vídeo para internet. Assim nasceu o JB Fora do Ar.
Liberdade
Percebendo a abertura de uma porta para um humor mais escrachado, atores, roteiristas, diretores e blogueiros se uniram para criar o canal “Porta dos Fundos”, que se notabiliza por dominar a liberdade que a internet proporciona. O vídeo de estreia do Porta dos Fundos –hoje com quase seis milhões de acessos –provocou risadas ao ironizar a forma de atendimento de uma famosa rede de fast food nacional. Como resposta, a rede procurou a produtora e encomendou vídeos semelhantes –oferecendo um restaurante da rede como locação para as filmagens seguintes. Os outros vídeos também registraram milhões de acessos. O humor da produtora, aliás, não respeita limites, senão os dos próprios criadores dos esquetes. Temas que são tabus, como religião, homossexualidade e drogas, já foram abordados em vídeos sem constrangimento. Eventuais críticas existem, principalmente nas caixas de comentários, mas em número quase desprezível, se considerado o número de visualizações. O “Porta dos Fundos”, que une personagens famosos da internet como Antonio Tabet (do blog Kibe Loco), Fábio Porchat e Gregorio Duvivier (atores e comediantes) já nasceu rentável na internet e não pensa em ir para a televisão. “Já estamos onde queremos estar”, disse o diretor Ian SBF em entrevista ao programa Roda Viva.
Nostalgia
Na internet há espaço também para filões pouco explorados. Basta aguçar seu olhar e perceber a demanda que precisa ser suprida para se tornar hit na web. Felipe Castanhari achou e hoje conquista sucesso no canal FeCastanhari explorando o tema Nostalgia, como batizou a série de vídeos em que aborda temas da cultura pop nacional e internacional do fim dos anos 90 até hoje. Mas ele lembra que no início foi difícil fazer as pessoas abraçarem as lembranças do passado. “O primeiro vídeo que fiz foi do Sonic (personagem de um videogame da SEGA). Não deu muito certo. Depois fiz mais quatro vídeos até o canal dar uma alavancada. Quando usei uma edição mais refinada o vídeo conseguiu 60 mil visualizações”, lembrou ele, sobre o vídeo sobre a TV CRUJ, extinto programa de desenhos animados, que ia ao ar pelo SBT.
Na época, o formato Vlog era o que mais fazia sucesso na web, no embalo de vloggers como Felipe Neto e PC Siqueira. Mas aí ele percebeu a diferença fundamental entre televisão e internet: enquanto quem trabalha com entretenimento na TV agrega a boa remuneração à popularização da própria imagem, na internet ele não gozava de nenhuma das duas formas de prestígio. “No começo foi bem complicado. Demorou mais ou menos uns cinco meses para estabilizar. Tive que vender meu carro para fazer aquela aposta”, disse. Porém, aos poucos o dinheiro foi começando a entrar, e desde o fim do ano passado Castanhari sobrevive tranquilamente do trabalho dedicado à internet. “Acho que a grande dificuldade é mesmo a de fidelizar o público. Pegar aquele cara que assiste um vídeo e não volta, a transformar ele em visitante assíduo, fazer ele se inscrever no canal, te acompanhar em todos os lugares”, ensinou. Hoje, os vídeos nostálgicos de Castanhari registram entre 200 e 300 mil visualizações.
Outros fatores ainda devem ser levados em consideração, como a instabilidade da plataforma que trabalha. Na maioria dos casos, esta plataforma é o YouTube, que passa por constantes mudanças em busca de aperfeiçoamento –o que nem sempre vai de encontro às necessidades dos usuários. “O YouTube vive mudando. O modo de contabilização de visualizações mudou e prejudicou muita gente. O ideal é não depender de uma plataforma sobre a qual não temos 100% de controle”, diz Castanhari, que agora investe em um site próprio para o “escoamento” da produção.
Há também que se levar em conta os custos da produção. Apesar de adorar ser o próprio editor e diretor, Rodrigo Fernandes não é lá muito fã dos custos que envolvem a produção do quadro JB Fora do Ar, por exemplo. “São quatro cinegrafistas, um técnico de som, aluguel de teatro, dificuldades com produção”, disse Rodrigo, enumerando os motivos pelos quais flerta com a televisão e evidenciando o fim de um antigo dilema. “Antigamente existia esse negócio de falarem que você está se vendendo se arranja um patrocínio ou trabalha para a televisão. Mas ninguém está se vendendo para uma marca. Se a marca acredita no que faço ela é a minha parceira”, concluiu.

Comentários
Neal Adams
July 21, 2022 at 8:24 pmGeeza show off show off pick your nose and blow off the BBC lavatory a blinding shot cack spend a penny bugger all mate brolly.
ReplyJim Séchen
July 21, 2022 at 10:44 pmThe little rotter my good sir faff about Charles bamboozled I such a fibber tomfoolery at public school.
ReplyJustin Case
July 21, 2022 at 17:44 pmThe little rotter my good sir faff about Charles bamboozled I such a fibber tomfoolery at public school.
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