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Tão belo, tão forte

 

Imponente e grandioso como sempre foi, um dos cartões postais mais importantes do país celebra este mês seus 135 anos de glória. Vendo o Theatro da Paz de perto, com tanto vigor representado em sua arquitetura e marcado em seus traços, sua inauguração não parece de tempos há tanto idos. Testemunha de um passado importante, o espaço abriga histórias que só ele tem. Dali brotaram inúmeros timbres, nomes da música, da dança e das artes cênicas que por ele fizeram soar suas vozes e passos, presentes em uma acústica inconfundível.

 

Reconhecido pela beleza dos seus delicados detalhes neoclássicos, o espaço – inspirado no Teatro Scalla de Milão, na Itália – é considerado um dos teatros-monumentos brasileiros pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. E ele não poderia ter sido construído em outra época senão em um dos períodos mais marcantes da história cultural e arquitetônica da região: o Ciclo da Borracha, ainda em seu início, cujo apogeu econômico deu ares europeus à capital do estado. O Theatro da Paz foi a primeira casa de espetáculos construída na Amazônia. Seu nome original era Theatro Nossa Senhora da Paz, reduzido para como o conhecemos hoje logo após a inauguração. Requinte, luxo e arte sintetizam a majestosa construção – desde seu piso em mosaico de madeiras nobres até os famosos lustres de cristal.

A erudição do folclore

15 de fevereiro também entregou ao Pará outro ícone de sofisticação, digno do orgulho com o qual é ostentado: Waldemar Henrique, maestro, pianista e compositor, nasceu aqui há exatos 108 anos. Descendente de portugueses e indígenas, criou obras que são pilares da música moderna brasileira, e que inspiraram boa parte dos movimentos musicais paraenses, anos mais tarde. Sua linguagem artística encontrou a medida perfeita unindo o que há de mais genuíno e peculiar na música e na cultura regional ao requinte erudito, aprendido nos conservatórios.  O resultado da mistura está presente em canções como “Uirapuru”, “Boi-Bumbá” e “Tamba-Tajá”.

A influência e relevância para a cultura contemporânea – nortista e nacional – rendem homenagens até hoje ao compositor. Em Belém, um teatro e uma praça carregam seu nome. Seu legado inclui peças para piano solo, coro, orquestra e música para novela, teatro e filmes, e revelam um verdadeiro acervo cultural do folclore amazônico, indígena, nordestino e afro-brasileiro. Não é à toa que o trabalho do maestro motiva estudos, pesquisas e honrarias no país inteiro.

Destinos cruzados

O destino haveria de cruzar a história dos dois gigantes: Waldemar Henrique dirigiu o Theatro da Paz por mais de dez anos, palco onde muitos dos seus sons ecoaram. Em celebração a data importante, o teatro recebeu a cantora Juliana Sinimbú ao lado da Amazônia Jazz Band. No repertório, claro, a obra irretocável do saudoso Waldemar. A cantora comentou a responsabilidade ao interpretar composições de Waldemar Henrique: “Waldemar faz parte da cartilha básica do bom músico paraense. Talvez a referência mais versátil e elegante em termos de composição. A influência da obra dele na minha vida musical é imensa. Poder cantá-lo mais uma vez, aos oito meses de gravidez, foi só emoção”, confessou, sem esquecer de exaltar a admiração que tem pela respeitada Amazônia Jazz Band.

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