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Tempero paraense com a chef Ecléia Duarte

Uma das representantes do estado no festival Ver-O-Peso da Cozinha Paraense 2013, a chef Ecléia Duarte conta um pouco de sua trajetória e revela alguns de seus segredos na cozinha.

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Saber usar os temperos e outros sabores da região é uma das especialidades da jovem chef paraense Ecléia Duarte. Há 10 anos no ramo da gastronomia, ela tem um jeito bem particular de aliar a tradição da culinária local e uma pitada de criatividade na mesma receita. O resultado é uma linguagem particular, autoral, que permite a criação de pratos exóticos e harmoniosos - o suficiente para colocá-la em destaque dentro do cenário gourmet do estado. Responsável pelos festivais gastronômicos da Assembleia Paraense, Ecléia teve como professores grandes nomes como Renata Broune e Alex Atala. Participante da 11ª edição do Ver-o-Peso da Cozinha Paraense, considerado o maior festival gastronômico da Amazônia, ela guarda a sete chaves a receita desse ano - sustentando o mistério típico dos bons chefs. Para o site do Ver-Peso da cozinha Paraense, ela conta um pouco do começo da sua trajetória, além de outros acontecimentos que ajudaram em seu crescimento profissional.

Site do Ver-o-Peso da Cozinha Paraense – Em que momento começou o interesse pela culinária?

Ecléia Duarte - Começou um pouco tarde, se comparar à história de outros chefs. Minha primeira experiência foi como auxiliar de cozinha na Assembleia Paraense, onde comecei a observar os chefs trabalhando. Na verdade, costumo dizer que a observação foi fundamental para o meu aprendizado, e foi o que fez com que eu fosse me dedicando a aprender mais sobre culinária. Já estou há 8 anos como chef de cozinha do Le Panoramique, da AP. Surgiram os festivais, cheguei a ganhar o concurso de novos talentos no Ver-o-Peso da Cozinha Paraense e isso foi muito importante para me motivar ainda mais e dar mais visibilidade ao meu trabalho. A partir daí, as portas foram se abrindo e as ideias foram aumentando. Foi um interesse despertado ao longo anos. Na verdade, nem eu sabia que tinha esse talento (risos). Mas fui pegando gosto e me apaixonando pela cozinha. Quando percebi que o mercado era mais amplo e dependia de estudos, me interessei ainda mais pela área e decidi que era a profissão que eu queria seguir. Comecei a pesquisar e me profissionalizar por meio de cursos aqui e em São Paulo.

V.O.P - Como foi o começo da carreira?

E.D. - Foi bem difícil. As dificuldades foram muitas, principalmente por alguns círculos profissionais serem muito fechados. É que, na verdade, dentro da nossa área ainda existe uma certa competitividade acirrada, onde, logicamente, um quer sempre valorizar e divulgar o seu trabalho. Mas isso às vezes acaba atrapalhando a classe. Ainda bem que, depois de um tempo, tive a oportunidade de aprender com professores que estavam sempre dispostos a ensinar. Foi o caso de grandes chefs da cozinha brasileira como a Renata Broune e o Alex Atala. Essa experiência foi muito importante para o meu aprendizado. O Alex Atala, por exemplo, é um grande divulgador dos nossos temperos. Isso me chamou atenção, porque muitas vezes essa valorização não é feita por chefs da nossa região. Vendo isso, despertou em mim um interesse maior em trabalhar com as variedades que encontramos aqui.

V.O.P - Morar em uma região que é rica em sabores é bom para que os profissionais abusem da criatividade e explorem bem essa diversidade?

E.D - Com certeza. Um exemplo disso foi o Ver-o-Peso da Cozinha Paraense do ano passado, quando usei em uma receita a "catinga-de-mulata". As pessoas ficaram surpresas porque é uma erva exótica, usada no interior do nosso estado para tomar banho de cheiro. Descobri que ela é muito boa para usar em carne branca, tanto que usei para dar aroma ao arroz com tucumã, que fiz junto com um filhote no molho de castanha-do-pará.  A experiência foi maravilhosa. Até mesmo os paraenses se admiraram, porque não sabiam que a gente podia fazer essa mistura.

V.O.P - Trabalhar em eventos gastronômicos que envolvem a culinária de vários países lhe dá um grande acervo gastronômico. Como você se preparou?

E.D - Realmente é um conhecimento bastante válido, porque você passa a conhecer a culinária de outras regiões, outras culturas... Mas, antes de elaborar esses pratos, são feitas várias pesquisas. Além disso, também passei por treinamentos e cursos que me fizeram conhecer mais cada tipo de culinária.

V.O.P. – Qual seu prato preferido?

E.D. - Sou umachef apaixonada por risoto, seja pra comer ou pra cozinhar. Se tiver uma confraternização entre amigos, minha preferência é fazer um bom risoto. Ainda mais se for com frutos do mar, brócolis... Fora os temperos típicos da nossa região.

V.O.P – Como você se sente ao participar de eventos importantes para o cenário gastronômico da região, como o Ver-o-Peso da Cozinha Paraense?

E.D. - Um evento dessa grandiosidade vem para valorizar e dar o devido reconhecimento à culinária paraense. Nossa cozinha ainda não é tão conhecida quanto deveria ser lá fora, e um festival como esse é importante para mostrar o que temos de bom para oferecer. O chef Paulo Martins abriu essa porta pra gente e deixou um legado muito grande.

V.O.P – O que um bom chef de cozinha precisa ter?

E.D. - Precisa ser humilde para aprender e também ter a capacidade de repassar isso adiante. Até porque todo chef já foi aprendiz algum dia e precisou um pouco de atenção. Essa é uma atitude que também ajuda a crescer. Esse ano, por exemplo, estou planejando ir para o sul do país, fazer cursos e atualizações, para não ficar parada. Outra característica essencial é saber usar a criatividade, ter liberdade para escolher e fazer os pratos. Aqui onde trabalho, a gente tem essa a liberdade para criar. E isso é bom para todo profissional, principalmente nessa área onde se depende de inspiração e criatividade.

Mais informações sobre a programação completa do Ver-o-Peso da Cozinha Paraense estão no site www.veropesodacozinhaparaense.com.br

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