Brasileiros que partem para a Europa fazem a rota que ainda guarda o ranço de riquezas levadas para as metrópoles. A gente vem pra cá achando que tem direito a um espaço. E que tudo, de alguma forma, dará certo. Saí d’O Meio do Mundo, de uma cidade grande estirada sobre uma ponta da floresta, para um ambiente bucólico e rural do Velho Continente. Um paradoxo para não perder o equilíbrio, nos passos iniciais do caminhar.
Da primeira vez era noite. Quando cruzei a fronteira entre Alemanha e Áustria, sabia que era também o início dos Alpes austríacos, que o relevo se alteraria consideravelmente rumo ao alto, que paredes se ergueriam com e ao redor da estrada.
Já estava lá e, como em todo o período anterior de expectativas, eu ainda imaginava. O Tirol se mostrava aos poucos, com sopés que pareciam sustentar montanhas de escuridão. Uma tentativa do chão em sustentar a noite. Mal sabia o quão bem-sucedido ele era.
A História lega ao hoje estado do Tirol um território esfacelado, disputado, reconstituído. A nobreza tirolesa que por séculos foi a condutora do Império Austro-Húngaro não conseguiu, de Viena, a distante capital imperial, amainar os conflitos que repartiram a sua própria região entre Áustria e Itália, anos mais tarde. A rica província mistura características italianas em sua região de cultura germânica e o quase predomínio da língua alemã em sua porção itálica. Não é mesmo tão simples. É como pensar em dois povos que se sentem o mesmo, porém divididos entre duas bandeiras.
O dialeto tirolês é diferenciado. Brasileiros, em geral, consideram a língua alemã muito forte, dura, militarizada até. Este parâmetro tem algum sentido, é verdade, ao se considerar o “alto alemão” (Hochdeutsch). Mas no Tirol, a pronúncia dos habitantes une o erre gutural dos bávaros e suíços com a entonação mais melodiosa dos italianos, resultando numa oralidade imprevisível. É o alemão falado de uma forma engraçada, leve. Quase uma sátira.

O povo deste estado é essencialmente camponês. Pessoas profundamente ligadas à natureza do seu lugar. A natureza montanhosa que, impecavelmente respeitada, retribui a seus habitantes com belíssimas paisagens, cenários impressionantes. Tudo isso se conserva da forma mais simples: educação e consciência ambientais. Reitera, assim, que a dádiva de enxergar pode descobrir-se como o talento de ver.
De maneira inevitável, a vocação deste lugar é essencialmente turística. Falo de um turismo economicamente tão rentável que mantém o Tirol como o mais rico estado austríaco, à frente da cosmopolita capital Viena (que tem status de estado) e de Öberösterreich, o centro industrial do país.
O inverno é a estação mais fascinante. Neve em planície é algo belo, sem dúvida. Mas neve nos Alpes é o enigma da prosperidade da região. Os esportistas de inverno de todo o mundo vêm para treinos e competições, turistas de todas as partes da Europa, austríacos e os próprios tiroleses ornamentam a imensidão branca e colorem os bolsos de uma economia que angaria muitos de seus fundos desta febre gelada (não podia perder essa!).
Innsbruck é a capital. O nome alude ao rio Inn e à palavra Bruck (ponte, em alemão), o que equivale a Ponte sobre o Rio Inn. Cidade com tradição em eventos esportivos de grande porte: já sediou dois Jogos Olímpicos de Inverno e sediará os Jogos Olímpicos da Juventude em 2012. Porta de entrada do Tirol, a cidade reúne todas as principais características arquitetônicas de cidades europeias maiores e lembra Viena, Munique e Zurique. Com infraestrutura hoteleira, serviços e transporte de qualidade, a tradicional Innsbruck se renova com os hábitos joviais da enorme população universitária. As lojas, restaurantes e edifícios históricos do centro sempre bastante movimentados com o vaivém de turistas e moradores. Os estudantes dão o tom do entretenimento na cidade. Com uma vida noturna agitada pela grande quantidade de jovens habitantes, Innsbruck possibilita ao turista ou morador que se divirta com programações baratas ou, mesmo, de graça. Como a maior parte do público consumidor ainda está estudando (e alega não ter dinheiro), o mercado se adapta com alternativas em conta e todos ganham.
Em dias ensolarados, as duas margens do Rio Inn se enchem de pessoas estiradas sob o sol, em grupos de amigos ou sozinhas imersas em leituras; famílias passeiam, indivíduos de todas as idades praticam atividades físicas das mais diversas; artistas exibem sua arte e a cidade brilha, alegre, com os reflexos dos raios solares nas águas calmas, nos prédios coloridos e nas montanhas que, mesmo nos verões mais escaldantes, conservam em seus cumes o gostinho de inverno que é o charme do Tirol.

Comentários
Neal Adams
July 21, 2022 at 8:24 pmGeeza show off show off pick your nose and blow off the BBC lavatory a blinding shot cack spend a penny bugger all mate brolly.
ReplyJim Séchen
July 21, 2022 at 10:44 pmThe little rotter my good sir faff about Charles bamboozled I such a fibber tomfoolery at public school.
ReplyJustin Case
July 21, 2022 at 17:44 pmThe little rotter my good sir faff about Charles bamboozled I such a fibber tomfoolery at public school.
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