Uma capital com mais de 1,5 milhão de habitantes que consegue manter os ares das pequenas e aconchegantes cidades europeias e onde é possível, a cada cinco ou dez metros, achar um pub, uma igreja e uma loja de presentes. Em um resumo rápido, essa é Dublin, a capital da Irlanda, país situado em uma ilha banhada pelo Oceano Atlântico e inserido no continente europeu. Frequentemente deixada de lado nos pacotes de viagem e excursões à Europa por exigir trajeto ou de avião ou de navio, a capital irlandesa, de perto, oferece uma experiência das mais agradáveis a quem se atreve a conhecê-la e surpreende pela beleza das ruas e construções que podem ser conhecidas a rodo mesmo a pé.
Há pouco tempo, o país viveu uma de suas datas mais celebradas, o Halloween, que no Brasil é conhecido como o Dia das Bruxas, comemorado em 31 de outubro. É impossível não se contagiar com o clima que toma conta da cidade. Todos, desde os transeuntes aos atendentes de lojas, bares e motoristas de ônibus saem de casa fantasiados e sem pudor em pedir doces ou oferecer travessuras a quem quer que encontrem. A data tem outro valor especial: é uma das últimas antes do início do inverno, que costuma ser pouco piedoso a quem não gosta muito de frio, especialmente pelas ventanias, que tornam a sensação térmica bastante baixa mesmo durante o dia.
As hospedagens em hotéis e hostels, como em quase toda a Europa, oferecem opções para todos os tipos de orçamento e com acomodações confortáveis. O centro da cidade vale os tours a pé – Dublin é desenhada de tal maneira que com um simples mapa ou GPS de celular é possível chegar a quase qualquer ponto turístico sem dificuldade ou necessidade de pegar ônibus ou táxi – que saem de vários pontos da cidade, dentre eles, o prédio da Prefeitura, rumo aos monumentos e marcos históricos. Destaque para o Castelo de Dublin, na Dame Street, local em que a Irlanda foi declarada oficialmente um país, em 1922, e palco do “Domingo Sangrento” (Bloody Sunday) de 1920, quando dois oficiais do Exército Republicano Irlandês e um amigo dos dois foram assassinados nos campos do complexo ao tentar fugir, no auge do movimento britânico contra o separatismo irlandês. Uma conferida nos parques, especialmente no final da tarde, também vale a pena. Uma boa dica é o St. Stephen’s Green, com seu lago repleto de patos.
Não se espante de encontrar um ou bem mais que um brasileiro em Dublin. A cidade é cheia dos nossos compadres, principalmente pelo fato de que ao conseguir um visto de estudante para a capital irlandesa, o imigrante está autorizado a trabalhar. Os relatos são sempre parecidos: foram estudar seis meses, gostaram da cidade, buscaram novos cursos, e consequentemente, a renovação da permanência no país.

Naturalmente, toda grande cidade tem uma catedral, mas Dublin possui duas, e ambas de estilo gótico – como a maioria das igrejas da cidade. A Christ Church Cathedral, construída no século XI, e a famosa Catedral de São Patrício, que surgiu no século seguinte e faz referência ao maior feriado irlandês, o Dia de São Patrício (Saint Patrick), um dos padroeiros da Irlanda, celebrado em 17 de março, dia em que as pessoas saem às ruas vestindo verde e não se acanham em tomar um pint (medida comumente utilizada no Reino Unido e que equivale a pouco mais de meio litro) de cerveja – ou outras muitas mais. Até mesmo países como os Estados Unidos reconhecem e celebram a data.
Falando em cerveja, é fato mundialmente conhecido que irlandeses adoram qualquer evento que envolva uma boa bebida. Inclusive é de lá que vem uma das cervejas mais conhecidas do mundo, a Guiness, criada em 1759, que tem a harpa como símbolo – em homenagem ao líder Brian Boru, que guiava os exércitos às lutas carregando uma harpa nas costas e morreu em 1014, na Batalha de Clontarf, contra os vikings. Assim como em Amsterdã, na Holanda, a visita à fábrica da Heineken é parada obrigatória aos apreciadores da bebida, o mesmo vale para a fábrica da Guiness, que oferece tours diários aos seus visitantes. Para quem gosta de uísque, vale aproveitar o fato de se estar na terra do uísque Jameson, criado em 1780 pelo escocês John Jameson que nem imaginava, ao adquirir uma pequena destilaria em Dublin, estar criando uma marca que se tornaria das mais famosas no país. Curiosidade: em uma junção quase profana, as marcas Guiness e Jameson são responsáveis pela manutenção, respectivamente, da Cadetral de São Patrício e da Christ Church Cathedral.

O conceito de pub em Dublin é um pouco mais amplo do que o conceito brasileiro da palavra. Bebida é apenas um dos itens oferecidos, e geralmente o cardápio oferece deliciosos pratos, dentre eles, o celebrado ‘guisado irlandês’, cujo molho tem (como não poderia deixar de ser) a Guiness como base. O Temple Bar, uma espécie de bairro que agrega os melhores pubs de Dublin, é o local para essa experiência. O estilo é praticamente igual em quase todos eles, com baixa iluminação e estruturas internas em madeira, mas vale a pena apreciar mais de um, e dá para fazer a qualquer hora do dia, já que eles se encontram abertos desde o período da manhã. Uma dica para quem tem pouco tempo e quer conhecer a noite irlandesa são os Pub Crawls, que envolvem um pequeno tour entre cinco ou seis diferentes em uma mesma noite e cujo ingresso pode ser adquirido em qualquer recepção de hotel ou hostel.
Viagem sem levar souvenir para casa não é viagem, e os irlandeses entendem disso também. Lojas como a Carrols e Coleman oferecem desde camisas, chaveiros e ímãs de geladeira aos emblemáticos chapéus de leprechauns (gnomos ou duentes, considerados guardiões de tesouros escondidos), fantasias, bolsas, malas e muito mais. Um verdadeiro desafio ao autocontrole e ao limite do cartão de crédito.
Ah, e sobre o título desta matéria, o ditado irlandês parece cada vez mais justo à atmosfera de Dublin. Só vivendo os dias nublados e de muitos pints, para entender.
Como chegar
Nenhuma companhia aérea que opera voos domésticos no Brasil leva direto a Dublin, somente as internacionais, e um voo Belém-Dublin, dependendo da época, pode ultrapassar os R$ 5 mil. Então a dica é, pela única operadora que realiza vôos domésticos e também para a Europa, ir, com escala certa em São Paulo, principalmente, a países como França, Alemanha, Espanha, Itália ou Inglaterra, e de lá ir de avião (mais prático e menos tempo de viagem) ou de navio para a capital irlandesa. Há uma boa quantidade de empresas que fazem esse trajeto aéreo, e um voo, por exemplo, Frankfurt-Dublin-Frankfurt fica em torno dos 150€ (algo em torno de R$ 420).

Comentários
Neal Adams
July 21, 2022 at 8:24 pmGeeza show off show off pick your nose and blow off the BBC lavatory a blinding shot cack spend a penny bugger all mate brolly.
ReplyJim Séchen
July 21, 2022 at 10:44 pmThe little rotter my good sir faff about Charles bamboozled I such a fibber tomfoolery at public school.
ReplyJustin Case
July 21, 2022 at 17:44 pmThe little rotter my good sir faff about Charles bamboozled I such a fibber tomfoolery at public school.
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