Quando Maria Antonia Jiménez saiu de Cuba, seu país de origem, o destino e o motivo eram certos: morar em Belém e aqui dar aulas de música. Vinte anos após esta difícil decisão, nada de arrependimentos. Pelo contrário: a atitude corajosa rendeu novas amizades, outras percepções de uma realidade (antes longínqua) e premiações internacionais na regência do coro da Fundação Carlos Gomes, onde é professora titular.
Após concluir sua formação básica em piano e coro em duas cidades cubanas, Guantánamo e Havana, Maria Antonia morou na Rússia, onde formou-se pelo Conservatório de San Petersburgo. Lá, em meio a uma vida de estudos, a vocação se revelou. “Eu adoro o que faço. Ver o brilho nos olhos dos meus alunos em uma apresentação é um prazer imensurável. Para muitos, é uma nova porta que se abre”, reflete.
Repassar conhecimento, descobrir novos caminhos, fazer da arte um instrumento social. Nesta entrevista, a musicista fala sobre sua trajetória e sobre aquilo em que mais acredita: o poder transformador da música.
_revista_leal_moreira_ab8006b0eb6.jpg)
Bom, primeiro gostaria de saber como você veio parar em Belém...
Quando eu estava na Rússia, estudando Regência em Coro, conheci muitos brasileiros. Entre eles, o Andi Pereira, um dos maiores entusiastas da música clássica em Belém, que se tornou, inclusive, o primeiro maestro sinfônico do Theatro da Paz. Ele me indicou para trabalhar como professora na fundação Carlos Gomes, isso há 17 anos. A escola não tinha qualquer professor com formação em coro e eu topei este desafio. Era pra ser só por dois anos, mas aí eu fui ficando, ficando...
E como foi este processo de adaptação?
Logo no começo foi difícil. Eu estava longe da minha família, do meu noivo... Mas encarei como um desafio mesmo. Quando cheguei à Fundação Carlos Gomes, ainda não existia um coro na escola. Eu fundei um grupo, que até hoje atua e participa de concursos nacionais e mundiais. Comecei a me relacionar com as pessoas a fazer amigos. Além disso, descobri como o nortista tem uma sensibilidade aflorada para a música.
Então o paraense tem facilidade para aprender música?
Nossa, muito! É um povo extremamente musical. Eu realmente fico impressionada com esse senso mesmo, de ritmo. Os alunos que passam pela Fundação Carlos Gomes normalmente seguem a carreira e rápido a gente vê estes pequeninos pelo mundo, trabalhando com música. É uma alegria participar deste momento de descoberta e ver como a música erudita pode abrir novas formas de se relacionar com o mundo.
E você acha que isso tem a ver com a relação dos brasileiros com a música popular?
Acredito que sim. Me lembra a relação do cubano com a música também, de ser um povo cujos ritmos são fortes. E eu acho que é muito importante esse conhecimento ser ampliado, sabe. A música clássica tem este poder. Trata-se de outra esfera de sensações. É mesmo música para alma.
E como você acha que a música erudita pode ajudar na formação das pessoas?
A música erudita abre portas. Eu normalmente me dedico a trabalhos sociais, como a Orquestra Brasileira de Belém, em que sou regente há cinco anos, pois acredito mesmo no poder transformador da música. Me lembro quando era jovem e estudei no Conservatório de San Petersburgo. Ali, meus olhos se abriram para o universo das artes e isso mudou minha vida. Eu desejo isso para os meus alunos.
Então, após 17 anos de dedicação à música, a sensação é de dever cumprido?
Completamente! Amo o que eu faço e amo o lugar onde vivo. Eu e meu marido criamos nossa filha aqui, que hoje está cumprindo uma trajetória muito parecida com a minha, estudando música em Cuba. Então, amamos este lugar e eu me sinto plena com as minhas decisões. O que espero das pessoas é que cada vez mais elas olhem para a música clássica como uma possibilidade de mudança. E isso tem a ver até mesmo com apostar em projetos que tenham a ver com arte. Eu sempre estarei nesta luta e, assim, vou vivendo feliz.
Para continuar na atmosfera proposta pela regente cubana, confira a 31ª edição da Revista Leal Moreira, que traz como matéria destaque uma entrevista exclusiva com o Buena Vista Social Club, além de um passeio turístico por San Petersburgo, na seção "Enquanto isso". Acesse:

Comentários
Neal Adams
July 21, 2022 at 8:24 pmGeeza show off show off pick your nose and blow off the BBC lavatory a blinding shot cack spend a penny bugger all mate brolly.
ReplyJim Séchen
July 21, 2022 at 10:44 pmThe little rotter my good sir faff about Charles bamboozled I such a fibber tomfoolery at public school.
ReplyJustin Case
July 21, 2022 at 17:44 pmThe little rotter my good sir faff about Charles bamboozled I such a fibber tomfoolery at public school.
Reply