Por muito tempo, o Palacete Miranda Corrêa foi uma presença silenciosa na movimentada Avenida Governador Magalhães Barata, no bairro de São Brás. Em frente ao Parque da Residência, a construção do início do século XX permaneceu sem uso em Belém. Agora, o imóvel será restaurado para ganhar uma nova função comercial, abrigando uma concessionária da BYD.
A transformação prevista para o espaço reúne restauração, reforma e ampliação da área. A proposta já recebeu parecer favorável da Secretaria de Estado de Cultura do Pará (Secult), por meio do Departamento de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (DPHAC).
A proposta foi analisada no Parecer Técnico nº 027/2026/AP, que aprovou as intervenções previstas para o palacete. Antes da execução das obras, a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) deverá ser apresentada ao departamento responsável pela análise patrimonial.
O projeto de restauro do Palacete Miranda Corrêa é assinado pela arquiteta Thaís Toscano, uma das profissionais que integra a CASALIV, mostra imersiva que vai reunir arquitetura, arte, cultura, gastronomia e vivências em mais de 40 espaços em Belém. Na CASALIV, Thaís assina o ambiente Gabinete do Colecionador.
Entrevista à LiV, a arquiteta revelou a importância do projeto para sua carreira. "Assinar o projeto de restauro do Palacete Miranda Corrêa tem um significado muito especial para mim. Há quase 30 anos, minha trajetória profissional está profundamente ligada à arquitetura, ao restauro e à preservação do patrimônio de Belém. Ao longo desse tempo, tive a oportunidade de trabalhar em edifícios e projetos importantes da cidade, e cada novo restauro reforça uma convicção que orienta o meu trabalho", aifrmou.
"Preservar não significa congelar um edifício no passado, mas compreender sua história e criar condições para que ele continue fazendo parte da vida da cidade", completou Thaís.
Um casarão com mais de um século de história
O novo destino do imóvel também chama atenção para uma história que antecede em muito sua futura ocupação comercial. Construído no início do século XX, o Palacete Miranda Corrêa já aparecia em registros históricos de Belém.
O Guia do Estado do Pará, publicado em 1916, fazia referência ao “Palacete Miranda Corrêa dos engenheiros Maximino e Antonino Corrêa”. A construção preserva características arquitetônicas e elementos decorativos que remetem à trajetória da família, incluindo referências presentes em sua fachada.
Veja mais
Depois de décadas afastado da dinâmica da cidade, o palacete deverá voltar a ganhar circulação e visibilidade.

Entre o antigo e o contemporâneo
A proposta prevê a integração da arquitetura histórica a uma nova estrutura destinada ao funcionamento da concessionária. A ideia é adaptar o imóvel a uma função contemporânea sem perder sua relação com a paisagem e a memória arquitetônica de Belém.
Na avaliação técnica da Secult, as intervenções não devem comprometer a ambiência nem a visibilidade dos bens tombados pelo Estado localizados no entorno. O parecer favorável emitido para o projeto tem validade de 12 meses.
Segundo Thaís, depois de anos sem uso, o edifício agora tem a possibilidade de iniciar um novo ciclo. Adaptá-lo para receber a flagship da BYD representa um desafio especialmente interessante pelo encontro entre patrimônio e contemporaneidade. De um lado, um edifício histórico carregado de memória; do outro, uma marca ligada à tecnologia, inovação e sustentabilidade.
“O grande desafio é encontrar o equilíbrio entre preservar aquilo que dá identidade ao edifício e permitir que ele receba uma nova função. Quando conseguimos fazer isso, o restauro deixa de ser apenas uma intervenção física e passa a ser também uma forma de devolver o patrimônio à cidade”, destacou.
