Estampas não são apenas elementos decorativos. Ao longo da história da moda, diferentes padronagens passaram a representar épocas, movimentos culturais e até códigos de estilo. Algumas surgiram na alfaiataria, outras atravessaram fronteiras e muitas foram reinterpretadas por grandes grifes antes de se tornarem clássicos.
Mais do que acompanhar tendências, essas estampas permanecem relevantes justamente pela capacidade de se adaptar. Mudam as cores, os tecidos e as proporções, mas preservam características que permitem reconhecê-las. Abaixo, conheça algumas das padronagens que ajudaram a construir o repertório da moda.
Pied-de-Poule
Com seu desenho geométrico que lembra uma pegada de galinha, o Pied-de-Poule, ou “pé de galinha”, tem origem francesa e se tornou um dos símbolos da elegância clássica. A padronagem ganhou força na moda com nomes como Coco Chanel, especialmente a partir dos anos 1920.

Tradicionalmente associado a combinações sóbrias, como preto e branco ou preto e marrom, hoje aparece também em versões coloridas e em diferentes propostas, da alfaiataria a peças mais casuais.
Príncipe de Gales
Originário da Escócia, a estampa Príncipe de Gales é um tipo de xadrez formado pela sobreposição de quadrados e linhas finas e grossas. Popularizado pela realeza britânica, tornou-se uma das padronagens mais tradicionais da alfaiataria.

Embora tenha forte ligação com ternos e peças formais, também aparece em saias, casacos, vestidos e acessórios.
Argyle
Com seus característicos losangos sobrepostos, o Argyle tem origem escocesa e foi inspirado nos tartans do clã Campbell. A padronagem ganhou popularidade especialmente a partir das décadas de 1920 e 1930, primeiro em meias masculinas e depois em suéteres, coletes e cardigãs.

Hoje, mantém a estética vintage, mas também aparece em versões mais coloridas e contemporâneas.
Poá
As famosas bolinhas atravessaram décadas sem perder espaço na moda. O nome vem do francês "pois", que significa “ervilha”, em referência aos pontos distribuídos de maneira uniforme pelo tecido.

O clássico preto e branco permanece associado à elegância, mas o poá também ganhou diferentes tamanhos, cores e combinações, tornando-se uma das estampas mais versáteis do guarda-roupa.
Psicodélica
Formas distorcidas, linhas fluidas, espirais e cores vibrantes definem a estética psicodélica, diretamente associada aos anos 1960 e 1970.

A padronagem voltou a aparecer com força na moda contemporânea, inclusive em coleções de grifes como Emilio Pucci, Raf Simons e Collina Strada, que exploram seu caráter gráfico e ousado.
Tartan
Também conhecido como xadrez escocês, o Tartan é formado pelo cruzamento de linhas horizontais e verticais em diferentes cores. A padronagem possui forte relação com a cultura da Escócia e chegou a ser proibida pelo governo britânico no século XVIII como forma de repressão à identidade cultural local.
Veja mais

No século XX, o Tartan ganhou novas interpretações e passou a ser associado também à estética punk e à rebeldia, além de conquistar espaço na moda casual e na alta-costura.
Burberry Check
O xadrez da Burberry está entre as padronagens mais reconhecidas do mundo. A história da marca começou em 1856, na Inglaterra, quando Thomas Burberry abriu sua própria loja.

Décadas depois, o característico fundo bege combinado a linhas pretas, brancas e vermelhas se consolidou como assinatura visual da grife e passou a representar luxo e sofisticação.
Vichy
Com seus quadrados formados pelo cruzamento de linhas da mesma cor sobre fundo branco, o Vichy carrega uma estética delicada e atemporal. A padronagem tem origem associada à cidade francesa de mesmo nome e ganhou popularidade mundial especialmente nos anos 1950.

Antes de chegar às roupas, era comum em toalhas de mesa e peças de cama. A atriz Brigitte Bardot ajudou a transformar o Vichy em um símbolo fashion, levando a estampa para vestidos e acessórios.
Liberty
Pequenas flores distribuídas pelo tecido são a principal característica da estampa Liberty. Criada em 1875 pela Liberty of London, a padronagem ganhou fama por sua estética delicada, frequentemente associada ao universo vintage.

Versátil, aparece em vestidos, saias, blusas e lenços, além de também ser utilizada na decoração.
Paisley
Com formas curvas que lembram gotas ou lágrimas, o Paisley tem uma história que atravessa séculos. Sua origem está ligada ao antigo Império Sassânida, na região do atual Irã, e seus desenhos eram associados a símbolos de vida, eternidade, prosperidade e fertilidade.

A padronagem ganhou força na Índia, especialmente em xales artesanais, antes de chegar à Europa pelas rotas comerciais britânicas e se tornar um item de luxo.
Risca de giz
Clássica na alfaiataria, a risca de giz é formada por linhas finas e verticais sobre tecidos geralmente escuros. O padrão ganhou força na Inglaterra no fim do século XIX e se tornou associado aos tradicionais ternos masculinos.

Com o tempo, deixou de ser exclusividade da alfaiataria masculina e passou a aparecer também em saias, vestidos, calças e outras peças.
Animal print
Onça, zebra, cobra e girafa estão entre as referências mais conhecidas do animal print, uma das estampas mais recorrentes da história da moda.

A inspiração nas peles animais é muito antiga, embora inicialmente estivesse relacionada à proteção contra o frio e não à estética. Na moda contemporânea, a padronagem ganhou diferentes interpretações e permanece presente em coleções, vitrines e passarelas ao redor do mundo.
