Entre em Contato

Endereço

Ed. Metropolitan Tower - R. dos Mundurucus, 3100 - Cremação, Belém - PA

Telefone

+55 (91) 4005-6800
Carregando clima...
Carregando bolsa...
Disputa por talentos faz empresas transformarem cultura e reputação em vantagem competitiva no mercado de trabalho

Por muito tempo, a lógica dos processos seletivos pareceu seguir uma direção bastante clara: os profissionais precisavam convencer as empresas de que eram as melhores pessoas para ocupar uma vaga. Em um mercado marcado pela escassez de determinadas competências, no entanto, essa relação ganhou uma nova camada. Agora, as empresas também precisam mostrar por que vale a pena trabalhar para elas.

O cenário ajuda a entender essa mudança. A Pesquisa de Escassez de Talentos 2026, realizada pelo ManpowerGroup com mais de 39 mil empregadores em 41 países, mostra que 80% das empresas brasileiras enfrentam dificuldades para encontrar profissionais com as competências de que precisam. O percentual está acima da média mundial, de 72%, e permanece praticamente estável em um patamar elevado nos últimos anos.

Ambiente de trabalho tem sido fator importante para atrair bons profissionais. (Foto: Divulgação)

Nas empresas de maior porte, a disputa é ainda mais evidente. Entre as organizações brasileiras que possuem de 1000 a 4.999 funcionários, 90% relatam dificuldade para encontrar talentos. Nos negócios com mais de 5 mil colaboradores, são 82%.

É nesse contexto que uma expressão até pouco tempo mais restrita aos departamentos de Recursos Humanos ganhou espaço nas estratégias empresariais: employer branding, ou marca empregadora. Mais do que divulgar vagas e benefícios, o conceito envolve a construção da reputação de uma organização como lugar para desenvolver uma carreira.

Quando encontrar profissionais se torna um desafio

A escassez não significa necessariamente falta de pessoas disponíveis para trabalhar. O problema está, muitas vezes, no encontro entre as competências procuradas pelas organizações e aquelas disponíveis no mercado.

No Brasil, os setores de Serviços Profissionais, Científicos e Técnicos aparecem no topo dessa dificuldade em 2026: 85% dos empregadores do segmento relatam problemas para contratar. Em seguida vem o setor de Informação, com 83%. Desenvolvimento de modelos e aplicações de inteligência artificial, letramento em IA e competências relacionadas a TI e dados estão entre as habilidades técnicas mais procuradas pelos empregadores brasileiros.

Pesquisa aponta que escassez não significa falta de profissionais. (Foto: Divulgação)

O avanço acelerado da tecnologia ajuda a explicar parte desse movimento, mas não é o único fator. Mudanças nas expectativas dos trabalhadores e nos modelos de trabalho também tornam a disputa mais complexa.

Diante disso, contratar deixou de significar apenas encontrar alguém que corresponda às expectativas da empresa. Para profissionais com competências muito demandadas, a escolha também acontece no sentido contrário: qual empresa oferece as condições mais interessantes para construir uma carreira?

Salário e benefícios continuam fazendo parte dessa equação, mas aspectos relacionados ao ambiente, à possibilidade de crescimento, à flexibilidade, à liderança e à própria identificação com a organização também entram na conta.

O que é employer branding?

É justamente nesse ponto que entra a estratégia de employer branding. Enquanto a marca tradicional procura construir uma imagem positiva diante de consumidores, a marca empregadora olha para a percepção de funcionários, candidatos e potenciais talentos sobre a empresa como local de trabalho.

Empresas têm buscado cada vez mais construir uma boa imagem. (Foto: Divulgação)

Isso envolve desde remuneração, benefícios e oportunidades de carreira até ambiente organizacional, propósito, modelos de liderança e a maneira como a experiência dos funcionários é apresentada publicamente.

As redes sociais ampliaram esse processo. Antes mesmo de enviar um currículo, um candidato pode pesquisar a empresa, observar como funcionários falam sobre o trabalho, acompanhar conteúdos publicados por profissionais da organização e procurar avaliações sobre a experiência de quem passou por ali. Dessa forma, a reputação construída internamente começa a interferir também na capacidade de recrutamento.

O resultado é que a comunicação corporativa sobre carreira deixa de depender exclusivamente da voz institucional. Os próprios funcionários passam a funcionar como uma espécie de vitrine da cultura da organização.

Vídeos mostrando rotinas de trabalho, histórias de profissionais que cresceram dentro da companhia, bastidores de projetos e conteúdos produzidos pelos próprios colaboradores ajudam potenciais candidatos a enxergar uma empresa para além da descrição de uma vaga.