O pedido de um drink sem álcool já não precisa terminar em uma mistura simples de suco, refrigerante e gelo. Nos bares e restaurantes, os chamados mocktails vêm ganhando receitas próprias, técnicas de coquetelaria e combinações pensadas para entregar aroma, textura, acidez e até amargor sem depender de uma dose de destilado.
A mudança acompanha um mercado em expansão. Dados da consultoria internacional IWSR apontam que o volume global de bebidas que funcionam como alternativas sem álcool, incluindo cervejas, vinhos, destilados e opções prontas para beber, deve crescer 36% até 2029. A projeção é que a categoria alcance mais de 18 bilhões de porções consumidas em 2029.

O Brasil também aparece com destaque nesse movimento. Entre 2022 e 2024, cerca de 13 milhões de brasileiros passaram a consumir produtos sem álcool, segundo a IWSR. A consultoria aponta ainda que sabor, disponibilidade e marca estão se tornando fatores importantes na escolha dessas bebidas, especialmente entre consumidores mais jovens.
Afinal, o que são mocktails?
O nome vem da combinação das palavras inglesas mock e cocktail e é utilizado para identificar coquetéis preparados sem álcool. Mas a proposta atual vai além de simplesmente retirar o destilado de uma receita tradicional.
Frutas, ervas, especiarias, xaropes artesanais, chás, infusões e bebidas fermentadas estão entre os ingredientes utilizados para construir receitas com diferentes camadas de sabor. A apresentação também recebe atenção semelhante à dos coquetéis tradicionais.

Essa maior complexidade ajuda a explicar por que os mocktails começam a ocupar um espaço próprio nos cardápios. Em alguns estabelecimentos, as bebidas sem álcool já recebem o mesmo trabalho de criação e preparo dedicado à coquetelaria convencional.
Ingredientes amazônicos ampliam possibilidades
Em uma região marcada pela diversidade de frutas, ervas e especiarias, a tendência também abre possibilidades para explorar ingredientes amazônicos na coquetelaria sem álcool.
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Cupuaçu, taperebá, bacuri e açaí podem contribuir com acidez, aromas e diferentes níveis de dulçor. Ingredientes como jambu, priprioca, cumaru e puxuri também oferecem caminhos para receitas mais aromáticas e complexas.
A lógica é semelhante à que vem transformando a gastronomia: valorizar ingredientes locais não apenas pela origem, mas pelas possibilidades de sabores que oferecem.
Beber menos sem deixar de brindar

O crescimento da categoria também está relacionado a consumidores que desejam reduzir o consumo de álcool, sem necessariamente abrir mão da experiência de sair para um bar, jantar ou brindar em uma ocasião especial.
Em pesquisa realizada pela IWSR em dez mercados, escolhas relacionadas a um estilo de vida considerado mais saudável apareceram entre as principais razões para o consumo de cervejas, vinhos e destilados sem álcool.
Nesse cenário, os drinks sem álcool deixam de ocupar um papel secundário. Mais do que substituir um coquetel tradicional, os mocktails começam a conquistar identidade própria e mostram que criatividade, técnica e uma boa combinação de sabores não dependem necessariamente de álcool.
