Muito antes de ser reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial, o Theatro da Paz já estava entre os destinos mais procurados por turistas e paraenses em Belém. Não só para os espetáculos de teatro, música e dança, mas também para as visitas guiadas, que acontecem desde 1995. Para quem acompanha o momento de imersão, o próprio Theatro se torna o espetáculo.
Protagonista de uma história que remonta o período conhecido como Belle Époque Amazônica, o Theatro da Paz é o símbolo de uma sociedade que tinha na cultura europeia a sua grande inspiração. Por isso, era o local onde os barões da borracha mostravam todo o seu poder econômico.

Essas e outras curiosidades, como os símbolos nos pisos, as pinturas nas paredes, o camarote destinado a Dom Pedro II, e nunca usado pelo imperador, além dos elementos arquitetônicos e polêmicas sobre o período da escravização, são descortinadas durante os 45 minutos em que que o grupo de visitantes é conduzido pelos espaços do imponente Theatro.

O coordenador de visitação do Theatro da Paz Vinícius Gomes explica que a programação surgiu a partir da curiosidade do público. “As pessoas querem saber o que tem dentro do Theatro. Muitas pessoas quando têm o primeiro contato, ficam deslumbradas, porque elas não imaginam que uma casa de espetáculos como essa está aqui em Belém, viva”, pontua.

Vinícius ainda conta que as pessoas que entram no local fazem muitas perguntas sobre os elementos que o compõem, mas que há alguns interesses que são recorrentes.
“A curiosidade mais importante é sobre o lustre. Antigamente, na inauguração do Theatro, tinha uma espécie de exaustor no local do lustre que retirava o ar quente da cúpula. O lustre foi colocado depois, com a função de embelezamento. Ele anunciava o início dos espetáculos, porque ele ficava no meio da sala e subia quando o espetáculo começava”, revela.

Uma história vista de perto
Para a estudante de Direito Laura Santos, a visita realizada no último domingo (16) teve ainda um significado pessoal. Conhecer o interior do Theatro da Paz era um plano antigo dela e do pai, adiado durante cerca de três anos até que a família finalmente conseguiu realizá-lo.

“Era uma promessa entre mim e meu pai de conhecer o interior do Theatro da Paz, conhecer a história, e finalmente a gente conseguiu realizar. Ficamos sabendo da história do lugar, de como as pessoas se portavam, dos detalhes, das pinturas, das paredes e do teto. O próprio piso tem uma história muito interessante”, conta.
A experiência, segundo Laura, também despertou a sensação de que ainda há muito da história paraense a ser descoberto pelos próprios moradores do estado.
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“A gente nem sente o tempo passar e, na verdade, fica até querendo mais. Acho que falta um pouco mais de oportunidade para que eu e a minha família consigamos conhecer a história do nosso estado, porque infelizmente nós não somos tão estimulados a conhecer a nossa própria história”, afirma.
Um Teatro com história
A história do Theatro da Paz começou antes mesmo do auge da Belle Époque que transformaria a paisagem de Belém. A pedra fundamental foi lançada em 1869 e o projeto ficou a cargo do engenheiro militar José Tibúrcio de Magalhães, que buscou inspiração nos grandes teatros europeus, especialmente no Teatro alla Scala, de Milão.
A construção respondia ao desejo de dotar a então capital paraense de uma casa de espetáculos à altura das transformações econômicas e culturais que a cidade começava a experimentar. Embora as obras tenham avançado ainda na década de 1870, o Theatro da Paz somente abriu as portas ao público em 15 de fevereiro de 1878, tornando-se a primeira grande casa de espetáculos construída na Amazônia.

O prédio, no entanto, não permaneceu exatamente como era no século XIX. Reformas realizadas ao longo de sua história modificaram e enriqueceram a construção. Uma das mais importantes ocorreu em 1904 e incorporou características ecléticas ao edifício originalmente neoclássico. Em seu interior, pinturas, lustres de cristal, elementos revestidos em folhas de ouro e o mosaico formado por diferentes madeiras ajudam a contar as diferentes fases dessa história.
A importância do monumento ultrapassou os limites do Pará. Em 1963, o Theatro da Paz foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Mais de seis décadas depois, em 2026, ganhou uma nova dimensão internacional ao ser reconhecido, ao lado do Teatro Amazonas, de Manaus, como Patrimônio Mundial Cultural pela Unesco.
Serviço | Visitas guiadas ao Theatro da Paz
Visitas Terça a sexta-feira: das 9h às 12h e das 14h às 17h
Duração: aproximadamente 45 minutos
Horários: visitas de hora em hora
Sábados e domingos: das 9h às 12h
Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada)
Às quartas-feiras: visitas guiadas espontâneas gratuitas
Venda de ingressos: exclusivamente na bilheteria do Theatro da Paz
Grupos acima de seis pessoas: é necessário agendamento prévio pelo e-mail visita@theatrodapaz.com
Capacidade: até 40 pessoas por visita
Orientação: chegar com 15 minutos de antecedência
