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YouTube movimenta mais de R$ 6 bilhões no Brasil e contribui para o PIB do país

Há uma economia inteira funcionando nos bastidores de um canal no YouTube. Enquanto o público acompanha vídeos, entrevistas, transmissões e recomendações, a atividade também movimenta estúdios, equipamentos, profissionais de comunicação, produtoras, agências, fornecedores e pequenos negócios.

Essa cadeia ganhou uma dimensão significativa no Brasil. Em 2025, o ecossistema criativo do YouTube contribuiu com mais de R$ 6 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e sustentou mais de 150 mil empregos equivalentes a tempo integral, segundo estudo realizado pela Oxford Economics em parceria com o YouTube.

Os números mostram como a chamada economia dos criadores deixou de ser uma atividade restrita à produção de vídeos e passou a integrar diferentes segmentos do mercado. Em entrevista exclusiva à Forbes Brasil, Eduardo Brandini, Head de Parcerias e Responsabilidade no YouTube Brasil, relacionou o resultado ao amadurecimento da plataforma e dos produtores que transformaram seus canais em negócios.

Da audiência ao negócio

Parte dessa transformação está ligada às possibilidades de monetização oferecidas pelo YouTube. Nos vídeos longos, mais da metade da receita publicitária é destinada aos criadores. Em recursos como assinaturas de membros, apoios e Super Chats em transmissões ao vivo, a participação pode chegar a 70%.

Atualmente, os produtores contam com mais de dez formas de gerar receita dentro da plataforma. Em alguns segmentos, essas alternativas já podem representar uma parcela importante do faturamento.

Clubes do livro e canais especializados em recomendações de produtos, por exemplo, têm criadores cuja receita obtida por meio do programa de afiliados chega a ser três ou quatro vezes maior que a gerada por anúncios. O YouTube também cita casos em que recomendações de canais literários contribuíram para a venda de 45 mil exemplares de um único livro em poucos dias por lojas parceiras.

O dinheiro que circula nos bastidores

À medida que um canal cresce, parte da receita tende a ser reinvestida na própria estrutura de produção. Aluguel ou compra de estúdios, equipamentos, contratação de redatores e editores e outros custos operacionais fazem com que os recursos gerados pelo conteúdo alcancem profissionais e empresas que não aparecem diante das câmeras.

O efeito se estende a diferentes setores. Agências, produtoras, gráficas, fornecedores de tecnologia e até o mercado imobiliário podem ser beneficiados pela expansão dessas operações.

Na música, por exemplo, uma produção pode envolver a locação de casas de shows, contratação de músicos de apoio e equipamentos de som. Na gastronomia, canais de culinária movimentam feirantes, pequenos produtores e mercados regionais por meio da compra dos ingredientes utilizados nos vídeos.

É esse movimento que ajuda a explicar o conceito de cadeia produtiva do conteúdo digital: a receita gerada por um canal pode circular por uma rede de profissionais e pequenos negócios antes de chegar ao consumidor final.

Criadores que também são empreendedores

A profissionalização também mudou a relação do próprio YouTube com quem produz conteúdo. Segundo a plataforma, a área de parcerias não tem como função gerenciar os canais, mas orientar estratégias de negócios dos empreendedores que construíram suas operações dentro do YouTube.

Quando um canal alcança determinadas métricas, o criador pode passar a contar com um gerente dedicado, responsável por auxiliar na definição de estratégias comerciais e na ampliação das fontes de receita.

O movimento acompanha o crescimento do número de canais que atingem patamares mais altos de faturamento. No Brasil, a quantidade de canais com receita de seis dígitos ou mais cresceu 25% em relação ao ano anterior. Já os que alcançaram cinco dígitos ou mais avançaram 40%.

Segundo Eduardo Brandini, o país já soma mais de 250 mil canais com pelo menos 10 mil inscritos, dos quais 4,5 mil ultrapassam 1 milhão de inscritos. A quantidade de canais que ganham a partir de R$ 10 mil cresceu mais de 40%, enquanto o grupo com receitas a partir de R$ 100 mil aumentou mais de 25%.

Uma porta para o mercado internacional

A dimensão do YouTube no Brasil também ultrapassa as fronteiras do país. A plataforma alcança mensalmente 130 milhões de brasileiros, enquanto mais de 15% do tempo de exibição de vídeos produzidos no país vem de espectadores estrangeiros.

Além disso, 72% dos criadores monetizados conseguem alcançar audiências internacionais, ampliando as possibilidades comerciais de conteúdos produzidos no Brasil.

Para pequenas e médias empresas, o YouTube também ganhou espaço como ferramenta de negócios. Segundo a pesquisa, 71% das PMEs que mantêm um canal na plataforma consideram o serviço essencial para o crescimento de suas empresas.

Do YouTube para outras carreiras

A plataforma também aparece como ponto de partida para profissionais que hoje atuam no mercado de mídia e entretenimento. Segundo o relatório, 85% dos profissionais que afirmam ter uma carreira consolidada no setor começaram sua trajetória no YouTube.

Outros 70% afirmam que a plataforma proporcionou oportunidades para criar e monetizar conteúdos que seriam difíceis de alcançar pelos meios de comunicação tradicionais.