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A vida entre notas musicais
Daniel Araujo conversou com a equipe de reportagem do site da RLM

 “Crescer em um ambiente cheio de boas referências musicais determinou meu caminho”. A afirmação do cantor Daniel Araújo sintetiza bem sua trajetória. De uma família apaixonada por arte e cultura, o paraense possui um currículo invejável: formou-se em bacharel em Canto pela UEPA  e alçou voos maiores nos Estados Unidos, onde fez mestrado na Universidade do Missouri – época em que fez diversas apresentações em óperas e solos em cidades americanas.


Uma história que combina dedicação e amor pela música. Na entrevista concedida ao site da Revista Leal Moreira, Daniel fala sobre seus diversos projetos e outras experiências profissionais que marcaram sua vida.


De onde vem seu interesse por música?
Sou de uma família muito musical. Meu pai era engenheiro civil, mas sempre quis estudar música. Já minha mãe estudou piano durante anos. Sou o filho mais novo e vi meus pais incentivando todos os meus irmãos a tocar algum instrumento. Lá em casa era comum ouvirmos música clássica e nomes como Gilberto Gil, Chico Buarque. Quando a gente é educado desde cedo a escutar boa música, nossos ouvidos se sensibilizam para as artes.


E como o interesse pelas artes determinou sua profissão?
Eu realmente tentei escapar da música, por isso durante muito tempo mantive minha paixão como hobby. Cursei Engenharia Mecânica, mas nunca abandonei o estudo musical: com treze anos fiz piano, aos 15 já tinha feito um recital de piano. Depois cheguei a estudar percussão, violino e violão. Aos 17 anos descobri o canto, por meio de minha irmã, que já fazia o curso na Fundação Carlos Gomes. Fiz audição e logo de cara a professora percebeu que eu tinha potencial para solista. Aquilo me assustou, pois sempre fui muito tímido. Quando eu percebi, já estava totalmente envolvido no universo da música. Desisti das outras áreas e fiz vestibular para Bacharelado em Música, com habilitação em canto, pela Universidade do Estado do Pará. Foi ali que tive certeza que era um caminho sem volta! (risos)


Você se dedicou bastante aos estudos acadêmicos. O que significou uma formação técnica em canto para o seu desenvolvimento?
Foi muito importante. Foi nesse período em que estudei na Fundação Carlos Gomes, onde fiz cursos. No Ensino Médio fui aluno de pessoas como a professora Marina Monarcha e logo depois, na faculdade, da professora búlgara Malina Mineva. As duas foram essenciais para a minha formação. Eu sempre me dediquei mesmo a aprender e é importante o espaço acadêmico para a disciplina que este ofício exige. O que aprendi na época em que estudei na Universidade do Missouri também foi fundamental para minha formação, além do mais vivi muitas coisas morando fora do meu país.


Você fez muitas apresentações pelos Estados Unidos, na época em que estudou por lá. Quais são as principais diferenças que você sente entre um país e outro?
O Brasil ainda tem dificuldade de reconhecer um cantor lírico. Nos Estados Unidos é impressionante: um solista é tratado como um grande artista. São ótimos cachês, tratamento especial e o clamor do público mesmo. Mas mesmo assim eu preferi vir para cá. Eu bem que poderia estender meu tempo de estudos, mas sempre tive um objetivo: voltar para Belém e retornar tudo aquilo que aprendi aqui. E, graças a Deus, eu consegui. Durante quatro anos fui professor do curso de Bacharelado em Canto na UEPA, até que me tornei superintendente da Fundação Carlos Gomes – que foi uma experiência muito interessante, que me fez entender um pouco mais de administração e dos processos burocráticos no meio cultural. Acredito que temos que colaborar com nosso conhecimento no lugar que nos oferece novas possibilidades. Foi em Belém que eu aprendi a base do que sei, então é aqui que eu também quero ensinar.


Além de se dedicar a música clássica, você também passeia por outros estilos, principalmente a MPB. Quais são os seus projetos e o que podemos esperar para este ano?
Então, eu tenho uma formação eclética mesmo, mas de boa qualidade. Isso influenciou nas minhas escolhas. Além de ser muito envolvido com música clássica e erudita, eu já cantei com muitos cantores locais, de música popular. Atualmente tenho me dedicado ao Jazz. Canto com a Amazônia Jazz Band e este ano estou na expectativa de gravar um disco com só com este estilo. Além disso, também continuo com meus projetos junto com o coral Vozes da Amazônia.

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