O governo federal estuda uma mudança histórica no setor nuclear brasileiro ao propor a abertura da mineração de urânio ao investimento privado. A medida permitiria que empresas privadas participassem da exploração do mineral em parceria com a Indústrias Nucleares do Brasil (INB), desde que a estatal mantenha pelo menos 20% de participação em cada empreendimento.
A proposta representa a maior mudança no modelo de exploração de urânio desde a criação da INB, em 1988, e ocorre em um momento de crescimento da demanda mundial por energia nuclear e de restrição na oferta global de urânio.
Confira os principais pontos da proposta.
1. O que muda com a abertura da mineração de urânio?
A proposta autoriza a INB a formar parcerias com empresas privadas para explorar, processar, industrializar e comercializar urânio e outros minerais nucleares.
Hoje, a exploração do urânio é concentrada na estatal. Com a mudança, investidores privados poderão participar dos projetos, enquanto a INB manterá uma participação mínima de 20%, preservando sua atuação estratégica no setor.
Segundo a minuta em análise, o parceiro privado ficará responsável pelos investimentos necessários para desenvolver os empreendimentos.

2. Por que o governo quer abrir o setor?
A proposta busca ampliar os investimentos na cadeia do combustível nuclear e aumentar a produção nacional de urânio.
Atualmente, o Brasil possui uma das maiores reservas de urânio do mundo, mas produz muito menos do que poderia. A única mina em operação fica em Caetité, na Bahia, e não consegue suprir toda a demanda das usinas nucleares de Angra dos Reis.
Com a entrada do capital privado, o governo espera acelerar novos projetos, dividir riscos financeiros e reduzir os gargalos que limitam a produção.
3. O mercado mundial vive alta demanda por urânio
A abertura do setor brasileiro acontece em um cenário de expansão da energia nuclear.
Diversos países estão prolongando a vida útil de reatores e construindo novas usinas para aumentar a geração de eletricidade e reduzir as emissões de carbono.
Ao mesmo tempo, a produção mundial de urânio enfrenta dificuldades para acompanhar o crescimento da demanda, criando oportunidades para novos produtores.
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Segundo a INB, cerca de 70 novos reatores deverão entrar em operação nos próximos anos, aumentando a necessidade de combustível nuclear.
4. Brasil possui grandes reservas, mas produz pouco
Embora detenha cerca de 3% das reservas mundiais de urânio, o Brasil ainda ocupa uma posição modesta na produção global.
As estimativas indicam que o país possui entre 165 mil e 276 mil toneladas de reservas do mineral, colocando-o entre os dez países com maior potencial.
Mesmo assim, a produção nacional ainda é insuficiente para abastecer integralmente as usinas nucleares brasileiras.
A estratégia da INB é dobrar a produção de concentrado de urânio (yellowcake) para cerca de 800 toneladas por ano na unidade de Caetité.

5. Empresas estrangeiras já demonstram interesse
Segundo o presidente da INB, empresas da China, França, Rússia e Canadá já procuraram a estatal para entender como poderão participar de futuras parcerias.
A expectativa é que a abertura do mercado aumente os investimentos no setor, fortaleça a cadeia nacional do combustível nuclear e prepare o Brasil para atender à crescente demanda internacional.
O que acontece agora?
A proposta ainda está em análise na Casa Civil e no Ministério de Minas e Energia e pode sofrer alterações antes de ser publicada.
Se aprovada, a medida poderá marcar uma nova fase para a mineração de urânio no Brasil, ampliando a participação da iniciativa privada em um setor considerado estratégico para a segurança energética e para o desenvolvimento da energia nuclear no país.
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