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Ode musical ao vinho

'Suíte Bacchus' é mais uma das composições de Salomão que integra sua 'fase de Suítes', como ele mesmo define. Também fazem parte desse momento várias outras músicas que integram um único contexto, as suítes  "Amazonas", premiada internacionalmente; ‘Olímpia', composta para celebrar o centenário do famoso cinema paraense Olympia (o mais antigo cinema brasileiro ainda em funcionamento), e 'Outubro', inspirada no Círio de Nazaré.

“Tenho feito suítes há alguns anos e elas me atraem por serem uma forma de composição que me permite muitas possibilidades. Tendo uma fonte inspiradora, um tema, você constrói as canções como se estivesse fazendo a trilha de um filme. É um som para retratar aquele ícone ou tema, dar unidade”, explicou Habib. Segundo ele, ‘Baco’ ou ‘Bachus’, o deus grego do vinho, foi a figura escolhida para dar nome à suíte, pelo fato de personificar o prazer da degustação e do entorpecimento provocado pelo vinho.

“Eu gosto muito de vinho e fiz questão de obedecer a esses critérios geográficos para homenagear as regiões e tentar interpretar musicalmente os sabores e características desses vinhos”, contou Salomão.  Durante cada andamento da Suíte [com aproximadamente 10 minutos de duração], o músico busca a melodia da bebida sagrada. “É que você degusta essa bebida com todos os sentidos menos a audição, então eu brinco com o ‘tim-tim’ do brinde, para que você ‘ouça o vinho’”.
 
E para promover um passeio sensorial pelas atmosferas de cada região produtora de uvas tradicionais, o músico buscou referências bem específicas, como as composições impressionistas de Claude Debussy. “Achei que tinham tudo a ver com a Caubernet Sauvignon, considerada a ‘rainha das uvas’ e que oferece sensações diversas e abstratas, tal qual a música de Debussy, com suas progressões que se libertaram dos padrões da época”, frisou Salomão Habib.
 
“Fiz uma música flamenca, que casa com a uva do tipo Tempranillo; uma Tarantella, ritmo frenético que combina com o aroma marcante da Barbera”, enumerou o músico. Ao longo do concerto, a plateia vai passeando pelos andamentos da suíte e mergulhando nos movimentos como o da Touriga, uma uva portuguesa característica da região do Dão [que provoca um fado]; e a Pinot Noir, que por sua leveza e delicadeza, inspirou Salomão a compor uma canção de ninar.
 
As honras de encerram a suíte ficam com a popular Malbec, uva que apesar de ter origem francesa, é muito difundida na Argentina e provocou a criação de um dramático Tango.
 
No palco do centenário teatro, o violinista ainda receberá alguns convidados especiais, como o guitarrista Delcley Machado, a soprano Dione Colares e o poeta, escritor e parceiro recorrente de composições, João de Jesus Paes Loureiro. Eles cantarão e declamarão peças de destaque do repertório de Habib, numa grande celebração musical que terá novos arranjos e versões para canções como “Modinha”, de Tom Jobim, e “Beatriz”, de Edu Lobo e Chico Buarque.

De acordo com Salomão Habib, o concerto ‘Suíte Bacchus’ dá vazão aos maiores prazeres da vida: a música, a poesia, o vinho, os amigos e às grandes lembranças. O músico já trabalha, após essa saborosa suíte, nas composições da ‘Suíte Milagres’, baseada nos seis milagres de Cristo e que estará pronta no mês que vem, para ser apresentada durante o Círio.

 

SERVIÇO

Salomão Habib apresenta 'Suite Bacchus'. Nesta quarta-feira, 19, a partir das 20h, no Theatro da Paz (Rua da Paz, s/n). Os ingressos variam entre R$ 15 e R$ 30. Informações: 4009-8759. Apoio: Leal Moreira.

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