Acompanhamos a diversidade do mundo contemporâneo e cosmopolita. Por isso, criamos um espaço de divulgação para além do mercado imobiliário. Um ambiente digital para explorar temas ligados à arquitetura, arte, cultura, gastronomia, design e estilo de vida, viagens, entrevistas exclusivas, agenda, dicas, empreendedorismo, sustentabilidade e tecnologia.

Seja bem vindo ao Portal e Revista LiV!

Entre em Contato

Endereço

Ed. Metropolitan Tower - R. dos Mundurucus, 3100 - Cremação, Belém - PA

Telefone

+55 (91) 4005-6800
Carregando clima...
Carregando bolsa...
Promessa de medalha

 
Aos 31 anos, o pugilista mais experiente da seleção brasileira de boxe vive o quarto ciclo olímpico da carreira, sonhando com a Cidade Maravilhosa e uma conquista também maravilhosa: a tão desejada medalha dourada.
 
Myke Michel Ribeiro de Carvalho nasceu na periferia de Belém e encontrou dentro de casa um destino que parecia traçado desde a maternidade: os ringues.
 
E o boxe parece correr nas veias da família do atleta paraense, que foi decisiva para que ele escolhesse um corner enquanto lutava por um futuro melhor.
“O que me levou [para o boxe] foi o fato de todos fazerem parte desse mundo: meus tios, meus primos... A principal influência foi da minha avó, hoje muito doente. Foi ela quem me viu treinando com o meu primo e disse que era pra ele me levar pra academia pra treinar de verdade”. Àquela altura, Myke tinha apenas 11 anos e uma carreira que decolou muito rapidamente.
 
Cinco anos depois dos primeiros golpes em uma academia de Belém, o fenômeno paraense alcançou a seleção brasileira. Outros cinco anos se passaram até que confirmasse todas as expectativas. 
 
Conquistas iniciais
 
O ano era 2004. Em Atenas, berço das Olimpíadas, Myke começou a perseguir a tal medalha com os cinco anéis. Foi a primeira das três oportunidades, mas as tentativas foram frustradas na capital grega, além de Pequim, em 2008, e Londres, em 2012.
 
Mas em 2016, quando o Brasil será anfitrião dos Jogos, a motivação é ainda maior – até porque o Rio de Janeiro traz boas lembranças pro pugilista da Marinha do Brasil. Na capital carioca, Myke foi bronze defendendo as forças armadas brasileiras nos Jogos Mundiais Militares, em 2011. O objetivo agora é repetir ou melhorar o feito nas Olimpíadas.
 
“Quero chegar às olimpíadas em ‘ponto de bala’ para conseguir essa medalha que, por sinal, já tá demorando. Estou me sentindo incomodado por ir a três olimpíadas e conseguir trazer essa medalha pro nosso Brasil. Não vou deixar essa medalha de ouro sair daqui”, garante. E a responsabilidade dele parece ter aumentado, agora que é o titular da seleção na categoria até 75kg, ocupando o posto de Esquiva Falcão, que migrou para o boxe profissional depois de conquistar a prata em Londres.


 
Desejos olímpicos
 
A medalha olímpica deve encerrar uma carreira vitoriosa e, quem sabe, trazer o reconhecimento tão esperado ao paraense. Myke é dono de oito títulos brasileiros, dois títulos sul-americanos, um título panamericano, além das duas medalhas de bronze nos Jogos Panamericanos de Santo Domingo, em 2007, e de Guadalajara, em 2011. Mesmo assim, ele lamenta, entre outras coisas, o esquecimento na terra natal. “Sou reconhecido em panamericanos, em Olimpíadas, porque as pessoas me veem na TV. Mas em Belém mesmo, eu não sou reconhecido”.
 
Quem entende de lutas conhece o potencial do pugilista. Em um mundo dominado pelo MMA, não faltam convites para que ele troque os ringues pelo octógono. Nada capaz de balançá-lo. “O MMA eu assisto, gosto de assistir. Mas pra você lutar MMA você precisa aprender vários tipos [de lutas], chutar, [lutar no] chão. Eu estou com 31 anos e acho um pouco tarde para aprender outras artes [marciais]. A minha praia é o boxe. Eu vou me manter aqui e quando eu acabar quero ser professor na minha academia e descobrir novos talentos também.”
 
Carga genética
 
Um desses talentos pode ter o mesmo sangue. Michel, único filho do Myke, tem apenas seis anos e começou a dar os primeiros golpes. Mas nada de luvas. O negócio dele é nos tatames. Um pequeno judoca, para desespero do pai e dos demais parentes pugilistas. “Eu não queria. Mas eu não estou lá perto. O que importa é que ele pratique um esporte. Esporte é saúde. Ele está crescendo com saúde, o importante é isso: ajudar a criança a crescer com saúde. Quem sabe, ser um campeão futuramente? Ele é um garoto grande, tem um porte físico forte. Quem sabe”, imagina o pai que mata as saudades do filho em demoradas ligações interurbanas de Osasco para Belém.  
 
Aliás, Myke aposta alto nos lutadores paraenses, a ponto de investir dinheiro do próprio bolso em jovens e novos talentos do boxe. Em Icoaraci, distrito de Belém, o atleta da seleção brasileira espera encontrar joias brutas prontas para serem lapidadas. “Estou montando minha academia, com o meu suor. Não recebo nada de ninguém. Eu quero montar lá porque há muitos talentos escondidos que não têm a oportunidade de disputar um campeonato brasileiro, chegar a uma seleção, ou pelo menos disputar um campeonato fora”, acredita.
 
Calejado pelos quase 18 anos nos ringues, ele encara a dura realidade dos atletas olímpicos de peito aberto. A promessa de fama e fortuna não o seduzem. Por isso, Myke nem pensa em seguir os passos de Esquiva Falcão e se tornar pugilista profissional. “Hoje não penso mais, não. Acho que com 31 anos, o meu foco hoje é conseguir ir para as Olimpíadas de 2016 e fechar com chave de ouro: com uma medalha olímpica que é o que eu almejo há mais de uma década aí”, finaliza, antes de voltar àquele tal mantra... Rio de Janeiro... Agosto de 2016... Olimpíadas... Medalha!
 
Um campeão em números
 
Aos 31 anos, sendo 17 deles vividos em um ringue, Myke Carvalho tornou-se uma referência no esporte paraense e acumula números que merecem reconhecimento: são 13 anos servindo à seleção brasileira, com destaque para os dois Jogos Panamericanos e os três Jogos Olímpicos disputados pelo octacampeão brasileiro de boxe.
 
Em meio a tantas medalhas nacionais e internacionais, o atleta paraense pode se orgulhar ainda de uma outra marca igualmente expressiva: em julho de 2014, durante o Festival Olímpico Panamericano de Boxe, no México, Myke chegou às 300 lutas disputadas e, de quebra, foi o grande campeão do evento, garantindo mais um ouro para a coleção dele.
 
Agradecimento
Bernie Walbenny
  • Tags:
  • 0