De tempos em tempos o mundo do vinho é surpreendido por tendências de mercado. Foi assim com os vinhos feitos com a casta Pinot Noir depois do filme Sideways; resultado: um legítimo blockbuster de vendas nos EUA. No Brasil, há alguns meses, vejo que as importadoras estão dedicadas a colocar os vinhos espanhóis na conquista de espaço entre os argentinos e chilenos — e isso tem motivos. A Espanha possui a maior área de cultivo de videiras do mundo e uma variedade de uvas nativas (autóctones) sem precedentes, além de mais de 61 denominações de origem. País de grande tradição vinícola, sua produção se estende de norte a sul e, em ordem crescente de qualidade, seus vinhos podem ser qualificados em: Vino de Mesa VdM (vinho espanhol mais básico); Vino de la Tierra VdIT (um vinho de mesa com melhor qualidade); Denominacíon de Origen Pago DO Págo (propriedades únicas que produzem vinhos excepcionais); Denominacíon de Origen DO (vinhos de qualidade de uma região delimitada); Denominacíon de Origen Calificada DOCa (a maior distinção qualitativa que um vinho espanhol pode ter). As regiões mais conhecidas são: Costa da Galícia, Toro, Ribera del Duero, Rioja, Navarra, Somontano, Catalunha, Priorat e Andaluzia. Além dos famosos vinhos tintos feitos com as uvas Tempranillo e Garnacha, produzem ótimos brancos como os refrescantes Rueda feitos com a uva Verdejo e o Albariño da região de Ribeiro; os espumantes Cava elaborados pelo método tradicional (o mesmo de Champagne) e os vinhos fortificados Xerez, ou seja, uma ampla variedade de estilos e gostos. Podemos dizer também que, atualmente, os vinhos espanhóis têm uma das melhores relações custo/prazer, com vinhos na faixa de R$35,00 a R$50,00 que não fazem feio em degustações às cegas. Sem falar em sua gastronomia, cada vez mais famosa, que vai além das tradicionais tapas e da onipresente Paella; com chefs comprometidos com a inovação e valorização dos ingredientes locais. Vale conferir também os ambiciosos projetos arquitetônicos das vinícolas espanholas, os mais caros e arrojados projetos feitos hoje em dia, seguindo a tradição do país de valorizar monumentos arquitetônicos. Salud!
