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Colecionadores se reúnem em Belém e articulam redes, conectando seus acervos ao circuito nacional de arte

Na próxima terça-feira (22), ocorrerá em Belém uma importante articulação estratégica para o ecossistema cultural do país. Promovido pela Galeria Almeida & Dale, de São Paulo, em parceria com o colecionador paraense Jorge Alex Athias, o encontro exclusivo reúne agentes do mercado, pesquisadores e artistas para celebrar e evidenciar o papel transformador dos colecionadores amazônidas na preservação da memória e na sustentação da produção artística contemporânea.

Mais do que apreciadores ou guardiões de acervos privados, os colecionadores atuam como catalisadores decisivos na economia criativa. O jantar temático foi concebido para reconhecer a capital paraense como uma plataforma de articulação direta, integrando redes de fomento e aproximando os acervos do Norte dos eixos mais consolidados de circulação artística do país.

Conexões estratégicas com a presença de Cláudio Tozzi e Luiz Braga

A anfitriania reforça o peso do diálogo entre o mercado institucional e a comunidade colecionista local. Ao lado de Jorge Alex Athias, recebem os convidados Antonio Almeida e João Marcelo, sócios e diretores da Galeria Almeida & Dale. O ambiente de intercâmbio contará com presenças de peso no debate sobre a criação artística: o artista plástico paulistano Cláudio Tozzi, nome seminal das vanguardas modernas e da pop art nacional, e o fotógrafo paraense Luiz Braga, referência visual de projeção internacional.

Artista plástico paulistano Cláudio Tozzi estará presente no jantar em Belém (Foto: Ewely Branco Sandrin)

Segundo a curadora Vânia Leal, que articula o evento, a dinâmica da noite aposta na tríade arte, colecionismo e mercado, superando o formalismo institucional para estruturar alianças duradouras entre quem cria, quem comercializa e quem viabiliza a existência dos acervos.

Cláudio Tozzi explica que sua ligação com Belém vem de longa data e tem raízes muito marcantes. “Em 1968, participamos de um momento emblemático: a I Feira Cultural de Belém, um verdadeiro movimento de vanguarda que ajudei a organizar ao lado de nomes como Mário Chemen e Hélio Oiticica. Foi uma ocupação ao ar livre, em plena Praça da República, colocando a arte em diálogo direto e democrático com o público”, recorda.

Ele diz ainda que, ao longo das décadas, estreitou laços de afeto e trabalho com grandes amigos da arquitetura paraense, como Paulo Chaves e Paulo Fernandes, além de ter realizado três exposições individuais inesquecíveis na galeria do Gileno. “Hoje, sinto um orgulho enorme de ver muitos colecionadores de Belém preservando trabalhos meus em seus acervos. Estar de volta para este evento é uma satisfação sem tamanho. Vamos debater os rumos da arte contemporânea, abrindo caminhos para fazer circular talentos do país e fortalecer o intercâmbio entre os estados. Essa articulação federativa é urgente e necessária, e é exatamente essa nova frente que começamos a definir a partir deste encontro", destaca.

Fotógrafo paraense Luiz Braga também é nome confirmado no jantar (Foto: Divulgação)

A Amazônia como território ativo no mercado de arte

Sob a coordenação e olhar curatorial da pesquisadora paraense Vânia Leal, a iniciativa evidencia como a formação de redes locais de colecionadores é capaz de descentralizar o mercado e posicionar o Norte nas discussões críticas. Encontros dessa natureza fortalecem redes de convivência fora do eixo tradicional de galerias e museus, fomentando a formação de público e inserindo a capital paraense com ainda mais vigor na rota do mercado e da crítica de arte no Brasil", avalia Vânia.

Essa articulação contínua também é detalhada por Thiago Lima, gestor da coleção do escritório “Athias, Soriano de Mello, Bentes & Lobato – Advogados”, que enxerga o colecionismo como ferramenta de soberania cultural. Mais do que apresentar obras e artistas, a iniciativa cria um espaço de diálogo, troca e construção entre galerias, artistas, instituições e colecionadores. É uma oportunidade de ampliar o olhar sobre a produção artística e, ao mesmo tempo, afirmar de modo inequívoco e inevitável a região como um território ativo na construção do circuito de arte contemporânea do país", destaca.

Com essa articulação, Belém reafirma seu papel estratégico: não apenas como fonte inesgotável de inventividade visual, mas como um polo maduro de colecionadores e investidores culturais engajados em ditar rumos para a história da arte brasileira.