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Mareterra: conheça o bairro de luxo construído sobre o mar que ampliou o território de Mônaco

Mônaco encontrou no mar uma das poucas possibilidades de ampliar seu território. Em um dos menores países do mundo, onde o espaço é um recurso disputado, a construção do Mareterra criou uma nova área de aproximadamente 6 hectares onde antes havia água. O empreendimento representa um aumento de 3% no território do principado e recebeu investimento de cerca de 2 bilhões de euros, o equivalente a quase R$ 13 bilhões, segundo informações divulgadas pela BBC.

O projeto foi viabilizado por meio do aterramento marítimo, técnica que permite criar novas áreas terrestres a partir do depósito de areia, terra e outros materiais em regiões costeiras. No caso do Mareterra, foram utilizadas mais de 750 mil toneladas de areia e 18 caixas de concreto reforçado que formam o cinturão de proteção da nova área.

A expansão não é exatamente uma novidade em Mônaco. Desde 1907, áreas conquistadas do mar já passaram a representar cerca de 25% do território do principado, mostrando como a engenharia tem sido utilizada para contornar a limitação territorial do país.

Um endereço de alto padrão

O projeto foi viabilizado por meio do aterramento marítimo, técnica que permite criar novas áreas terrestres a partir do depósito de areia, terra e outros materiais em regiões costeiras. (Foto: Divulgação Mareterra)

Oficialmente inaugurado em 4 de dezembro de 2024, nove anos após a assinatura do Contrato de Concessão, o Mareterra foi apresentado como uma nova extensão de Mônaco. A cerimônia contou com a presença do príncipe Albert II, chefe de Estado do principado.

O bairro reúne diferentes tipos de imóveis e estruturas de lazer. São 110 apartamentos, 10 moradias de luxo e outros quatro imóveis de alto padrão, além de 12 espaços comerciais. O projeto também conta com uma marina com 16 vagas para barcos e cerca de 500 metros de calçadões costeiros.

O padrão de preços acompanha a proposta do empreendimento. O metro quadrado das unidades parte de aproximadamente R$ 645 mil, colocando o Mareterra entre os endereços imobiliários mais caros do mundo.

A paisagem também foi planejada para reforçar a identidade do novo bairro. Quase mil pinheiros foram plantados na região, formando um pinheiral que integra as áreas verdes ao conjunto arquitetônico.

Engenharia para criar novas terras

A construção de Mareterra exigiu uma operação de grande escala para transformar uma área marítima em espaço urbano. O aterramento marítimo utilizado no projeto consiste na criação de terreno a partir do preenchimento de áreas costeiras, permitindo a implantação de estruturas onde anteriormente havia água.

A estratégia tem importância particular para Mônaco, um país de território extremamente reduzido. A expansão sobre o mar permitiu ao principado incorporar uma nova área sem depender da disponibilidade de terrenos em seu espaço continental.

O empreendimento também representa uma continuidade de projetos de expansão territorial realizados ao longo das últimas décadas. A iniciativa faz parte da estratégia de ampliar a área disponível do principado, em um território onde cada novo espaço tem grande relevância.

Bairro planejado para reduzir impactos ambientais

Apesar da dimensão da intervenção no litoral, o Mareterra foi desenvolvido com uma série de soluções voltadas à eficiência energética e ao reaproveitamento de recursos. O projeto é apresentado pela coroa de Mônaco como um “écoquartier”, ou bairro ecológico, e foi planejado com metas ambientais ligadas à neutralidade de carbono.

Entre as estruturas instaladas estão 9 mil metros quadrados de painéis solares, responsáveis por atender cerca de 40% da demanda energética da região. O bairro também utiliza bombas que aproveitam o calor da água do mar para aquecer ou resfriar os ambientes.

Outro sistema foi criado para o aproveitamento da água da chuva. Um reservatório com capacidade para 600 m³ capta a água, que posteriormente pode ser reutilizada na irrigação dos espaços verdes do empreendimento.

A preocupação ambiental também chegou ao ecossistema marinho. Durante a implantação do projeto, foram transplantados 384 m² de Posidonia oceanica, uma planta marinha considerada importante para a oxigenação das águas do Mediterrâneo.

Entre arquitetura, engenharia e soluções ambientais, o Mareterra representa uma das formas encontradas por Mônaco para lidar com sua principal limitação física: a falta de espaço. Ao transformar uma área antes ocupada pelo mar em um novo bairro, o principado incorporou território, imóveis de alto padrão e infraestrutura urbana a uma das regiões mais valorizadas da Europa.