Em uma cidade marcada pelo clima quente e úmido durante todo o ano, pensar em conforto ambiental vai muito além da arquitetura. Arborização, áreas verdes e planejamento urbano têm papel fundamental para reduzir a sensação térmica, melhorar a qualidade dos espaços públicos e tornar Belém mais preparada para enfrentar os desafios climáticos.
Em entrevista à LiV, a arquiteta e urbanista Isabella Assôfra, mestre em conforto ambiental e especialista em sustentabilidade, explicou como o conceito reúne diferentes estratégias que impactam diretamente a qualidade de vida.
"Quando a gente fala em conforto ambiental, é um conceito muito amplo. A gente pode falar de conforto térmico, atrelado à eficiência energética, conforto acústico, que tem o intuito de controlar e reduzir o ruído urbano. A gente pode trabalhar também com conforto luminoso, ventilação, enfim. Tudo isso tem o intuito de fazer com que a gente crie espaços, seja numa escala de cidades e espaços públicos, confortáveis para os usuários, e também numa escala de edifício, fazendo com que esses ambientes internos sejam agradáveis de um modo geral."

Ilhas de calor
Segundo a especialista, um dos principais desafios enfrentados por Belém é o avanço das ilhas de calor, consequência da intensa urbanização e da redução das áreas permeáveis.
"Um dos grandes efeitos da ilha de calor é justamente causado por esse alto índice de pavimentação, de concretagem e de asfalto. Então, é importante a gente ter, dentro desse espaço da cidade, áreas que contemplem corredores verdes, que contemplem arborização, a fim de contribuir para que a gente consiga ter espaços cada vez mais confortáveis dentro dessa escala urbana."
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A professora ainda destacou que o paisagismo é uma ferramenta importante para amenizar esse cenário, principalmente quando prioriza espécies adequadas ao clima amazônico e amplia a presença de vegetação nos espaços públicos.
O papel do paisagismo
Além da arborização, Isabella destaca que soluções baseadas na natureza ajudam a regular a temperatura e tornam as cidades mais sustentáveis.
"O paisagismo acaba contribuindo fazendo com que eu tenha essas áreas de grande sombreamento. Então, não apenas com essas copas de árvores, mas eu também posso estar implementando parques lineares, parques urbanos. A gente tem até os jardins filtrantes, que são os wetlands, tem os jardins de chuva, e eles acabam contribuindo, fazendo com que eu tenha a regulação desse microclima, amenizando essa sensação de altas temperaturas."
Um legado para o futuro
Para a especialista, investir em conforto ambiental significa planejar cidades mais humanas, saudáveis e preparadas para os desafios das próximas décadas.

