“No fim, tudo dá certo! Se não deu certo, é porque ainda não chegou ao fim”. Parafraseando Fernando Sabino, era o que minha avó me dizia quando eu estava preocupado. Pudera! Com o freio de mão puxado, o mercado financeiro brasileiro reflete a preocupação de nós, investidores, com relação aos “sólidos” pilares que sustentam a economia brasileira e mundial.
Terremotos, tsunamis e conflitos à parte, os Estados Unidos, maior economia do mundo, e a União Europeia caminham a passos lentos, rumo a um destino desconhecido, que sequer o FED, o banco central americano, sabe dizer onde é. Os poderosos ainda sofrem as duras consequências da crise financeira de 2008.
Por aqui, exportadores sofrem com o real muito valorizado e consumidores reclamam do aumento nas etiquetas. Estamos pagando um preço muito alto para conhecer melhor o esperado crescimento. A causa pode estar no fortalecimento do crédito. Ele se expande, os juros caem e nos iludimos. Saímos por aí comprando desenfreadamente sem nos preocuparmos muito com o que pode acontecer.
Nosso futuro já está semeado: inflação. Sim, é o preço da nossa prosperidade. O “boom” pode virar “crash” e a história pode se repetir. E agora? O remédio é tão antigo, que minha avó não se surpreenderia com ele: aumentam-se os juros e pronto! Colocamos um band-aid em nosso problema. É simples assim? Infelizmente, não.
Enquanto na Europa restam dúvidas se os PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) têm capacidade de honrar suas dívidas, os emergentes crescem a taxas acima das projeções e impulsionam o crescimento do mundo. Que maravilha!
Nem podemos comemorar que os balões inflam e podem estourar. Não gosto de pensar em bolhas, mas nossos amigos chineses continuam ávidos consumidores das principais commodities (soja, milho, café, ferro etc.); apetite que impacta em outros países e espalha inflação mundo afora.
O mundo dá muitas voltas, definitivamente. Lembro bem quando, ainda na escola, estudávamos a ascensão do comércio de especiarias orientais. Os comerciantes de lá alimentavam o resto do mundo com inovações e mercadorias nas rotas de comércio Oriente-Ociente.
Séculos mais tarde, o poder passou para o lado de cá, com a longa hegemonia norte-americana. A tecnologia espalhou-se pelo globo e hoje vivemos uma sociedade de consumo, baseada no objetivo de acumular riquezas materiais. É o “sonho americano”.
Hoje, o governo dos Estados Unidos solta dólares a taxas praticamente nulas, numa tentativa de criar novos empregos e aumentar a renda da população. Como efeito, o excesso de dólares no mercado desvaloriza a moeda americana, o que ajuda (ou pelo menos deveria ajudar) a estimular o crescimento, atualmente pífio, que eles vêm tendo por lá.
Nós, emergentes, ao contrário, crescemos demais. Será que o mundo está novamente invertendo os pólos e a hegemonia econômica voltará para o Oriente? Esperemos que nos sobre um pedacinho para o nosso hemisfério! O futuro ninguém sabe, os dias são incertos, mas precisamos nos manter otimistas. Portanto, “não se preocupe, meu filho, no fim, dá tudo certo!”
