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Short book, você já ouviu falar?

Passaporte para universos paralelos e grandes viagens fantásticas (ou não), o tradicional formato do livro, está passando por grandes mudanças. O cheiro, o toque e o papel dão espaço para o formato digital, os e-books (eletronic book), produto que já vem ganhando público já há algum tempo.


O primeiro livro digital foi publicado já no fim século XX. Desde então o número de publicações à venda só tem aumentado, e, é claro, adeptos. Mais novo ainda que os livros digitais, são os “mini e-books” - eles apresentam um conteúdo reduzido de pequenas histórias inéditas, ou até mesmo, fragmentos de outras obras já famosas, semelhantes as do formato dos singles, que estão disponíveis no iTunes.


Editoras internacionais como Amazon Kindle Singles, Penguin Shorts e a Story Cuts já estão apostando neste segmento de publicações digitais curtas e mais baratas. No caso da Amazon Kindle Singles o rendimento com a venda destes pequenos livretos já ultrapassou a soma de cinco milhões de cópias desde 2011, ano de sua criação. No Brasil a proposta ainda está nascendo, embora essa categoria represente apenas 2% de venda por aqui, é a “deixa” perfeita para escritores e leitores começarem a pensar sobre o assunto. A Revista Leal Moreira conversou com alguns deles. Confira.


A escritora Lucilene Barbalho, que recentemente lançou o livro “A luz que habita em mim” - uma obra que trata de reflexões sobre o comportamento humano, reações e uma mensagem de estímulo a autoconhecimento - acredita que “este formato acompanha o ritmo acelerado das pessoas que acabam por não ter muito tempo para se dedicar a uma leitura mais demorada. É uma nova opção”.


Para ela este novo formato - produzido para as plataformas digitais - permite que os possíveis leitores que não têm muito tempo, e convivem bastante com aparatos eletrônicos, possam ter uma experiência de leitura, pois essa proposta “abre uma nova possibilidade para um outro público que não lê conteúdos mais longos e fica mais tempo no computador”.


Ao contrário do que muitos dizem por aí, Lucilene não acredita que o short book, ou próprio e-book, “substituirá o livro mais extenso. Quem gosta de livros mais profundos e não gosta da leitura digital, continuará a procurar ler no “formato tradicional”, ou seja, nos livros de papel”. E ainda, destaca que “devemos estar abertos a mudanças sem, necessariamente romper com antigos padrões que também tem seu público. O importante é estimular a leitura”.
Em consonância também está Danielle Blanco, graduada em Letras e mestranda em comunicação, concorda que este novo produto “tende a facilitar e, em alguns casos, democratizar a utilização, em especial dos jovens que passam mais da metade do tempo do dia conectados à rede. Os livros digitais e suas variadas versões são uma grande ‘sacada’ para esse público”. A facilitação do acesso, segundo ela, se deve a “praticidade e o possível compartilhamento mais facilitado entre as pessoas; é também uma das vantagens desse tipo de mídia”.


Para ilustrar o fator positivo das obras digitais ela cita as redes sociais como exemplo de uma possível janela que se abre para leitura. “Antes da popularização do facebook, a maioria dos jovens não tinha contato com a leitura, além da sala de aula. Hoje, o compartilhamento de frases, poemas e citações de vários autores, nas redes sociais; (com suas devidas ressalvas, já que é necessário verificar a fonte) desperta nos jovens a curiosidade, identificação e até a vontade de ler determinado autor que eles conheceram nos blogs, redes sociais por meio do compartilhamento de outras pessoas; e o primeiro lugar onde eles vão procurar esses autores é na internet, onde é possível encontrar e-books e suas variações”.


Embora veja com bons olhos a questão, Danielle não abre mão de ter o bom e velho livro impresso e ainda confia nos leitores à moda antiga, pois “apesar de todas as vantagens dos livros digitais, há aqueles que não conseguem passar mais do que uma hora olhando para uma tela luminosa e preferem o bom e velho impresso, eu faço parte desse time”. E confia ainda na ascensão de novos autores, já que “a mídia móvel tem essa grande vantagem, não só na literatura, mas em todas as áreas. Está muito mais fácil a publicação dos trabalhos, sem tantas burocracias”.


Com esta nova porta aberta ao trabalho de escritores estreantes, todos só tem a ganhar pois “ o público tem cada vez mais acesso, acredito que isso seja bom tanto para os autores que divulgam seus trabalhos e para os leitores que convivem cada vez mais com leituras de qualidade, a preço acessível e, muitas vezes, até gratuitamente”, ressaltou Danielle.
 
           
A jornalista Lorena Risse, por outro lado, discorda que o short book venha a representar uma nova versão do livro propriamente dito. É uma nova mídia que tem a leitura como fim, porém utiliza outros meio para reproduzir conteúdo. “Acredito que é importante termos em mente que isto não é mais um livro, e sim um e-book, uma nova forma roupagem do conteúdo, com possibilidades novas e especificidades únicas. Para ter uma ideia, além dos e-books, existem outras mídias que reproduzem a ideia de livro, ao passo que apresentam novos recursos multimídia como a inserção de áudio, vídeo, animação, etc. Nestes casos acredito que não é possível dizer que são livros com uma nova roupagem só porque reproduzem a função principal do livro que é ler, pois eles são de naturezas diferentes. Eles podem ser novas mídias e por isso recebem nomes diferentes: e-books, livros animados, etc”, especificou.


Diferente das outras entrevistadas, Lorena acredita que essa nova mídia “vai ter impactos muito diversos e que só com um tempo de uso do material e com uma pesquisa sobre ele é que poderemos ter esta noção”, e ainda que essa plataforma de leitura vá criar um novo nicho de consumo, por exemplo “hoje temos pessoas que leem resenhas ao invés de livros, leem manchetes ao invés da reportagem inteira, haverá público que lerá livros em doses menores”. Para ela não há como dizer se é bom ou ruim, pois “esta visão não está ligada a um juízo de valor, mas sim às possibilidades de público”, enumerou.


Para o bem ou para o mal, é preciso se preparar para encarar essas novas tendências que têm um impacto significativo para a sociedade. Afinal, a leitura faz parte da formação dos indivíduos, se essa leitura, seja como for, está ligada a uma outra forma de interação, ela requer atenção e, muito cuidado.

Foto: Divulgação/internet

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